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Do Limão se faz a limonada

Sempre gostei deste ditado. E tento aplicar ele o máximo que posso a minha vida. Você pega um limão, uma fruta amarga, mas gostosa, difícil de se comer pura, espreme e tem uma limonada, um delicioso e refrescante suco. Alguns podem ir além, colocar vodka e transformá-la em caipirinha.
E porque este post começou assim? Porque recentemente tenho conseguido aplicar esse ditado na minha corrida. Nunca fui um grande fã das esteiras. E sempre deixei isso bem claro. Pois desde a volta das férias, no fim de outubro, a temperatura aqui em Doha já anda mais "humana". Não quer dizer que já esteja uma maravilha, mas para correr de manhã bem cedo ou no finalzinho da tarde já é possível, com uma temperatura de uns 25 graus ou pouco acima. Em tempos passados, com essa temperatura já estaria na rua à muito tempo.
Entretanto, o que tem acontecido é um pouco diferente. Tenho preferido, por vezes, a esteira. O que aconteceu? Pirou? Foi abduzido por ET's? Pegou o limão e fez a tal da caipirinha? Nada disso. O que tem acontecido é que aprendi a tirar o proveito de tudo, até da esteira. Além disso, o meu "trajeto de corrida" aqui tem um pouco menos de 3 km. Tenho que dar 3 voltas no percurso e mais um pouquinho em um treino normal de 10 km. Além de repetitivo, a paisagem é bem monótona.
Apesar dessas reclamações, pego o limão, de novo, e o transformo. Quando vou correr na rua, é um grande desafio à concentração e a manter o foco durante todo o circuito. Então aproveito a falta de belezas naturais para trabalhar a parte mental da corrida, principalmente durante os treinos mais longos.
Outro fato aonde percebi essa mudança: Acabou a bateria do meu polar. Sempre corri por tempo e usava o relógio na esteira para modificar o ritmo; à cada 10 minutos aumentava a velocidade progressivamente. No painel da esteira tem as opções de tempo e distância, mas prefiro deixar desligada ( só olho para a kilometragem no final) porque acho que quando aquilo está ligado a distância passa muito devagar ( é meio que torturante). Diante deste quadro o que fazer? Decidi determinar as mudanças de ritmo pelo Ipod. A cada 3 músicas, aumento o ritmo. Tá fácil? Baixo para 2 músicas.
O resultado disso foi o seguinte: Quando usava o polar para "determinar" o ritmo, a variação dos treinos era muito pequena, pois poucas vezes acelerava antes dos 10 minutos, e só acelerava depois dos 10 minutos por esquecimento. Com o Ipod, como existe uma variação no tamanho de cada música, os momentos de aceleração e consequentemente os tempos finais sofrem uma variação maior, como acontece quando se corre na rua.
Resumidamente, continuo preferindo correr na rua, continuo preferindo ter o tempo como referência. ( Cada dia gosto mais do GPS). Mas isso não quer dizer, que não possa usar o lado bom da esteira ( eu achava que não existia esse lado bom, mas EXISTE !!) e aproveitar a falta de bateria para criar novos treinos.
Peguem seus limões e façam limonadas. O nosso poder de adaptação é maior do que a gente imagina. Não acredite em regras, faça as suas. Use as adversidades a seu favor. Fazendo isso, você vai se tornar não apenas um corredor melhor, mas uma pessoa melhor.
Bons treinos a todos

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