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Relatos de Provas


              Maratona de Berlin

São 8: 20 da manhã do dia 25 de setembro de 2005. Estou posicionado na Av 17 di juni, no coração de Berlin juntamente a outros 54.000 corredores. Olho para aquele céu maravilhosamente azul, sem uma nuvem, a temperatura em agradáveis 18 graus e penso...  O que e que estou fazendo aqui!! Sei o que me aguarda pela frente 42195 metros distância nunca antes percorrida por mim e a qual a 2 anos atrás seria difícil pensar e impossível de executar tal feito.

A largada ocorre em um clima de festa. Começo correndo sem impor um bom ritmo, pois sei que serão muitos km pela frente. Mas ao completar o 1 km em 6 minutos e 30 segundos, eu penso:tenho que aumentar esse ritmo.  Apesar de ser a primeira maratona e eu ter como principal objetivo completar, eu tenho lá no fundo uma esperança de conseguir fazer em 4 horas ou perto disso. E para isso teria que fazer cada km em 5 minutos e 40 segundos.

Após os primeiros 2 ou3 km consigo impor o meu ritmo. Como a temperatura ainda não esta muito alta não acho necessário tomar muita água. Porém a partir do km 5 começa a ter abastecimento de banana e maça e esses sim eu como sempre que aparecem os postos.

Até o km 20 não tenho grandes preocupações, pois é como uma meia maratona, ou seja distância que já havia corrido em outras provas e diversos treinos. Completo os 21 km em 2 horas. E já tendo comido umas 5 bananas e 3 maças ( a gente veio aqui para comer ou para correr??). Continuo correndo, mantenho a concentração e vou vendo os km passando. Me preocupo, pois já me avisaram e eu também já havia lido que depois do km 30 é o ponto onde ocorre um cansaço e muitos corredores abandonam provas neste ponto, e este cansaço não é físico e sim mental.

Mantenho o foco, fico concentrado. Pelo km 34 alguns km demoram muito para passar, já outros passam com bastante facilidade. Mantenho o ritmo e quando vejo estou no km 41. Nesta hora acontece uma pequena desconcentrada. Parece que se esta tão perto, parece que se esta tão longe. Vejo o portão de Brandemburgo na minha frente. Continuo correndo e vejo cada vez mais gente. Vejo a faixa de ziel ( chegada). Agora e só passar a linha de chegada, agora e só comemorar. E é o que eu faço, comemoro. Termino em 4 horas e 37 segundos. Estou dolorido mas muito mais do que isso, estou feliz.

O objetivo desse relato vai alem de contar a epopéia de chegar ao final dos 42195 metros, mas e uma forma de agradecer a todas as pessoas que de alguma forma apoiaram e continuam apoiando a corrida. Essa maratona e dedicada ao meu pai, minha mãe, minha namorada, a família e amigos, mas gostaria de fazer um agradecimento em especial. Esse agradecimento e para o tio Fernando Beylouni. Ele foi o primeiro incentivador, colaborador e parceiro de corrida. Ainda me lembro como se fosse hoje a primeira vez que fomos correr no calçadão no Rio, e com 4 km eu me arrastava e ele seguia firme e forte. Tio quando quiser dar uma corridinha e só marcar. Prometo que vou passar do 4 km.

Para quem nunca correu, jamais pensou em participar de uma maratona e ainda por cima acha coisa de maluco, eu digo, tentem, se esforcem porque realmente vale a pena. Não vou dizer que e fácil. Eu já tinha corrido algumas meias, fiz um treinamento de 720 km em 12 semanas, corri embaixo de sol, chuva, frio, calor e digo E sacrificante. Mas em compensação e prazeroso. E prazeroso traçar um objetivo correr (literalmente) atrás dele, vencer os limites que você jamais sonhou que fossem possíveis vencer. E no final vale a pena..

Eu pensava assim Tem muito maratonista profissional que corre uma maratona por ano, se eu correr uma na vida já vai estar bom. Ledo engano. Depois da 1 eu quero mais.


Obrigado a todos pelo incentivo, apoio e carinho e encontro vocês em alguma maratona pelo mundo bjs Fe


10 Milhas Mizuno - Rio de Janeiro (31/05/2009)

Um belo domingo de manhã. O Rio de Janeiro amanhece com algumas nuvens e agradáveis 21 graus. Condição perfeita para a corrida. Apesar de ainda estar sonolento as 6 da manhã, penso: Belo dia para correr

            Vou para o aterro do Flamengo, palco de mais esse desafio.Não chega a ser um “desafio”pois 10 milhas (16Km) é uma distancia que corro com regularidade, diferentemente dos 21 da meia maratona ou outras distancias maiores.

            Para os cariocas corredores, o aterro é lugar comum pois as principais corridas do Rio acontecem por lá. Mas para mim, é tudo como se fosse novo. Apesar de já ter disputado várias corridas no aterro assim como a chegada da meia maratona, já faz mais 3 anos que não dava minhas passadas por lá.

            Pego meu chip, coloco no tênis e vou em direção a linha de largada. Os passagens são estreitas, a sinalização para a linha de partida é confusa mas o clima da corrida é o melhor possível. A largada, prevista para as 8 horas, acontece com 3 minutos de atraso.

            Faço uma largada  no meu ritmo. Normalmente em competições existe uma tendência natural a se correr mais rápido do que se treina, principalmente no início. Mas isso, aumenta em muito a chance de faltar fôlego ou pernas para se chegar no fim ( conhecido entre os corredores como quebrar). Eu, como muitos outros, sofria também essa vontade de disparar, mas pagava um preço caro conforme os kilometros iam passando.

            Mas dessa vez, com a experiência adquirida ao longo dos anos, larguei confortavél, mantendo a velocidade durante os primeiros kilometros para depois acelerar.

            E isso foi muito bom porque logo no segundo kilometro abriu um sol não programado daqueles de verão carioca. Me assustei um pouco, pois como atualmente tenho treinado mais em esteira do que na rua, o calor poderia atrapalhar bastante. Aproveito os postos de água, não tanto para beber, mas principalmente para jogar na cabeça.

            O percurso dispensa comentários;A largada é no monumento aos pracinhas,no sentido marina da glória com pão de açucar ao fundo.São 2 voltas com 8 kilometros cada uma. Com esse visual nem sinto os kilometros passando. Quando chego no quinto kilometro o sol dá uma tregua, aparecem algumas nuvens, hora de acelerar. Aperto um pouco o ritmo e fecho a primeira volta com 35 minutos e 57 segundos. É um tempo muito bom e sinto que posso melhorar, então continuo mantendo o ritmo. Passo os 10 Km com algo em torno de 45 minutos. O calor volta a aparecer, mas mantenho o foco e o ritmo. Tenho um plano de quando chegar no Km 12 começar a acelerar gradativamente cada um dos 4 Km restantes. Inicio a executar o meu plano, a não ser por um imprevisto.

            Quando chego no Km 13 (só faltam 3!!) sinto um pequeno incomodo no pé direito. Não muitos passos a frente o incomodo aumenta e agora tenho certeza do que aconteceu: Uma bolha na lateral do pé. Como joguei muita água na cabeça, essa água escorreu e molhou a meia. A meia molhada fazendo atrito com o tênis transformou-se em um dos piores inimigos dos corredores.

            Continuo correndo, pisando com a lateral do pé, procurando uma posição em que não sinta dor. Alguns podem discordar da minha decisão de continuar mas para mim corrida é concentração e é nessas horas que ela faz diferença.

            Acho uma posição menos desconfortável e volto a manter o ritmo. Quando faltam 500 metros consigo até dar um sprit final. Completo a segunda volta em 37 minutos e 19 segundos, não tão bom quanto esperado pois imaginava fazer um tempo igual ao da primeira volta ou um pouco menos,mas corrida é assim: nem sempre conseguimos o nosso objetivo, mas sempre aprendemos alguma coisa para as próximas. Meu tempo total para as 10 milhas  1 hora 13 minutos e 16 segundos.

            Termino sem cansaço, com a dor apenas da bolha e feliz por mais essa corrida completa. Esse é o espírito da corrida. No meu ponto de vista.


       Lisboa 6 de dezembro de 2009


Acordei antes do despertador. Estou com disposição. O tempo nublado e a temperatura de 15 graus indicam boas condições para a corrida.

            A largada da  meia maratona de Lisboa está programada para 10:30. Tarde para os padrões de corrida. A explicação para isso é a maratona de Lisboa, que tem sua largada as 9 da manhã. Na meia maratona, vamos correr exatamente a segunda metade da maratona. Junto com quem está correndo a maratona. Meio complicado, mas já que a corrida é em Portugal a gente dá um desconto.       O percurso tem largada na praça do comércio em direção a Belém. Quando se está proximo a torre de Belém, se faz a volta e retorna. Esse primeiro trecho tem aproximadamente 5 Km. Mais 5 Km e se está de volta na praça do comércio. Continua-se beirando o rio Tejo por mais 5 Km, quando se entra na cidade e para completar os 6 Kms restantes e chegar no estádio 1 de Maio.

            A largada é um pouco complicada. As ruas são estreitas e tem mais gente do que rua. É difícil imprimir um ritmo, mas essa situação dura aproximadamente 2 Km. Depois disso os blocos de corredores começam a se definir de acordo com o ritmo de cada um. Lá pelo Km 6 cai uma chuva leve, boa para resfrecar, mas não dura muito.

            No Km 7 começo a me complicar, por 2 motivos: Primeiro porque não treinei na última semana. Não por preguiça ou falta de tempo, mas tive um princípio de resfriado, com febre e resolvi me poupar para a prova. O outro motivo é que a grande maioria dos meus treinos tem sido na esteira. Na esteira além da postura de correr ser diferente, quem “dita” o ritmo é a esteira. Você só tem que acompanhar. Assim, mantive um ritmo muito forte do Km 4 ao 6 e o resultado foi uma dormencia nos pés a partir do Km 7.  A sensação era como se tivessem colocado cimento dentro dos tênis e depois me colocado para correr. Fiz o que podia fazer: Baixei o ritmo, me concentrei e continuei a correr. Deu certo! Lá pelo Km 11 já tinha “derretido”todo o cimento.

            O ritmo está bom. Passo pelo Km 13 e olho o relógio: 59 minutos cravados. De repente dá até para pensar em recorde pessoal ( 1:33:33 Atlantic City 2008). Mas junto com o Km 13 vem uma  ponte. Curta, mas ingrime. Passo pela ponte e penso: “Que maldade colocarem um ponte no Km 13” ( e para quem estava na maratona Km 34). Eu mal sabia o que me esperava adiante.

            Até o Km 15, enquanto estamos beirando o rio Tejo, está tudo bem.  A prova começa de verdade quando se deixa o Tejo para trás e se vai em direção a cidade. Esses últimos 6 Km começam em uma auto estrada com uma ladeira leve e constante. Ao longo de 2,5 Km a ladeira vai ficando mais íngrime e para completar quanto mais perto do topo se chega mais vento forte se tem. Vento de proa é claro!

            Após a subida, vem a descida. Com certeza menos desgastante que a subida, mas não menos difícil pois tem que se manter o ritmo e a inclinação varia bastante. Quando se chega na parte de baixo da ladeira falta apenas 1 Km para a chegada e adivinha? Outra ladeira! Começo a desconfiar que esses portugueses são realmente maus.

            Essa última ladeira tem uns 600 metros. Depois disso, é só entrar no estádio 1 de maio, completar a volta olímpica e chegar. Termino com o tempo de 1 hora 40 minutos e 16 segundos, bem longe do meu recorde, mas muito bom considerando a dificuldade final da prova.

            A corrida é assim: tem dias melhores e dias piores. Ás vezes o desafio é a temperatura, as vezes é o percurso, e as vezes é você. Mas o bom é que sempre tem um desafio pela frente. Desta vez conquistei Lisboa. Que venha a próxima pela frente!

                        Meia do Rio -

Acordei na pilha!!! É hoje! É como voltar no tempo. Tudo começou aqui. Mesmo percurso da primeira prova. Toda expectativa, toda a ansiedade....só que 7 anos depois.

            7 anos??? Passou muito rápido. Como uma corrida (não podia perder o trocadilho). Mas é verdade, lá se foram 7 anos daquela primeira meia. Muitos km depois muitas meias depois, aqui estou pronto para mais uma.

            É bem verdade que a “preparação”, pré prova a base de churrasco e cerveja não foi das mais atléticas, mas fazer o que, afinal de contas , é férias no Rio, não tem como se evitar. Soma-se a isso uma semana de pouco sono devido a fuso horários e pronto......tem-se tudo que não se deve fazer antes de uma corrida (principalmente uma meia).

            Por sorte, a corrida é baseada em um trinomio (bonito o nome). Descaso- Alimentação e Treino. Os 2 primeiros como já contei nào foram os ideais pré prova. Pelo menos na parte de treinos a dedicação foi total. Programei 4 treinos por semana por 10 semanas e completei 90% dos treinos. Apesar de grande parte ter sido feita em esteira, o que também não é o ideal, me considerava preparado para o desafio.

            O dia não estava muito quente e não tinha sol, o que ajudou bastante no Rio. A largada foi naquele padrão sardinha em lata da meia do Rio. Acho que já é tradição. Muita gente, pouco espaço. Resultado: Dificuldade de imprimir um ritmo inicial. Para alguns corredores isso não é problema, pois conseguem compensar o tempo perdido depois. Não é o meu caso. Gosto de correr com um ritmo constante, essa quebra é ruim para mim. Mas faz parte da corrida, principalmente dessa. E eu já sabia disso.

            Decidi correr sem Ipod. Apesar de todos os treinos na esteira serem feitos com ele, gosto de correr outdoor sem ele. Apesar de reconhecer que,com o Ipod e as músicas certas se corre mais rápido. Mas não queria correr mais rápido. Queria correr mais feliz. E foi isso que eu fiz.

            Atravessei a Neymeyer e cheguei no Leblon. 4 km já se passaram....Mas assim, tão rápido. Brincam que o perigo desta meia é se desconcentrar com a beleza do percurso. É verdade. Já corri em muitos lugares dentro e fora do Brasil. A beleza e diversão do Rio são ímpares. E já se esta em copacabana com 10 km completados. Isso vai acabar muito rápido! O aterro já esta chegando, e com ele vem o calor. Nada que assuste. É só manter o ritmo.

            O pior momento da prova (sempre)  é quando se passa o km 16 e se ve a “chegada”. Essa esta na outra pista do aterro, mas você ainda tem que correr 2,5 km em direção ao SDU ( vai-se quase até ele) e depois mais 2,5 de volta. Ou seja, você vê a chegada mas corre para longe dela. Coisa de maluco.

            Nessas horas a experiência de já ter corrido outras 3 vezes o mesmo percurso ajuda. Mantem- se a concentração, o foco,e  já está chegando. Agora faltam só 3 km.

            Quem foi que inventou que a distância é de 21 km ( na verdade 21,097m)? Porque não colacam um número redondo, tipo 20? De qualquer forma agora só falta um km. To quase lá. Mais uma vez.

            Cruzo a linha de chegada com o tempo de 1:42:18. Um pouco acima dos 1:40 que tinha previsto, mas esses 2 minutos ficam pela cerveja, pelas noites mal dormidas, e até pela curtiçào do percurso.

            Fotos e mais fotos depois estou eu pronto para mais curtição. Estou eu pronto para a próxima meia maratona. Que venha Amsterdam !!!( 16 de outubro)
           
                       Meia de Amsterdam

Estava preocupado. Um mes e meio se passou da meia maratona do Rio e não consegui encontrar estimulo para treinar.Isso é bem comum de ocorrer após atingir certas metas. Você se prepara, se dedica a determinada prova e depois quer descansar, ou no máximo correr sem nenhuma obrigação, sem um objetivo específico.

            O problema foi o caléndario. Tinham 2 férias muito proximas uma da outra, e resolvi que correria nas 2, no Rio no fim de agosto e em Amsterdam, no meio de outubro. Quanto ao estímulo, pensei: O que mais estimulante que outra corrida?  Vai ser acabar a corrida no Rio e começar a pensar em Amsterdam..... Mas não foi assim. Mesmo sabendo da proximidade entre as corrida não consegui me animar com a preparação. Principalmente no que dizia respeito aos treinos mais longos. Esses treinos com quilometragem em geral entre 12 e 18 km, foram raros, e mesmo assim, não passaram dos 14 kms.

            Mas mesmo assim, cheguei em Amsterdam. O fato de correr em uma cidade nova, com temperatura agradavel ( na casa dos 10 graus) ajudava. Mas eu não tinha treinado muito. E tinha conciencia disso. Tanto que não tracei nenhuma meta desafiante: 1h 45min estava de bom tamanho. Isso significava uma média de 5 min/km. Não chega a ser fácil (porque senão também não tem graça) não chega a ser difícil.

            A meia maratona de Amsterdam acontece no mesmo dia da maratona. Entretanto, a largada da maratona é as 9 da manhã, e a da meia ocorre apenas as 13:30. Não é um horário que eu (nem a maior parte dos corredores) costume  treinar, mas com a temperatura  por volta dos 5 graus as 9 da manhã, acho que largar a tarde foi uma vantagem pois a temperatura na casa dos 10 graus é  ideal para correr.

            A meia maratona de Amsterdam é bela. Belas paisagens, bastante gente na rua incentivando, um monte de pontos com músicas que iam do reggae a música eletronica, e principalmente, um percurso em downhill. A prova é pensada para desgastar o mínimo os corredores. Então o percurso deve ter uns 15 trechos de “ladeira abaixo”,contra 2 subidas. É verdade que nehuma ladeira chega a ser ingreme, apenas o suficiente para deixar de ser plana.

            Porém, isso não foi uma grande vantagem. Digo isto, porque normalmente corro no plano (ultimamente entao só na esteira, que mais plana impossível.) Então com esses downhill, que exigem força de uma musculatura diferente, associados com a minha falta de treinos (principalmente os longos) começaram a pesar a partir do km 15.

Comecei a sentir uma dor na coxa direita. Virei o corpo para a esquerda para compensar essa dor. O resultado foi 3 km depois o início de uma dor na perna esquerda.
A partir deste momento, passei a correr com a experiência (sabia que algum dia ia passar a contar concientemente com essa “bagagem”já percorrida). Faltavam apenas 3 km. Era só concentrar. Mantive o ritmo no primeiro km. No Segundo acelerei. Sabia que quanto mais perto chegasse do fim, encontraria mais animação na rua e ficaria mais estimulado de chegar logo. Além disso, por incrível que pareça, nesses momentos (pelo menos para mim) é melhor aumentar o ritmo do que diminuir. A única questão é realmente saber dosar essa aceleração para não faltar gás no final.


Agora só falta um. Esse sempre é o melhor momento das corridas, principalmente as difíceis. Você chega nesse ponto tão motivado e tão certo da chegada, que você acelera mais ainda. No caso de Amsterdam, isso se torna mais evidente, devido a chegada ser dentro do estádio olímpico. Os últimos 250m são feitos na pista de atletismo, como na maratona olimpica.

Cruzei a linha de chegada com 1h 41min e 25, bem abaixo dos 1h 45 almejados.Quando paro sinto dores nas pernas. Tudo bem, vou passar 3 dias mancando e andando todo torto mas no quarto dia ja melhora e ja volto a treinar.
Considerando o que eu tinha treinado e os meus objetivos, a corrida foi ótima. Mas se considerar toda a “facilidade”do percurso, apoio e temperatura, fica a certeza que se eu tivesse treinado um pouco mais, poderia ter corrido até com objetivo de recorde pessoal.
A corrida é assim: Você até pode se aproveitar da sua experiência em alguns momentos, mas para obter resultado melhores tem que treinar. E treina duro. E é isso que faz a corrida ser tão divertida.

       Golden 4 Asics - RJ


Aconteceu por acaso. Uma semana de férias e sem saber para que destino ir. No meio da indecisão, apareceu o Rio de Janeiro, afinal de contas, nada mais fácil do que ir para casa. Entrei na internet para ver se teria alguma "provinha" para participar no Rio. Encontrei a tão falada Golden Four.
Para quem não é corredor, vou explicar: A Asics apareceu com uma proposta nova: corrida de performance. A idéia era criar uma corrida com todos os atrativos para que os participantes batessem seus recordes pessoais.E para isso, procuraram o circuito mais plano possível, a largada as 7 da manhã e postos de hidratação a cada 3 km.


A ideia era largar de São Conrado e chegar no  Recreio. Ficou só na ideia. A CET RIO, empresa (i)responsável pelo tráfego no Rio de Janeiro autorizou. Três dias antes da corrida, desautorizou. Alegou que os pedestres teriam que correr no mesmo sentido dos carros.(???). Não entendi a justificativa, mas entendi o que isso significava na prática.


Saindo de São Conrado, o elevado do Joá seria "lomba abaixo" nos primeiros km. Com a mudança o elevado ficou "lomba acima" no km 17. Escutei e li muitas reclamações, mas a minha opinião é a seguinte: foi errado? Claro que que foi. Vale a pena reclamar? Não!! Corredor gosta de correr, então aproveita o lado positivo da mudança, como por exemplo ter a sombra do túnel do túnel no km 18, para de choramingar e vai lá correr!!


Foi neste espírito que cheguei no domingo de manhã no Recreio uns 20 minutos antes das 7. A largada aconteceu no horário e o dia estava perfeito: Um belo sol já nascera no horizonte, mas a temperatura ainda estava amena, na casa dos 17 graus. essa prova também marcou minha primeira prova com GPS.

Pode até parecer besteira, mas correr com o GPS faz muita diferença, principalmente em provas. A tendência normal é se soltar um pouco mais no inicio, pois você está ultrapassando um monte de corredores, a temperatura está boa, o seu desgaste é zero. Mas essa acelerada inicial normalmente tem um preço ( as vezes caro) lá na frente. Com o GPS, iniciei a prova no ritmo normal ( 4:45min/km), já no segundo km, por pura empolgação já estava muito rápido (4:25min/km). Segurei o ritmo e fui aumentado gradativamente.


Passei 10 km com o tempo de 45:54, tempo muito muito, e mais importante estava inteiro. Tão inteiro que acelerei o passo entre os km 11 e 13, para o ritmo de 4:25min/km. Depois disso, mantive um bom ritmo, até chegar a subida do Joá. Neste momento, o que mais atrapalhou, não foi a subida em si, mas a quebra de ritmo. Mas no km seguinte o ritmo já estava reestabelecido e acelerando outra vez.


E foi assim acelerando ( fiz a corrida com split negativo -- Segunda metade mais rápida que a primeira e o km que corri mais rápido foi justamente o último) que cheguei em São Conrado. Cruzei a linha de chegada em 1:37:17.



Fiquei feliz com meu desempenho, pois como disse no início, corri esta prova por acaso. Mas ficou um gostinho de que poderia ter sido melhor. Pelas condições que eu cheguei (bem, muito bem) e pelo meu estado geral durante a prova, sei que poderia ter acelerado mais em algum momento, e com isso ter feito uma prova abaixo de 1:35 ou mesmo buscado meu PR (1:33:33 Atlantic City 2008). Mas realmente não estava pensando nisto, estava pensando apenas em completar e me divertir. Imagine só quando eu resolver entrar em outra prova à sério.....

Meia Maratona do Qatar  - 


Aconteceu meio que por acaso. Vi uma propaganda no jornal: Qatar International Marathon, patrocinada pela Qtel, companhia telefônica local. Sem muitas outras informações. Entrei no site da Qtel e nada. Comecei uma pesquisa na internet e acabei encontrando um forúm de discussão de corredores do Doha falando sobre a maratona.


Na verdade não era uma maratona. Apesar do nome, a prova teria 2 distâncias disponíveis: 10 km e meia maratona. Vi a data da prova e fui checar minha escala: Só teria um voo naquela noite, mas estaria durante o dia em casa. Perfeito. Vou correr!!! A dúvida agora era que distância escolher? Essa dúvida martelou minha cabeça por uns dias.


2012 foi um ano em que não participei de enhuma prova de corrida. Além disso no final de agosto tive uma lesão que praticamente me deixou sem correr em setembro e depois, mesmo tendo voltado a correr continuei sentindo um desconforto e fiz poucos treinos acima de 10 km.  Dentro deste cenário, os 10 km seriam o mais lógico de se correr. 

Mas nem sempre a corrida tem lógica. A meia maratona era mais desafiadora. O fato de ter treinado pouco só aumentava o desafio. Além disso era a primeira meia maratona no país. A emoção venceu a razão e me inscrevi para a meia maratona.


Cheguei no corniche ( calçadão que beira a peninsula) por volta das 6 da manhã. A prova estava marcada para as 7, mas ainda tinha que pegar o número, o chip e terminar de acordar. Um pequeno número de corredores ( comparado com provas no Brasil ou no exterior) se encontrava por ali. Muitas figuras "estranhas" a corrida também estavam ali: Uns usavam camisa e calça social, outros estavam de sandálias. Nenhum tinha perfil de corredor.


E nesse clima informal, nem parecendo que era uma corrida, foi dada a largada as 7 da manhã. O percurso eram 2 voltas de 10 km no corniche. Corria-se 5 km, fazia-se o retorno e mais 5 km,.Quem estava nos 10 km acabava e quem estava na meia maratona seguia para outra volta. Esse tipo de prova é um pouco tedioso no meu ponto de vista. Mas era o que se tinha.


A corrida me lembrou a época que comecei a correr, antes da corrida virar moda. Época em que as corridas eram muito menores, mais simples e mais divertidas. A primeira diferença é o espaço. Após correr 200 ou 300 metros você já pode colocar o seu ritmo. Como são poucos corredores, não fica aquela briga por espaço. Depois os pontos de água. 2 pontos apenas. E apenas com água. Nada de isotonicos, frutas blablabla. Água e pronto.


Nessa "volta ao passado", tinha traçado minha estratégia: Correr no ritmo constante até aonde eu conseguisse, e depois alternar caminhada com corrida o resto do tempo. Quando digo caminhada estou falando de uma caminhada de no máximo 30 segundos, apenas para recuperar o ritmo e a concentração. Isso porque depois lesão não consegui voltar para o mesmo ritmo de corrida que tinha antes. Assim quando começo a sentir esse desconforto na perna caminho um pouco e depois volto a correr.


Consegui correr constante até o km 7, mais ou menos o que eu tinha imaginado que daria para fazer.Depois disso caminhei basicamente 15 segundos a cada km. A passagem pelo km 10, como já era esperado, é um pouco decepcionante: Você vê a linha de chegada, os corredores de 10km estão terminando e você vai ter que correr tudo de novo. Esse é um dos piores problemas dessas corridas em "circuito".


Passado o km 10, continuei no meu ritmo. A temperatura estava em torno de 20 graus e isso ajudava. Não tinha muita gente assistindo até por não terem o hábito de ter nenhum evento desses na cidade. Vez ou outra aparecia alguem incentivando.


E nesse ritmo inconstante completei a prova em 1:43:20. Um dos maiores pecados da organização foi que, acordo com meu GPS, a prova teve 20,7 km, e não os 21,1 Km da meia, ou seja, faltaram 400 metros. Acrescentando esses 400 metros, o meu tempo ficaria em torno de 1:45, o que são 5min/km. Não é ruim considerando a irregularidade e as caminhadas.


Na média, para uma prova inicial, em um país sem cultura de corrida, foi bom. Claro que tem muito o que melhorar, mas isso com o tempo e com a experiência vai acontecer. Para mim o mais importante foi a iniciativa de se começar a pensar em corridas e pessoalmente a volta a correr uma prova, especialmente uma meia maratona.


      Meia Maratona de Paris


O dia amanheceu com sol, diferente dos 2 últimos dias.Apesar da temperatura continuar por volta dos 2 graus, e a sensação térmica de zero, o fato de ter sol ajudava o lado psicológico. E foi assim, nessa bela manhã fria e ensolarada que vesti meus tênis, coloquei o GPS e parti para disputar mais uma meia maratona , desta vez  a de Paris.

A largada era em uma região chamada Bois de Vincennes, um parque  que fica a leste de Paris. O lugar é enorme, e realmente precisava ser.  Eram 40.000 inscritos. Número que normalmente só se vê  nas grandes maratonas do mundo – mas dificilmente em meias maratonas.

A corrida começa por dentro deste parque de Bois de Vincennes. Nos 2 primeiros km é um pouco difícil de manter o ritmo porque apesar da organização impecável, as estradas são estreitas para tanta gente. Por volta do km 5, ainda neste complexo de Bois de Vincennes, começam a aparecer os primeiros vilarejos e consequentemente os primeiros torcedores.

No km 7, estava correndo em um ritmo bem forte, o que é bom. O problema é que você começa a pensar que pode manter esse ritmo por alguns km mas talvez tenhar que pagar o preço lá na frente. Melhor ser conservativo e buscar um ritmo mais lento, porém mais constante.  E essa adaptação de ritmo se torna relativamente fácil depois de participar de tantas corridas.

Logo após o km 10 vem a praça da bastilha, dali se corre por uma rua em direção ao rio Sena e nos próximos 2 km se corre com Sena á esquerda. Impossível ficar cansado, até porque nesta parte do percurso é realmente impressionante  a quantidade de gente que está na rua assistindo, torcendo ou incentivando.

Por volta do km 13 começa a volta para o parque aonde tudo começou. Outra passagem pela Bastilha e nessa bricadeira 15 km já ficaram para trás. A seguir vem a parte mais complicada da prova: Uma subida que não é muito íngrime, porém tem quase 2 km. Não seria grandes coisa, se ela não comecasse depois de ter percorrido mais de 17 km.

Pouco antes de acabar essa  subida, já estou de volta ao parque de Bois de Vincennes. Agora faltam menos de 2 km.E agora é em descida. Acelero tudo que ainda tem para tentar recuperar um pouco do que foi perdido na subida. Completo a prova com tempo –oficial—de 1 hora 41 minutos e 25 segundos.

Não foi a prova mais rápida que eu já fiz, mas com certeza foi uma das mais fáceis. A temperatura, o visual, e até – porque não – a experiência, fizeram com que a meia maratona de Paris se tornasse uma das mais divertidas que eu já completei.


No dia seguinte a meia maratona fui para Munique para fazer uma rehidratação de cerveja. Afinal de contas nem só de corridas vive um corredor.  Até a próxima e prost!!


Meia Maratona do Sol da Meia Noite

Tromso. Já ouviu falar? É uma ilha que fica na Noruega, 1200km ao norte da capital Oslo. Tem uma população de 65.000 habitantes e fica 350 km ao norte do círculo polar ártico, portanto é literalmente no fim do mundo. Mas porque eu estou contando isto? Teria eu me tornado guia turístico? Ou estou fazendo propaganda de algum programa no national geographic? Nada disso. Esse é apenas o cenário da minha mais recente meia maratona.

A latitude é norte 70. Isso é tão ao norte, que a incidência de sol varia bruscamente durante o ano. No inverno, a luz do sol não dá as caras por 2 meses ( entre novembro e janeiro), tornando-se um dos melhores lugares do mundo para se observar a aurora boreal. Para compensar, no verão durante 2 meses ( entre junho e agosto) o sol não se põe. Os noruegueses aproveitaram a adversidade climática e criaram o marketing - Midnight Sun Marathon - Maratona do sol da meia noite.

A corrida larga das 10:30........da noite. O horário é estranho, mas faz sentido. Como a maior parte dos corredores leva mais de uma hora e meia para para percorrer os 21 km, largando neste horário vai se chegar por volta da meia noite ou depois.

A meia maratona é a prova com maior número de participantes ( Tem também a maratona, uma prova de 10 km e uma mini maratona de 4 km), mas mesmo assim é bem pequena comparada as outras provas que costumo correr. O percurso é bem simples: Como a cidade é pequena, sai em direção ao aeroporto, que é do outro lado da cidade e depois volta para cidade.

A largada acontece com tempo nublado e temperatura de 13 C. Para os noruegueses e escandinavos, a julgar pela roupa que vestiam, um calor infernal. Para mim, o clima ideal para correr.

Com 2 km de prova, por ironia, começa a chover na maratona do sol da meia noite. Era uma chuva fina e constante que não atrapalhava nada, na verdade era até boa para refrescar. Eu tinha imaginado que depois de 2 ou 3 km, quando saíssemos do perímetro urbano, não haveria ninguém nas ruas e seria uma corrida muito solitária. Porém, para minha surpresa, havia várias casas com muitas pessoas reunidas e torcendo, além de pequenos grupos com 10 a 15 pessoas na rua a cada 800 metros. Pode parecer pouco, mas se considerar que é sábado, são 11 horas da "noite" e está chovendo, acho que era uma multidão.

Vou bem tranquilo até o km 8. Lá aparece uma fisgada na coxa direita que já tinha aparecido em um treino a uns 10 dias atrás. O folêgo está sobrando, a perna está faltando. Resolvo ser conservador e reduzo um pouco o ritmo, para poupar um pouco as pernas. Vou no meu ritmo reduzido, pensando em completar um km de cada vez. A chuva aperta um pouco e o incomodo na perna aos poucos vai passando e eu vou lentamente voltando para o meu ritmo.

Quando faltam 5 km, a dor já não incomoda mais. Olho para o relógio. Faço umas contas e percebo que é díficil, porém possível buscar o tempo de 1:40. Para isso, preciso tirar praticamente 2 minutos, o que significa correr 25 segundos mais rápido por km. O problema maior dessas aceleradas é saber se vai ter gás para chegar no final. Decido por um aumento gradual de velocidade, assim fica mais fácil controlar o ritmo apesar de ter que acelerar mais ainda no final. Acelero para queimar os 2 minutos.

Quando faltam 2 km para o final, a chuva para. E eu continuo acelerando. O último km é uma grande festa, com muita gente na rua, um bom estímulo para um sprint final. Cruzo a linha de chegada depois da meia noite....e com sol. Mas e o tempo? Consegui vencer os 2 minutos?

Venho tão concentrado no final, que esqueço de parar o cronômetro e só lembro quando estou já estou fazendo alongamento e ele já marca 1 hora e 46. Só resta aguardar o resultado oficial da prova que sai na manhã seguinte.

No dia seguinte, vou na internet e lá estão os resultados. Coloco o meu nome e faço um search. Aparece o meu tempo - 1:40:07. Por 7 segundos ( na verdade 8) não consegui fazer o sub 1:40,(muito longe – ainda- do meu recorde pessoal de 1:33:34 em Atlantic City em 2008) . Eu até poderia ficar chateado por ter corrido tanto e ter faltado tão pouco. Mas para mim isso é combustível. É o que nos faz continuar correndo. É o estímulo para treinar mais, e voltar a ser competitivo.

Tromso com certeza entra para o hall das provas mais exóticas que já corri. Não foi a maior prova mas com certeza uma das mais alegres e diferente . Volto para Oslo com a sensação de mais uma conquista atingida e principalmente a vontade de continuar correndo. Mais rápido e competitivo.
 Keep running e até a próxima, em qualquer parte de mundo


10 Miles Chicago - Perfect 10


Aconteceu por acaso. Um voo para Chicago com alguns dias inativos por lá. Como estaria lá em um sábado, resolvi procurar alguma corrida na internet neste dia. Procurei e achei. Lá estava a Perfect 10, uma corrida aonde poderia se optar entre 10 KM ou 10 Milhas (16 KM). Me decidi pelas 10 Milhas e fiz minha inscrição na mesma hora.

Os dias anteriores em Chicago me deixaram um pouco preocupado. O termometro durante o dia marcava de  3 à 8 graus.E com o vento típico de Chicago. O problema é que as 7 da manhã ( horário da largada) estava fazendo em média -1 C. Me preparei para sentir frio já que a roupa de corrida que eu tinha levado era apenas um short e uma camisa de manga comprida. Porém, para minha sorte, no dia da corrida amanheceu com um belo sol e temperatura de 5 graus. E sem vento. Tudo perfeito para a corrida.

A largada era no Navy Pier, um belo pier na beira do lago Michigan. As 7 horas da manhã os corredores dos 10 km, começaram a correr. Alguns minutos depois, foi a vez das 10 milhas, aonde eu me incluia. Tinha traçado como meta completar a prova em 1 hora e 10 minutos o que seria um rápido pace de 4:22 min/km.

Larguei forte, numa mistura de vontade de correr o mais rápido possível e também uma tentativa de reduzir o frio. Completei o primeiro km em 4:07 min/km, bem mais rápido do que o previsto. Continuei correndo forte e entrei no belo Grand Park, um parque que vai margeando o lago Michigan. Depois de correr 3 km fortes, a temperatura começou a ficar confortável. 

Com o conforto da temperatura, voltei a correr no ritmo pretendido. Era um ritmo forte, mas absolutamente  possível de se manter. Entre o km 5 e 6 comecei a encontrar bastantes corredores que estavam na prova de 10 km, porém correndo com uma velocidade mais baixa. Como nessa parte do percurso corriamos por uma ciclovia, perdi um pouco do ritmo, pois era difícil achar um espaço para passar. Mas tudo bem, isso faz parte da corrida.

No quilometro seguinte era exatamente onde se separava os km das milhas. Os corredores dos 10 km iniciavam a sua volta para o pier, enquanto o pessoal das 10 milhas continuava pelo parque. Mantive o foco e voltei para o ritmo. Esse é um momento difícil, pois você começa a sentir o cansaço devido ao ritmo forte, porém está apenas na metade da prova. A melhor forma que eu conheço para vencer  essa fase é a concentração.

E mantendo a concentração, passei pelo km 10. Após completar esse km, reduzi um pouco o ritmo pois estava mais rápido do que eu tinha previsto, porém  sentia que não seria possível manter esse ritmo até o fim. Na verdade eu estava pagando o preço por ter começado correndo forte demais. Corri o km seguinte uns 10 segundos mais lento do que o previsto e depois fiz força para voltar ao ritmo.

Eu tinha um  objetivo de tempo de 1 hora e 10 minutos. Por esse motivo , a prova começou para mim no km 12. Até aqui eu tinha feito força, me mantive concentrado e estava dentro do tempo previsto. Nessa etapa da prova você está cansado, porém sabe que ainda tem gás para completar dentro do tempo previsto. Daqui até o fim o que conta é administração do tempo. Se correr rápido demais vai faltar perna no fim. Se reduzir muito não vai conseguir atingir o objetivo de tempo. Como completar essa equação? Claro que existem várias maneiras, mas optei por uma variação de ritmo. Eram apenas 4 Km. Corri um km rápido. O seguinte, mais rápido ainda. Então reduzi um pouco o ritmo e no último, como sempre, usei tudo de força que ainda restava. No final consegui cruzar a chegada com 1:09:27, exatos 33 segundos mais rápidos que o previsto.
Foi uma prova dura principalmente porque depois de muito tempo correndo sem um objetivo específico de tempo, voltei a correr com um. É necessário mais concentração, mais técnica e uma atenção especial ao ritmo da prova. Continuo achando que correr “naturalmente” sem pressão de tempo e sem  objetivo a cumprir é mais divertido. Porém ter uma meta eventualmente é bom, pois faz você  você treinar mais e a busca pela performance faz você buscar o seu limite.  A corrida fez jus ao nome – Chicago Perfect 10 -  Uma prova com um percurso bom, uma temperatura perfeita e mais importante de tudo: uma corrida onde consegui atingir meu objetivo e superar o meu limite.


10 KM Doha College

Solidariedade. Talvez tenha sido esse o principal estímulo a participar desta corrida. Pense bem: O Qatar é um país sem tradição esportiva, aonde faz um calor que impossibilita qualquer atividades outdoor durante quase 8 meses no ano. Uma meia dúzia de gringos chega aqui e mesmo com toda a dificuldade da língua ( para conseguir a autorização para criar um evento desses) e da cultura, resolve criar eventos como uma por exemplo essa corrida de 10 KM. Qual o mínimo que eu posso fazer? Participar. É uma forma de prestigiar quem está tentando inserir o esporte por aqui. Pelo menos é assim que eu penso.

Fazia muito tempo que não participava de uma corrida de 10 KM. Nem lembro quando foi a última. 10 KM é uma distância que tem que se correr muito forte o tempo todo. Se você começa devagar, não consegue recuperar o tempo perdido. Por isso que eu não gosto tanto. Sou um corredor progressivo; começo em um ritmo mais lento e vou acelerando um pouco a cada km. Por isso gosto tanto da meia maratona, pois você tem a possibilidade de determinar o ritmo ao longo da corrida. A maratona já envolve outro tipo de treinamento e dedicação.

A corrida estava marcada para as 7 da manhã. O bom de correr no Qatar é que como as provas são pequenas, você chega meia hora antes, é facil de estacionar, vai pegar o seu número na hora, tudo com muita tranquilidade. O local da corrida é a Aspire, um big complexo  esportivo, com vários campos de futebol, piscinas e até hotel para atletas de vários países que fazem pré temporadas por aqui. Ao redor deste complexo tem uma pista de caminhada com aproximadamente 5 Km.  A corrida são 2 voltas nesta pista.

A largada acontece e saio em velocidade máxima. Meu plano é simples( e maluco): Correr na velocidade máxima pelo máximo de tempo que eu aguentar. Fazer um tempo abaixo de 40 minutos é um sonho, mas da forma que eu venho treinando sei que meu condicionamento está bom, mas ainda vai faltar um pouco para chegar nesta marca. Então o que me interessa é saber por quanto tempo eu posso manter esse ritmo forte e qual será meu tempo nos 10 KM.

Passo o primeiro km em 3:59 min/km. Esse é o ritmo. É forte. Mas, por enquanto , dá para manter. Sigo forte e rodando como um relógio. Até o km 6, mantenho o ritmo de 4:00 min/km. Mas então o cansaço aparece. Reduzo um pouco a velocidade, tomo um pouco de água,tento voltar para o ritmo. Assim como aconteceu em Chicago, concentração é a palavra. Apesar de toda a exaustão, completo o  km 7 em 4:18min/km, apenas 18 segundos mais lento, porém ainda em um ritmo extremamente forte. Encaixo um ritmo de 4:10 min/km e mantenho esse ritmo pelos últimos 3 km da prova. 
Termino com o tempo de 41:06.

Foi uma prova excelente, principalmente para quem queria apenas prestigiar um evento. Consegui determinar que é possível manter o ritmo extremamente forte ( pelo menos para mim) por 6 Km, e mesmo nos KM de “recuperação”é possível continuar correndo forte. De quebra ainda bati meu recorde pessoal  nos 10 KM. É verdade que fiquei um pouco mais de um minuto de me tornar um sub 40 ( Longo minuto), mas não fiquei decepcionado. Muito pelo contrário. Essa prova serviu para mostrar que estou no caminho certo para atingir esta marca e que mantendo o treinamento é questão de tempo para atingir tal meta.

Meia Maratona RAK 

Ras Al Khaimah.Ou RAK para os íntimos. Um dos sete emirados arabés  ( os outros 6 são: Abu Dhabi, Ajman, Sharjah, Fujairah, Umm al- Qaimain e claro, Dubai). Fica a 90 km de Dubai e faz fronteira com o Omã. Chega de geografia, vamos para a corrida.

RAK tem uma das melhores meia maratonas do mundo. Isso porque com um percurso extremamente plano, aproveitando a excelente temperatura do ínicio de ano, a organização aproveita os petro dolares para pagar altas premiações  e atrair a elite de corredores. E junto com a elite atrai outra gama enorme de corredores.

E lá estava eu, mais uma vez posicionado para largar. Meu objetivo desta vez é bem simples, porém não fácil: Fazer o meu PB (Personal Best).Correr mais rápido do que eu já corri nestes últimos 10 anos. Só isso.O tempo a ser batido: 1:33:33, obtido em Atlantic City. Pode parecer um plano ambicioso. E é. Mas eu venho treinando forte, e tenho um plano para isto. Na corrida tem fases em que apenas corremos pelo simples prazer de correr, entretanto existem outras fases em que melhorar a performance é o foco. É nessa fase que estou agora.

7 da manhã, temperature de 15 C. Os especialistas diriam que a temperature está apenas um pouco acima da ideal, que seria de 10 C. Mas na minha opinião, 15 C é a temperatura ideal, então está tudo perfeito.  Ocorre um atraso de 15 minutos na largada devido ao fechamento das ruas, que ainda não estava completo. Esse atraso é ruim por 2 motivos: Primeiro porque você já está psicologicamente preparado para começar a correr e com o atraso não se sabe quanto tempo vai ter que esperar. Depois porque o aquecimento que foi feito é perdido, pois o corpo já está frio depois de 15 minutos. Mas faz parte do jogo, então esquece isso e vamos jogar.(ou melhor correr)

Por volta das 7:15, acontece a largada. Meu plano inicial é dividir aprova em 3 partes. Correr os primeiros 2/3 da prova em um pace (ritmo) de 4:30 min/km. O que significa passer o km 14 em 1 hora e 3 minutos. É possível, já fiz isso antes durante os treinos. No último terço da prova a ideia é acelerar para um pace de 4:20 min/km ( 7km em 30:20) e completar a prova com um tempo perto de 1:33:20 ( o que seria 13 segundos mais rápido do que o meu recorde, lembra: 1:33:33) Não é fácil. Mas é um plano.

Começo correndo forte. Todo início de prova é assim; uma largada forte tentando colocar logo o ritmo certo. Passo o primeiro km e o GPS avisa: ritmo de 4:17 min/km. É mais rápido do que o previsto, mas é apenas o primeiro km. Continuo correndo tentando acertar o ritmo, mas passo o segundo km com um ritmo de 4:23 min/km, novamente mais rápido do que o previsto. Acende a luz de alerta. Correr mais rápido é bom, mas o problema é não saber quanto fôlego e pernas vai sobrar ( ou faltar!) para o final.

Resolvo então mudar a estratégia: Já que estou rápido (e bem), vou tentar manter esse ritmo nos primeiros 7km (1/3) depois reduzo um pouco no segundo terço e volto a acelerar no final. Beleza ,plano refeito vamos lá. Mas não é tão simples assim; no km 3 começo a sentir um desconforto na pantirrilha esquerda. Para mim isso é normal quando se começa a correr muito forte e o corpo não tem tempo suficiente para se adaptar. Por outro lado, sei que depois de um ou dois km isso passa. É exatamente o que acontece,por volta do km 5 a panturrilha esquerda está nova. Porém o desconforto aparece agora na panturrilha direita. Dou uma risada da situação. Pelo menos  essa dor não apareceu nas duas pernas ao mesmo tempo.  Passo o km 7 mantendo  o ritmo de 4:20min/km e sei que agora posso reduzir um pouco o ritmo.

Mas reduzir porque? O desconforto nas pernas já passou, estou correndo num ritmo mais forte do que o previsto e me sentindo absolutamente confortável. Resolvo aproveitar o momento. Vou correndo  rápido e mal sinto os km passarem. No km 13 percebo que o fôlego esta ótimo, mas sinto um pouco a coxa direita, faço uma anotação mental: treinar mais musculação.

Depois do km 16 a corrida entra numa fase mais psicológica. Isso porque é difícil manter a concentração depois  de 1:10 correndo forte. Pelos cálculos que faço de cabeça, posso reduzir um pouco que ainda assim consigo bater meu recorde. Mas faço uma análise da parte aeróbica: o folego ainda tá bom. Analiso então a parte muscular: As pernas não estao fadigadas. Então faço força para vencer o psicológico e continuar correndo forte. É bem verdade que cada km aqui parece ter uma milha (1,6 km) e  estou fazendo mais força do que antes para manter a mesma velocidade. Mas ainda assim estou me divertindo com essa brincadeira de buscar o limite.

Quando passo o km 20, vejo que se fizer o último km ( na verdade 1,1 km) em  5:40 consigo bater meu recorde. Venho mantendo a média durante toda a corrida de 4:21 min/km, e estou bem. Esta fácil de bater o recorde. Mas tem que correr um km ainda. Me concentro e acelero tudo o que dá. Faltando 500m, vejo a linha de chegada e acelero ainda mais. Completo o último km em impressionantes (pelo menos para mim) 3:44 min/km. E a prova  em  1:31:35. Meu novo recorde pessoal.

Foi uma prova boa e bem organizada, onde o percurso e a temperature ajudaram bastante. Fiz um plano inicial e tive que adaptar o plano ao longo da corrida ( Parecia aqueles GPS do carro que quando a gente não segue a rua que ele manda fica falando: recalculando, recalculando). Mas no final acabei conseguindo baixar meu tempo em quase 2 minutos. A RAK se auto entitula como a  “the fastest half marathon in the world”. ( A mais rápida meia maratona do mundo). Eu concordo com eles, porém faço uma pequena adaptação no slogan: the fastest half marathon in MY world. ( a mais rápida meia maratona no MEU mundo). Abraço a todos e até a próxima. 

Meia Maratona de Budapeste

90 minutos. Esse número não sai da minha cabeça.Vencer os 21 km em 5400 segundos, ou se preferir num ritmo de 4:17 min/km. Essa era a minha pretensão de tempo para a meia maratona. Não entende o que isso quer dizer? Isso quer dizer ser rápido, muito rápido. Para se ter uma ideia , em 2013 nos EUA apenas 4% dos corredores terminaram uma meia maratona abaixo de 1 hora e 30 minutos. E olha que os americanos tem fama fama de ter bons corredores. Continua sem entender o tamanho da encrenca? Então imagina subir em uma esteira e se manter por 90 minutos com velocidade de 14 Km/h.  É "só"isso.

O local escolhido desta vez foi Budapeste. Começo de primavera, a temperatura está perfeita para correr. Por volta dos 5 graus de manhã cedo, chegando aos 10 C as 9:30 ( horário da largada) e 15 C em torno do meio dia.

Agora, aula de geografia. Budapeste são 2 cidades: Buda e Peste. Buda fica na costa oeste e Peste na costa leste. Entre as cidades passa o rio Danúbio. Ao norte existe uma ilha entre as 2 cidades, que se chama Margareth Island. O percurso da prova começa na Margareth Island, cruzando o belo parque que tem nesta ilha. Atravessa a ponte Margid Hid, em direção a Buda. Então continua na direção sul, na margem do rio Danúbio. Por volta do km 10, cruza a ponte Szabadság Hid e inicia a volta, também margeando o Danúbio, mas desta vez pela margem de Peste. Nos 2 Km finais volta a entrar na Margareth Island e termina no mesmo local que começou.

Me posiciono bem a frente para largada. Minha ideia, baseada na minha última meia maratona ( RAK em fevereiro de 2014 - com recorde!!) é manter um ritmo constante a prova inteira. Começo a prova correndo com corredores mais rápidos do que eu, e por isso completo os 2 primeiros km em um ritmo bem mais rápido do que o pretendido ( algo como 4 min/km). Sei que eu não posso manter um ritmo tão forte, então tenho que entrar no meu ritmo o quanto antes.

Nos km seguintes consigo encaixar bem o meu ritmo. Sei que passo por umas bandas de música. também sei que a paisagem em volta é charmosa, com várias construções belíssimas. Mas não estou prestando muita atenção nisto. Um dos problemas ( talvez o maior deles, na minha opinião) de correr no seu limite é que você tem que se concentrar em você e acaba perdendo o que está na sua volta. É algo mais ou menos assim: asfalto-asfalto- uma olhada no relógio para ver como está o ritmo - asfalto- asfalto - a postura está correta? - asfalto- asfalto - e a respiração está alta?- asfalto-asfalto- e agora como está o ritmo?

E desta forma passo o primeiro terço (7 KM) da prova. Meu ritmo está constante, mas a prova é dura, pois apesar do terreno ser aparentemente plano existem aclives e declives, que são leves ( pouca inclinação) porém longos.Esse tipo de terreno dificulta a manutenção do ritmo. Começo a sentir uma dormência no pé esquerdo. Absolutamente normal, já que estou correndo numa velocidade levemente desconfortável. Isso já aconteceu diversas vezes em treinos, então eu sei que é ruim, mas passa. Continuo focado na corrida.

Pouco antes de cruzar a ponte Szabadsag Hid para o lado de Peste, passo pela marca dos 10 km. Um bom momento para se avaliar como se está na prova: tempo : 41:54. perfeitamente dentro do previsto. Dor : nenhuma. A dormência do pé já passou ( eu sabia!!) Cansaço: Um pouco maior do que o previsto, mas ainda aceitável. Ainda estou na briga do sub 1:30. É só continuar assim que dá. ( falar é fácil, agora, vai fazer...)

No lado de Peste o terreno é mais plano, e então melhor para mim. Apesar disso, depois do km 13 sinto que estou tendo que fazer bem mais força para manter o mesmo ritmo. E ainda tem mais 8 km pela frente. Nessas horas, nada melhor do que o back to the basics - penso: Um km de cada vez. E assim vou mantendo o ritmo e os km vão ficando para trás.

Km 16. Aqui começa a corrida. E a matemática. Corri em um ritmo muito forte até aqui e tenho um lastro de 30 segundos devido aqueles 2 primeiros km em ritmo alucinante. Faltam 5 km. E as pernas começam a faltar também. Se eu reduzir  o ritmo em 10 segundos por km nos próximos 3 km e voltar ao ritmo original nos 2 últimos km, consigo atingir o objetivo de sub 1:30. Normalmente o último km é bem rápido, pois você vê a chegada, tem um monte de gente torcendo e você sabe que não precisa economizar mais nada. O grande problema aqui é reduzir demais e depois não conseguir recuperar o tempo perdido. É arriscado, mas tem que se tentar.

Tento reduzir o mínimo possível, para ficar levemente confortável. Ainda assim, o ritmo cai um pouco mais do que eu gostaria. Acelero novamente, consigo entrar no ritmo, este porém não é confortável para se manter por 3 km. E nessa briga para achar a equação ideal entre conforto e cansaço, completo o km 19.

Só faltam 2 km agora. Tinha planejado acelerar a partir daqui, mas  o km 20 é particularmente difícil, pois boa parte dele é na ponte Margit Hid, em subida, voltando para a Margareth Island. Faço força. Todo treinamento está sendo colocado à prova agora. Consigo completar o km 20 em 4:14 min/km.
Entro no último km. Aqui eu tenho certeza que vou conseguir um tempo abaixo de 1:30. Como eu tinha previsto, apesar de todo cansaço, é um km muito rápido. Além de toda a festa na chegada, você simplesmente sabe que pode dar tudo. Completo a prova em 1:29:28.

Cheguei!! E dentro do objetivo de correr abaixo de 1 hora e 30 minutos!!! Não foi fácil.Não só a prova, mas todo o treinamento para atingir essa marca. Normalmente quando corro, quero ser melhor que eu mesmo, quero me superar. E isso não significa ser necessariamente mais rápido. Me sentir melhor, mais concentrado, mais feliz. Esse é o objetivo. Mas dessa vez tinha um adversário concreto: o tempo. Vencer o relógio, correr com mais técnica, com mais precisão.

Depois de Budapeste fui para Berlin, iniciar aquela rehidratação à base de cerveja (Verdade… Isso é científico, não fui eu que inventei). Chegando lá,  lembrei da minha única maratona, no longiquo ano de 2005, o que  me fez pensar: Agora que já corri uma meia maratona abaixo de 1:30, será que não está na hora de voltar a pensar em correr maratonas?

E com essa pergunta no ar, fico por aqui . Até a próxima meia maratona ( ou será uma maratona?)
Beijos e Keep running


Meia Maratona de Munich

Munich é um dos meus lugares favoritos.Boa comida, excelente cerveja, ambiente agradável. Para quem não conhece, recomendo a visita. Gostando tanto assim da cidade, nada mais normal ( e justo) do que correr a meia maratona por lá.

Desta vez a preparação foi diferente. Ao contrário de Budapeste onde existia um objetivo de tempo, em Munich a meta era apenas me divertir e correr sem a preocupação de completar em determinado tempo.

Os dias antes da prova foram com muita cerveja, schnitzel e salsicha. Uma das grandes vantagens de não estar preocupado com performance, é justamente o fato de você poder relaxar e aproveitar mais a viagem antes das provas.

A maratona largava às 10:00 da manhã. Já a meia, que usava  a segunda metade do percurso da maratona, largava as 14:00. Não gosto muito deste horário pois além de não ser um horário normal de treino, existe a dificuldade de decidir o que comer e quando comer. Mas sendo o horário esse, então fazer o que?

Às 14:00 e com uma temperatura agradável de 17 graus foi dada a largada. A prova se inicia em uma área suburbana de Munich à oeste da cidade. O público nesta área é pequeno. Saio correndo confortavelmente , porém completo o primeiro km em 4:30 min. Penso estar correndo rápido demais. Completo o segundo km em 4:17 min.e passo a ter certeza que estou correndo rápido demais. 
Entre os km 2 e 6, o percurso passa por uma série de subidas e descidas ( na verdade bem mais descidas do que subidas). Essa variação altimétrica causa 2 problemas: Primeiro a dificuldade de manter um ritmo mais constante. Depois a tendência de acelerar nas descidas para recuperar o tempo perdido nas subidas, acaba forçando um músculo que normalmente não é exigido nos treinos em terreno plano.

Entre o km 7 e 15, é a região mais central ( e mais legal) da prova. Muita gente na rua, e os principais pontos turísticos como Museumhof, Virtualienmarkt, e a praça principal da cidade, a Marienplatz. Com o clima bom, os bares e restaurantes estão cheios e divididos: algumas pessoas olham e aplaudem; outras, entre uma cerveja e outra, assistem e  tentam entender porque tem uns malucos correndo ao invês de estarem no bar. Completo os primeiros 10 km em torno de 45 minutos. É um ritmo muito mais forte do que eu tinha imaginado.

Porém este ritmo forte somado ao desgaste inicial das pernas naquelas descidas, cobra seu preço: No km 12 tenho que caminhar um pouco para me recuperar.Na minha opinião, aqui é o ponto que separa a performance, aonde você chegou no seu limite e quer empurrar ele um pouco mais adiante e a diversão, aonde você ao se sentir desconfortável simplesmente caminha e recupera o fôlego.

A caminhada é curta, tem entre 30 e 40 segundos. É pouco tempo de recuperação e por isso, tenho que repetir essa caminhada 2 vezes nos 3 km seguintes. O último trecho da prova é a saída da cidade e um caminho quase reto até o Olympiapark. Nesta parte, apesar de ter pequenas subidas me sinto descansado e pronto para voltar a acelerar. Impressionantemente, passo a correr mais rápido do que no início da corrida. Estou me sentindo bem e como a cada km sei que estou mais próximo da chegada, sigo acelerando.

A chegada é dentro do estádio olímpico de Munich. Ao entrar no estádio, você completa a "volta olimpica" na pista de atletismo antes de cruzar o pórtico de chegada. Muito legal a ideia. Porém esta volta, que tem no total 400 metros parece ter 4 km. Completo a volta interminável e a meia maratona em 1:34:37.

Foi uma boa corrida. Retificando: foi uma excelente corrida. Aproveitei bem a viagem antes, fiz uma corrida para me diverti e meu tempo foi 5 minutos a mais do que o meu recorde pessoal. Sem considerar que andei por 2 minutos ou mais.

 Sempre busco um equilibrio entre performance e diversão, às vezes focado mais em um e às vezes no outro. Desta vez posso dizer que a diversão se aliou a performance e proporcionou uma bela corrida.  Munich foi conquistada. Agora é só esperar pela próxima em algum lugar por aí.


 Meia Maratona de Barcelona 

Já fui a Barcelona algumas vezes. Cidade organizada, clima bom, comida com ampla variedade de tapas e cavas. Esses seriam motivos suficientes para se voltar a capital da Catalunia mais vezes. Porém dessa última vez havia algo além do jamon ibérico e do pulpo a galega. A meia maratona de Barcelona fazia parte do roteiro de viagem.

Vim para Barcelona com o objetivo de correr bem ( e rápido). Quando treinei para Budapeste, no ano passado, tinha o objetivo de completar abaixo de 1hora e 30 minutos.( consegui!! Completei em 1:29:29). Desta vez, treinei bastante, me considerava capaz de bater meu recorde, mas mudei o foco:passei a ver resultado como consequência e não como objetivo. Pensando desta forma, decidi olhar menos para o relógio, me divertir mais durante a prova e correr o melhor que eu pudesse independente do tempo.

A largada era na frente do pequeno, porém belo Parc de la Ciudatella. A condição climática parecia recomendação de algum livro de corrida: temperatura de 8 graus ,umidade de 70%, e o dia com sol entre nuvens. Condição ideal para correr.

A prova  teve inicio às 8:45 e comecei correndo confortavelmente. Atualmente penso que em uma meia maratona, o mais difícil são os 2 primeiros kilometros. Achar o ritmo certo. Evitar ir rápido demais para não gastar uma energia que pode fazer falta no final. Mas também não ser lento a ponto de perder um tempo que pode te tirar um recorde. Aquecer toda a musculatura e esperar o batimento cardíaco se estabilizar. Tudo isso acontece nos 2 primeiros kilometros.

Passei os 2 kilometros e nem olhei para o relógio. Lá pelo km 5 é que fui me preocupar com o tempo: vi que estava  pouco mais de um minuto além do que eu tinha previsto. Sabia que muitas razões que me levaram a perder esse tempo: muitos corredores mais lentos na frente, o que levou a uma quebra de ritmo, uma boa parte desses 5 km ter sido percorrido numa leve porém continua subida e um pequeno desconforto na canela direita, provavelmente por conta de ter corrido rápido demais antes do aquecimento total da musculatura. Também sabia que perder mais de um minuto em 5 km era muito tempo e que seria muito difícil buscar aquele recorde. Ainda assim, lembrei que o plano era correr o melhor que eu pudesse.
Pensei: " está divertido? Sim!! então tá bom". Segue a prova.

Os 5 km seguintes passavam pela Gran Via, uma das principais ruas de Barcelona. E passaram extremamente rápido ( literalmente). Passei a marca de 10 km em 43:08. Com esse tempo voltava a sonhar com o recorde. Mas tinha um longo caminho pela frente e ainda tinha um tempo a recuperar. Corri em um ritmo que eu passei a chamar carinhosamente durante os treinos de confortavelmente desconfortável. Esse ritmo me permitia correr em uma velocidade alta durante um aproximadamente 40 minutos. Fiz vários treinos deste tipo então não foi um grande mistério manter esse ritmo.

 Entre os kms 10 e 15 ocorre a parte menos interessante da corrida. Como a área central de Barcelona não é muito grande, a corrida tem que ir para os arredores de Barcelona para fazer a quilometragem necessária. Assim, nesta parte da corrida, corremos basicamente em um longo e monótono viaduto e depois percorremos a Av Diagonal indo e voltando. Mas apesar da monotonia, consigo manter praticamente o mesmo ritmo dos 5 km anteriores.
Completo os 15 km em 1:04:11. 

Analisando agora, após a prova, percebo que se mantivesse a média de ritmo dos 15 km iniciais, terminaria com o tempo um pouco acima de 1:30. Porém, durante a corrida, curiosamente não estava pensando nisso.
Passei os 15 km " sobrando máquina" e pensando em acelerar. Mas lembrei ter ainda 6 km pela frente. O mais difícil aqui é conter a empolgação de correr rápido. Resolvi dividir esses 6 últimos km em 2/2/2 e correr progressivamente mais rápido. Durante o treinamento fiz esse tipo de treino progressivo inúmeras vezes.

Os kms finais são divertidos. O percurso passa pela barceloneta e depois segue de volta ao Parc de la Ciudatella. Quanto mais se aproxima do fim mais gente na rua torcendo aparece. Me sinto extremamente bem e sigo acelerando. Não sei que ritmo corri os 2 últimos km ( não verifiquei o GPS ainda) mas sei que foram muito rápidos. A meia maratona é completada com uma bela sensação de que se tivesse mais alguns km ainda estaria fácil para correr.

 Mas e o tempo? Foi sub 1:30? Deu para quebrar o PR ( personal record)? SIM!! Terminei a meia de Barcelona em 1:29:04, 25 segundos a menos que meu recorde anterior obtido em Budapeste no ano passado. E melhor do que isso, terminei absolutamente inteiro, sem nenhum cansaço nem dor. 

Foi uma bela prova. Apesar de ter treinado bastante, não estava preocupado com o resultado; como já disse antes, resultado era consequência. Encontrei um equilíbrio perfeito entre performance e diversão. E com esse equilíbrio me despedi de Barcelona contente e com mais um recorde batido.

Até a próxima….Em algum lugar por aí. 

Meia Maratona de Hamburgo


Uns dias de folga. Uma idéia. Uma consulta na internet e pronto! Estava eu inscrito para a meia maratona de Hamburgo. Normalmente, para as corridas mais famosas precisa-se de antecedência para se inscrever. Em Hamburgo, é possível se inscrever até a véspera. E apesar de não ser considerada grande, reúne mais de 7000 corredores. Uma pausa aqui na corrida ( nem começou e já está em pausa) para falar de Hamburgo. Uma bela cidade portuária a 2 horas de carro de Berlin, é uma mistura de Alemanha e Holanda. Interessante mistura, interessante cidade.
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> Normalmente quando vou correr uma meia maratona, começo a treinar uns 2 ou 3 meses antes. Porém desta vez me inscrevi menos de 2 semanas antes da prova, o que não chega a ser um problema, já que um dos meus objetivos na corrida é treinar para sempre estar preparado para correr uma meia maratona. E o mais legal é que por não ter nenhum objetivo de tempo na prova, eu estava extremamente relaxado.
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> A largada aconteceu às 10 da manhã, em um dia nublado e temperatura de 12 graus. Tempo perfeito para correr. Como a cidade de Hamburgo não é muito grande, o percurso eram duas voltas de aproximadamente 5 km numa área chamada old town e depois seguia por um parque e ruas margeando o rio Aubenalster até a chegada na área da cidade chamada Eimsbüttel
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> Como estava tranquilo, larguei confortavelmente, buscando não me desgastar nos primeiros e mais difíceis km da corrida. Apesar disso, o percurso entre o km 3 e o km 4,5 era em descida, o que causa 2 problemas: primeiro que todo corredor, inclusive eu, quer aproveitar a descida e correr mais rápido. Só que isso gera um gasto maior de energia e musculatura. O segundo é que apesar de parecer mais fácil correr ladeira abaixo, não é. Mais fácil como diria um amigo meu é não correr. Mas se resolver correr, mais fácil é correr no tipo de terreno aonde você está treinado. No meu caso, correr no plano.
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> Essa descida acabou gerando uma rigidez na batata da perna, o que é absolutamente normal quando se corre em uma velocidade maior do que o corpo está preparado. O pior é que como eram 2 voltas nesta mesma área, passei por esta descida novamente entre o km 8 e o km 9,5. Só que desta vez, já escaldado, consegui manter um ritmo confortável e passar a descida sem problemas.
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> Entre o km 10 e o km 16, não vi o tempo passar. Observei a arquitetura da cidade, as pessoas que estavam na torcida. Olhei para umas propagandas e fiquei tentando descobrir o que estava escrito em alemão. Fiquei imaginando como seria a cidade no inverno, coberta de neve, já que era verão e faziam 12 graus. Enfim, viajei e deixei ser levado pelos km. Isto é, na minha opinião, a melhor forma de correr.
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> Lembram que eu disse estar completamente relaxado? Pois foi ver a placa do km 16 e meu cérebro entrou em modo competitivo. Funciona mais ou menos assim: Já corri 16 km de forma confortável, onde toda a minha preocupação era a paisagem. Faltam apenas 5 km para acabar a corrida e estou com fôlego e pernas sobrando. Vou continuar correndo confortavelmente? Claro que não!! Sou um corredor competitivo. E por isso não gosto de terminar uma prova com muita "potência" sobrando. Acredito que o resultado de uma prova é o melhor que você pode correr naquele dia. E para isso ser verdade, você tem que correr o seu melhor. Filosofia pura.
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> Filosofia à parte, correr esses 5 km de forma competitiva é desafiador. É uma outra corrida, onde objetivo é se concentrar na respiração, acelerar continuamente, manter o foco. É bem mais difícil mas não menos prazeroso correr assim. E por serem apenas 5 km não chega a ser desgastante do ponto de vista físico nem psicológico. E devido a velocidade e a concentração, esses kms passaram extremamente rápidos.
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> Entro na Hallestrasse acelerando e completo a prova em 1:36:18. Apesar dos últimos 5 km intensos, estou absolutamente inteiro e pronto para continuar correndo. Foram quase 2 corridas em  uma: 16 km no modo diversão e 5 km no modo competição. Foi uma prova divertida e fácil de correr.  Deixei Hamburgo extremamente satisfeito. Não apenas com o resultado mas também por ter aproveitado esses 2 lados da corrida na mesma prova.
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> Qual a próxima? Não tenho nem idéia, mas daqui a pouco descubro outra prova em algum outro lugar. Então até a próxima, em algum lugar por aí.



Columbia Gorge Half Marathon

Hood River. Já ouviu falar? Vou dar uma ajudinha: estado do Oregon, costa oeste dos EUA, ficando apenas a 100 km de Portland, capital do estado. Vocês já devem imaginar porque estou falando de uma pequena cidade de 7,5  mil habitantes próxima a costa pacífica dos EUA. 

A largada era às 9:30 da manhã. Pode parecer tarde, mas no outono em Oregon isso significa uma bela manhã com seus 8 graus. Uma prova pequena, com seus 600 ou 700 participantes, faz tudo parecer um ambiente familiar. Até porque esses corredores, em sua grande maioria, são de Portland e arredores, ou seja correm as mesmas provas e já se conhecem.

A primeira milha (1.6 km) passa pela cidade de Hood River e vai em direção à estrada. A milha seguinte é uma longa subida até chegar ao Indian Creek Park. Um detalhe interessante é que as ruas não são fechadas. Apenas alguns guardas de trânsito nos cruzamentos e a civilidade dos motoristas. 

Após 2 milhas (3,2km) entramos no parque e continuamos subindo. Essas subidas são bem desgastantes e causam um cansaço prematuro. E as subidas continuam até aproximadamente o km 5. 

A corrida é em clima de confraternização.  Outros 2 corredores mantém o mesmo ritmo que eu, e vamos conversando ao longo do percurso, como se fôssemos amigos de longa data. Uso relógio mas nem olho para ele: além do ritmo quebrado devido a subida, não estou preocupado com o tempo e sim em curtir a corrida. 

Esse Indian Creek Park é espetacular. Para quem conhece lembra as paineiras, mas com a vegetação essencialmente de maple tree (em português bordo -- aquela árvore com folhas que aparece na bandeira do Canada) e nessa época do ano as folhas amarelas e caindo fazem um cenário realmente impressionante.  Lá pelo km 7, toda a dificuldade da subida é compensada com um  visual realmente incrível. Como tenho corrido sem me preocupar com o tempo, mas sim com a diversão , essa corrida é perfeita para mim. 

Entre os km 8 e 10 vem uma descida contínua. Alguns corredores comemoram essa descida e aproveitam para acelerar. Eu não me empolgo muito pois  o percurso vai e volta pelo mesmo caminho. Portanto,  quando chegamos no km 10,5, fazemos meia volta e como era de se esperar temos 2 km de subida. 

A partir daqui, a prova é primordialmente em descida. Apesar de grande parte dos corredores abrir um sorriso quando vê uma descida, eu as acho tão desgastante quanto a subida. Na verdade, subidas e descidas não são difíceis. O difícil é correr aonde você não está treinado. Se você treina subidas e/ou descidas elas se tornam fáceis. Como meus treinos são todos planos, qualquer inclinação se torna desafio
.
Vou descendo e curtindo o visual. Como havia largado em um pelotão mais à frente, começo a cruzar com outros corredores que largaram mais tarde e ainda estão subindo. O último bloco de corredores a largar é formado por um grupo não comum nas provas - os corredores com cachorros. É um grupo de 30 ou 40 corredores, todos com seus cachorros das mais diferentes raças. Interessante.

Percorro a descida segurando o ritmo. Depois do km 18 deixo o parque para trás e volto para estrada em direção à chegada. Neste momento penso em como a corrida está fácil até aqui. Faltam apenas 3 km para acabar a prova e não tenho nenhum sinal de cansaço, nem mesmo aquele desgaste inicial da corrida parece me abalar. Tenho condições de acelerar mas opto por manter o ritmo já que este é constante e confortável.

Completo a prova em 1:35:39, com a sensação de ter saído para dar uma volta na quadra. E esse resultado é ainda mais significativo ainda quando lembro que a prova teve fortes subidas e meu tempo foi apenas 6 minutos mais lento que meu recorde pessoal.
Enfim,uma bela  prova que apesar das suas subidas tornou-se  fácil devido a fascinante beleza do percurso e ao fato de não haver muita competitividade na prova e sim uma corrida pelo puro prazer de correr. E assim termino mais uma corridinha em outro canto do mundo. Até a próxima e bons treinos.

Wings For Life 2018

Já está virando uma tradição de maio. Este é o mês que pelo quinto ano acontece a Wings for Life. Para quem não lembra ou não leu o texto do ano passado, Wings for Life é aquela corrida patrocinado pela Red Bull e que não tem linha de chegada ( Um carro parte 30 minutos depois iniciada a corrida e vai aumentando a velocidade gradativamente. Quando ele te ultrapassa, a corrida acabou para você).

A corrida acontece simultaneamente em diversos países. Ano passado tinha corrido em Munich e a ideia era correr em um outro país esse ano. Porém como demorei para decidir onde correr quando fui me inscrever a corrida já estava esgotada em todos os lugares na Europa, com exceção a Munich. Isso acontece porque alguns lugares tem uma limitação logística para agrupar tantos corredores. Como Munich o percurso atravessa grandes avenidas, acaba permitindo-se um número maior de participantes. E assim voltei a Munich!

E mesmo sendo minha terceira corrida em Munich ( Já tinha corrido a Wings ano passado e a meia maratona em 2014) é uma cidade que sempre é bom retornar. Além dos belos lugares para se visitar, ainda existem as cervejas é claro. E são tantas que cada vez que volto encontro uma cervejaria nova. Esse ano descobri a Giesinger e a Schiller Braus. Ambas muito boas e fora do “ roteiro turístico “.

Mas essa aqui não é uma história de cerveja ( ainda), mas sim de corrida. A largada aconteceu no OlimpikPark, o mesmo local do ano passado. A grande diferença estava por conta da temperatura. Enquanto em 2017 estava 11 graus e chovendo, este ano o clima era de torrar alemão : 25 graus e muito sol.

Como a corrida larga simultaneamente no mundo inteiro, o horário destinado a Alemanha era 1 da tarde. Seria um excelente horário em condições normais. Mas com a temperatura que estava não parecia tão legal assim. Mas corrida é assim mesmo: Em março estava correndo em Washington com zero graus. Corrida é adaptação às adversidades. E por isso é que é tão legal.

Minha disposição na largada era zero. Vinha do meu período pós maratona, e com isso não estava correndo nada, ou quase nada. Não gosto de participar de provas assim.O calor só me aumentava a vontade de parar no bar para beber cerveja. Em contra partida é uma corrida que não tem uma distância definida. Correr 12 KM ou 25KM vai simplesmente da sua disposição. E por isso era a prova perfeita para fazer após a maratona: Uma vez que cansasse, era só parar. Simples assim.

Assim como no ano passado, a largada é muito lenta. Muita gente que não corre mas quer participar da causa ( todo o dinheiro arrecadado vai para a pesquisa da cura da doença na medula espinhal ). As trilhas pelo belo OlimpikPark não são muito largas, o que acaba por dificultar os corredores mais rápidos ultrapassarem os mais lentos. Mas para mim está bom. Vou correndo tranquilão admirando a paisagem.

Depois de uns 2 ou 3 km por dentro do parque, a corrida entra em uma larga avenida e os corredores começam a ter mais espaço.o percurso é o mesmo do ano passado com apenas 1 diferença: Antes entrávamos no parque Fusslgraben. Agora passamos apenas tangenciando ele. Não sei ao certo, mas acho que essa mudança deve-se ao fato de no ano passado por causa da chuva, as trilhas por este parque de tornaram enlamaçada e escorregadias.

Entro no ritmo da corrida lá pelo km 7. Vou mantendo um ritmo bem constante de 5 minutos por km. O grande problema é o calor. Além da alta temperatura o percurso quase não tem sombra. Para piorar um pouco mais, os postos de hidratação que deveriam ser a cada 5 km, por algum motivo estão separamos por uma distância maior do que esta.

No km 10 já apresento uma pequena vontade de correr. Isso acontece porque calor diminui um pouco por causa da sombra, e começo a ficar contagiado pelo astral da corrida. Se fosse para dar uma nota no minha disposição, de zero a dez acho que a nota seria 5. Traço como objetivo inicial completar os 21 KM.

A corrida vai desenvolvendo bem. O ritmo mantido parece um relógio de tão preciso. O calor continua incomodando. Ainda assim, minha disposição está aumentando. Isso é outra característica muito legal da corrida: a sua disposição vai variando ( para bom e para ruim) durante todo o percurso. E você tem que administrar isso.Aquela disposição que era zero agora já está em 7,5. 

Passo o KM 21 em 1 hora e 45 minutos : exatamente 5 min/km. Sei que se conseguir manter esse ritmo vou correr até o km 27 antes do carro me pegar. As pernas começam a sentir o cansaço acumulado da maratona: Desde a maratona não fiz nenhum treino acima de 12 KM. Resolvo aceitar o desafio é tentar chegar até o km 27 antes de ser capturado pelo carro.

O legal desta corrida é que se eu “ quebrar” ( reduzir muito o ritmo que venho mantendo) e for pego no km 25, tudo bem. E sendo assim, continuo correndo, mas sem nenhum foco, pressão ou concentração. Corro apenas pelo prazer de correr, enquanto for possível e na velocidade que for possível. Neste momento o que mais pesa a meu favor é a minha disposição que nesta hora atinge o seu ápice de 10.

Vou correndo sem me preocupar muito com o relógio. Estou fazendo o melhor que posso fazer sem me estressar e me divertindo. E assim sigo pelas belas trilhas de bicicleta de Munich. Passo pela placa de 25 KM e começo a ouvir a agitação da aproximação do carro lá no fundo. Apesar disso, não acelero o pace, continuo no meu ritmo. Até poderia acelerar aqui e correr por mais 500 metros ou 1 KM. Mas opto pela diversão que é a principal característica desta corrida. Acabo sendo ultrapassado pela BMW com 27,08 KM em 2:14:20.

Foram exatamente 3 KM a menos que no ano passado. Porém tem que se considerar que este ano além de eu vir pouco treinado devido ao pós maratona, a condição climática também não ajudou em nada. Tendo isso em mente acho que foi uma excelente performance. Ainda que a performance não seja o forte desta corrida e sim a diversão. E neste quesito, a Wings for life é imbatível. Espero encontrar novamente com a Wings for Life em algum lugar pelo mundo, mesmo que seja em Munich!!


Eifel Half Marathon

Waxweiler. Wax o que? Waxweiler, vilarejo no interior da Alemanha. Tão pequeno que a população não passa de 1100 habitantes. Este lugar único e afastado é o cenário de mais uma meia maratona, a Eifel Half Marathon.

Quase desisti de correr essa prova. Tentei fazer a “ moderna” inscrição online mas a única opção era uma antiquada transferência bancária. Não consegui confirmar a transferência e assim não estava inscrito. Para completar o único hotel da cidade estava cheio e desta forma uma das melhores opções era dormir em Luxemburgo e no dia da prova dirigir uns 50 minutos até o pequeno vilarejo. E sem saber se poderia me inscrever na hora.

Cheguei em Waxweiler cedo e fui tentar fazer minha inscrição. Meu quase nulo alemão era fluente comparado ao que os locais falavam de inglês. Ainda assim, consegui me inscrever na hora para tal meia maratona. Estava eu pronto para uma das menores porém certamente a mais local das provas que já participei.

Da pequena cidade de Waxweiler pegamos um ônibus e vamos em direção ao castelo de Schloss Hamm. No início o ônibus vai subindo uma montanha. Não tinha a menor ideia do percurso, mas imagino que vamos chegar no topo da montanha e descer. Como diria meu pai - “ mole”. Mas todo meu encanto se acaba quando o ônibus começou a descer o outro lado da montanha. Não parece uma prova fácil.

Saindo do ônibus, caminhamos uns 200 metros até o medieval castelo Schloss Hamm, onde é a largada. O início é numa trilha ladeira abaixo e depois de uns 500 metros a trilha vira um caminho envolta do lago Talsperre Bitburg. A volta deste lago é fácil e tranquila. O percurso é predominantemente de terra intercalado com algumas partes de asfalto. Neste trecho consigo manter um ritmo forte devido ao terreno ser praticamente plano o que torna a volta de 6 km no lago Talsperre Bitburg extremamente agradável.

Depois de completar a volta ao lago, passo novamente em frente ao castelo e continuo por uma pequena estrada. O 2 km seguintes são nesta estrada intercalando subidas e descidas. E assim, com aproximadamente 8 km de prova, chegamos ao bosque.

O bosque é fantástico. Um cenário pouco explorado com uma pequena trilha e uma vegetação de floresta. Porém proporcional a beleza do bosque está a sua dificuldade: o chão é de terra sobre pedras, ou seja, bem irregular. Para complicar um pouco mais a chuva que deve ter caído nos dias anteriores fez a terra virar lama. Sigo correndo tentando me manter em pé pois o meu tênis de corrida no asfalto escorrega muito na lama.

Tá achando difícil? Calma que vai piorar. Até o km 12 a prova é essencialmente plana, com exceção as subidas e descidas após o castelo. Agora começam as subidas. Além de serem bastante longas, são íngremes. Adicionado a subida, tem a lama. Aqui fica impossível correr e então tenho que caminhar pela primeira vez durante a prova. Depois de uns 3 minutos caminhando tento correr ladeira acima ainda que bem lentamente.

Depois da subida vem a recompensa: a descida. Este trecho tem menos lama ainda que o terreno continue bem irregular. Acelero tentando recuperar o tempo caminhando porém logo aparece outra subida. Tento subir correndo porém a subida é muito longa ( embora menos íngreme) e volto a andar. A prova por ser em uma cidade tão pequena não atrai muitos corredores. Assim por vários trechos estou correndo sozinho, como se fosse um treino. Um treino difícil, mas ainda assim um treino. E nestas subidas e descidas chego ao km 17 e com ele o fim do bosque.

Neste ponto a prova segue por uma pequena estrada de asfalto. Imagino que sem a lama a prova vai ficar um pouco mais fácil. Olho meu relógio e faço algumas contas: se conseguir manter um bom ritmo nesses últimos 4 km vou terminar a prova abaixo de 2 horas. Traço a meta de completar abaixo de 2 horas e acelero. Menos de 400 metros acelerando e lá vem outra subida.

Corro essa subida e logicamente perco um pouco de ritmo. Ainda tenho um pouco de folga para completar em 2 horas e assim mantenho o foco. Agora estou na estrada no topo da montanha e consigo ver a pequena cidade de Waxweiler lá embaixo. Faltam 2 km. É ladeira abaixo. É asfalto. Aproveito todas as vantagens a meu favor e imponho um ritmo extremamente forte. Ultrapasso uns 2 corredores nesta descida, chego na cidade e cruzo a linha de chegada em 1:52:18. Está completada a meia maratona de Eifel - Waxweiler.

Como disse anteriormente, foi a prova mais local que já corri. Sem muita estrutura mas com uma organização decente foi uma corrida extremamente divertida. Nunca corri uma prova de trilha. Quer dizer, nunca tinha corrido pois posso considerar essa prova minha primeira experiência em trilha. Foi duro. Foi divertido. Foi mais divertido do que duro, então o resultado final é positivo. Continuo preferindo minhas corridas no asfalto, de preferência bem plano e com temperaturas baixas. Mas quando não conseguimos as condições ideais devemos manter a essência: Correr. Pelo simples prazer de correr. E vencer as adversidades. Sejam elas quais forem.
Beijos a todos and keep Running.


Maratona de Barcelona


“Por que raios fui me meter numa roubada dessas? De novo!!” esse é um pensamento recorrente e quase inevitável ao alinhar na praça de Espanha para largada de mais uma maratona. O local desta vez, é Barcelona.  Mas essas ideias desaparecem junto com a contagem regressiva para a largada. 42.195 metros pela frente . Vamos lá. Mais uma vez!!

Os 5 primeiros km servem para aquecer. Depois do segundo km começo a tentar encontrar o ritmo da prova, o que não é uma tarefa fácil. Um pequeno incomodo aparece na canela direita. Provavelmente por ter acelerado antes de estar totalmente aquecido. Tudo bem, isso já aconteceu em alguns treinos. E afinal de contas é para isso que se treina: Tentar minimizar os percalços do caminho. Já sei que fazer:  manter o ritmo que depois de algum tempo passa. Menos de 2 km depois já nem lembro mais da dor. O importante na maratona é tentar manter o corpo equilibrado pelo maior tempo possível. So far so good.

Os 8 km iniciais são pela parte oeste da cidade. Neste ponto, a corrida praticamente volta até a praça de Espanha e entra na larga Gran Via. Está é uma grande avenida com uma  reta que parece interminavél. Bastante gente na rua incentiva, faz barulho, toca algum instrumento musical. É uma festa. E o mais impressionante é que é assim por quase todo o percurso. Estou me sentindo extremamente bem; o incentivo ajuda e a temperatura por volta do seus 16 graus também. Aproveito o bom momento para acelerar um pouco o passo e cruzo a marca de 10 km em 47:54.

Neste momento a corrida entra pelo centro de Barcelona e passa por pontos turisticos como a Casa Batlló e a famosa e inacabada igreja Sagrada Família, por volta do km 13. Consigo um tempo para apreciar a paisagem mas sem perder o meu ritmo. Outra grande vantagem desta parte do percurso é ter bastante sombra porque é uma área predominantemente residencial.  Entretanto, no km 15 entramos na Av. Meridiana que é um acesso a uma estrada que sai à nordeste de Barcelona. Esse na minha opinião é um dos pontos mais desafiante da prova, pois além de ser uma larga avenida sem muitos atrativos e pouca sombra, seguimos nesta reta até o km 18 quando se faz um retorno e volta, ou seja você corre numa reta interminável e vê os corredores que estão a sua frente já retornando, e você sabe que vai ter que correr tudo aquilo de volta, mas não sabe quando.

Ainda assim, venho correndo com um ritmo absurdamente constante. O retorno no km 18 da avenida Meridiana é excelente, pois literalmente se começa a voltar e isso é muito bom psicologicamente. Apesar da monotonia neste trecho, consigo manter o foco e passo a marca da meia maratona em 1:39:48. Estou exatamente dentro do meu tempo proposto. Para ser mais preciso estou 45 segundos abaixo do tempo. E não estou nada cansado. Mas maratona é maratona.

Logo após os 21 KM cruzo a Pont Calatrava ( uma espécie de ponte estaiada metido a besta) e a prova volta para a Gran Via mas em um trecho bem a Este da cidade. Neste ponto apesar do estímulo vindo de torcedores na rua, o calor começa a apertar. A largada, 8:30 da manhã, é extremamente tarde e aqueles agradáveis 16 graus já se transformam neste momento em 22. E recém passou da metade. Mas Barcelona é bela. Vou me distraindo com a paisagem, mantendo meu ritmo e jogando um pouco de água na cabeça eventualmente para refrescar. Meu ritmo não apenas se mantém como até melhora. E se está confortável assim, porque mudar? E nesta brincadeira já se foram 25 km.

Depois do km 25, a prova entra na Diagonal, uma larga avenida que corta Barcelona de noroeste a sudeste. Este trecho , a prova vai por esta avenida até a Torre Glòries e volta pela própria Diagonal, fazendo deste trecho um dos mais desafiadores da prova, assim como foi a Av. Meridiana. A vantagem é que aqui, tem muita banda de música, cartazes e gente na rua, o que mininiza a dificuldade do percurso. Nesta altura da prova o calor aperta mais. Ainda assim, passo o km 30 extremamente bem em 2:21:45 e mantendo o meu ritmo.

Depois do km 30, passo pelo fórum e corro pela ronda Litoral, indo em direção a Barceloneta. É uma área bem agradável a beira mar. Entretanto após o km 32 cada kilometro começa a ficar mais comprido. No meio do KM 33 tem uma pequena subida com não mais de 200 metros. Nesta subida caminho pela primeira vez na prova. Volto a correr e tento me distrair com o percurso. Neste ponto se passa pelo cassino e pela torre Mapfre. Apesar de perder um pouco de ritmo, principalmente pela caminhada que deve ter durado um minuto, passo o km 35 ainda dentro do tempo previsto.

KM 35. Aqui começa a prova. Já são 2:46 correndo, a temperatura deve rondar pelo seus 24/ 25 graus e a prova já não parece tão divertida assim. Quer piorar? Tá bom então. Começa a aparecer uma cãimbra no pé direito. Não é forte, mas suficiente para quebrar meu ritmo. Passo pelo Parc de la Ciutadella e sigo em direção ao Arc de Triomf. Os km demoram cada vez para passar. A cãimbra piora um pouco e começo a pisar torto para evitar a dor no pé direito. Resultado. Começa aparecer dor no joelho esquerdo. Caminho um pouco para ver se melhora. Além de não melhorar percebo que um desaquecimento das pernas neste ponto significaria fim da corrida. Sendo assim volto acorrer.
No KM 37 corro pela Plaça Catalunya. Meu hotel fica exatamente na frente praça e ao olhar para ele de canto de olho. A vontade é parar ali mesmo tomar um banho e pedir uma cerveja. Mas isso aqui é maratona!! E faltam “só” 5 km. Resisto a tentação e continuo correndo. Passo pela Catedral e quando estou quase chegando no monumento a Colón que é a marca do km 39, vem uma forte cãimbra no pé. Desta vez o esquerdo.
Passo o km 39 e tenho que mudar muito o passo por causa das cãimbras. Ainda consigo correr, ainda que tenha reduzido o ritmo. Tenho quase certeza que esqueceram de colocar a placa de 40KM, pois já estou correndo a muito tempo e nem sinal dela. Depois do que para mim seriam uns 2 km, finalmente aparece a desgraçada da placa.
40 km completados. A partir daqui é uma guerra psicológica: o corpo implorando para parar, a mente querendo continuar e você tendo que administrar. As cãimbras invadem as duas coxas. Meu pé esquerdo já está dormente. Ainda faltam 2 km para a chegada. Apesar do cenário de guerra, corri muito bem até o km 35, e por isso sei que tenho condições de bater me recorde ( Washington 2018 – 3:29:32). Mas para isso tenho que continuar correndo. Decido correr esses 2 km em um ritmo bem confortável, mas continuar correndo. Os torcedores invadem a rua e fazem um barulho ensurdecedor. Vou fazendo força, mas realmente está difícil. Mas quem disse que maratona tinha que ser fácil?  Apesar de estar em um ritmo confortável ainda assim tenho que caminhar por vezes.

Passo a placa do km 41 e vejo o shopping da Plaza de España, que no passado era uma arena de touaradas.  Sei que ao contornar a arena estarei na Plaza de España e consequentemente na chegada. Tento acelerar mas fica só na tentativa mesmo. As cãimbras avançam para as panturilhas.  Tento controlar a respiração, manter a concentração e me manter correndo o mais rápido que posso nessas condições. Depois de 3:24:41 cruzo a linha de chegada! Está concluída a Maratona de Barcelona.

No balanço final Barcelona é uma prova extremamente organizada, em um percurso praticamente plano. A largada poderia ser no mínimo uma hora e meia mais cedo. O calor foi desgastante principalmente próximo do final da prova. Corri de maneira constante até o km 35, conseguindo manter o ritmo previsto e ainda por cima me divertindo. Mas maratona é uma prova de detalhes e no final a prova cobrou o seu preço: os últimos km foram sacrificantes. Pelas minhas previsões, se eu corresse uma prova perfeita, completaria em 3:21. Consegui manter o ritmo para esse tempo até o km 35, onde o calor combinado com as cãimbras fizeram eu perder um pouco o ritmo. Ainda assim consegui bater meu recorde pessoal por 5 minutos. E isso é muito tempo!! No fim terminei a prova feliz e com a certeza de ter conquistado Barcelona.

 Meia Maratona Doha 2020


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