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Que Preguiça

 

                                                            


                                 


    


Todo fim de ano é a mesma rotina: escolhe prova para correr, começa o treinamento, aumenta o volume de treino, depois aumenta a velocidade, passa pela fase de polimento até chegar na prova alvo do ano.

Com uma semana de férias em março, o ciclo de treinamento começou no final de dezembro. Desta vez escolhi usar a mesma planilha que usei em Osaka no ano passado, que tinha comprado na Internet por 10 dólares. É bem simples mas para o tempo pretendido da para o gasto.

Mas o problema não é a prova, ou a planilha: o problema é o treino.

Essa planilha tem algo como 55 treinos em 12 semanas. No ano passado perdi apenas 2 desses treinos. Neste ano não sei quantos eu perdi, mas foram muitos. Espera ai. Deixa de ser preguiçoso e conta quantos treinos foram. Ok. Foram 42 treinos feitos (13 perdidos) mas teve a redução de uma semana como vocês vão ver adiante. Então foi uma perda de 9 a 10 treinos da planilha. O motivo? Pura preguiça !!!

Eu até poderia dizer que a culpa não é completamente minha, mas na verdade é. Esse ano foi diferente pois tive que começar a fazer um curso de outro avião (B-787). Com o curso, fiquei grande parte em Doha. Apesar de ser “ inverno” este ano particularmente poucos dias foram efetivamente frios. E ainda tinha que estudar e fazer simulador. Apesar dessas desculpas, seria extremamente possível concluir a planilha, ou pelo menos 90% dela. O problema era a vontade que variava entre pouca e inexistente.

Normalmente corro sem música. Gosto de me concentrar na respiração, deixar a imaginação ir para onde ela quiser ou até pensar em um texto como esse. Apesar disso, nos dias em que falta “ paciência”, uso a música como um escape. Não é a minha preferência, mas reconheço que o tempo passa mais rápido ouvindo uma boa playlist. Treinar na esteira por exemplo é praticamente inviável sem música.

Dito isto, assumo que a grande maioria dos treinos deste ciclo foi com música. Isso mostra o quanto a preguiça que me pegou durante esses treinos. Resumindo, estava difícil de correr.

Mas calma que piora. Inicialmente eu tinha pensado em correr a meia de Málaga, dia 15 de março. Porém, quando fui confirmar a data das férias, estava acabando dia 15. Seria impossível correr em Málaga e voltar para casa a tempo. Então escolhi outra corrida uma semana antes: à Meia. do Lago Maggiore, na Itália.

Seria uma semana a menos de treino mas devido a minha falta de vontade, já estava até comemorando. O problema era decidir entre tirar uma semana de treino intenso ou tirar uma semana do polimento. Decidi por tirar a semana de intensidade e pronto.

Mas uma semana antes da corrida, no dia 28 de fevereiro, quando estava decidindo que hotel ficar, começou a guerra entre EUA e Irã. O que parecia uma guerra longe, se tornou uma ameaça. O espaço aéreo foi fechado e os voos cancelados. Ainda monitorei a situação durante a semana, mas sem nenhuma melhora significativa. E desta forma não corri minha prova principal e cheia de preguiça de 2026.

Apesar de não ter corrido nenhuma das 2 provas ( e nem cheguei a sentir falta), fiz um review para tentar chegar na fonte de tanta preguiça. A conclusão foi que os treinos em Doha não são tão animados assim. Apesar da Pearl ser um ótimo lugar de corrida, o trânsito, com os constantes desvios de carros entrando em garagens e pedestres que ocupam toda a calçada desanimam um pouco a corrida. A temperatura também não ajudou e por fim eu não consegui colocar um objetivo para a prova que me animasse.

E nessa letargia começou o ano de 2026. Eu sei que a temperatura em Doha só vai piorar daqui para frente, mas ainda assim, acredito que posso manter a regularidade pelo resto do ano. E assim entre dias bons e dias sem paciência vou tentando vencer a preguiça e continuar correndo.


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