O nome vem da mitologia grega. Conta a lenda que Aquiles, tinha um único ponto vulnerável no seu corpo, o tendão. Segundo o mito, Aquiles teria morrido por uma flecha envenenada justamente no seu tendão.
Não estou maluco e sei que este é um blog de corrida, mas usei essa introdução para relatar um problema que vem me assombrando desde a semana passada: Uma dor no tendão de Aquiles.
A história é assim: Como já relatei aqui, comprei um tênis novo (Saucony Mirage) e comecei a usa-lo regularmente na esteira. Paralelo a isso, comecei um treino com uma assessoria esportiva a distância (o relato desta experiência não saiu ainda, pois estou esperando ver algum resultado -- positivo ou negativo-- antes de postar algo)
Foram 2 mudanças juntas: Um tênis mais leve (aonde a corrida fica diferente) e um treinamento diferente ( basicamente corro a mesma distância que já costumava correr por semana, a diferença está na distribuição dos treinos)
Quando comecei a correr com esse novo tênis, senti um pequeno incomodo no primeiro dia após passar o km 7. Achei que era normal pois sabia que um tênis mais leve a forma de pisar é diferente, trabalhando desta forma um grupo de músculos diferentes. Continuei a treinar com o tênis e sentia esse desconforto na coxa esquerda, porém cada vez demorava mais km para aparecer. Desta forma, fui acreditando que estava me adaptando ao tênis.
Depois de quase um mês de treino, fui fazer um (dois!) treinos em Melbourne. Nestes dias estava correndo na rua e usando meu Asics Cumulus. No primeiro dia era um longão por tempo aonde mantive um ritmo fraco devido ao aclive/ declive do terreno, ao piso de terra batida molhada (havia chuvido muito na noite anterior) e ao próprio cansaço do voo. Terminei 14 km em 1 hora e 15 minutos, basicamente 5 minutos mais lentos que em um treino normal. Senti pequenas dores musculares, completamente normais e habituais após essa distância.
No dia seguinte fui treinar de novo. Era para ser um treino só de rodagem. Mas acabei me empolgando com o clima (friozinho uns 10 graus), e com a boa performance dos primeiros km e acabei completando 13 km em 1 hora em 5 minutos ( mais rápido que o longão e só com 1 km a menos).Apesar do bom treino,nos 2 últimos km, senti novamente o desconforto na coxa, desta vez bem mais intenso, o que me levou a contorcer o corpo para conseguir concluir o tempo de corrida. Neste dia a tarde quando calcei o tênis para ir almoçar senti um desconforto no calcanhar (tendão de Aquiles) esquerdo e achei estranho. Pensei que talvez algum forro do tênis tivesse rasgado e estaria esfregando contra o calcanhar.
De volta a Doha, fui para um treino na esteira, calçando o tal Saucony. Era uma rodagem de 50 minutos, mas durante a corrida voltei a sentir a coxa e terminei em 40 minutos. Comecei a pesquisar meu corpo e notei que não tinha dor nenhuma na coxa. Nadica de nada. Mas notei que o tendão de Aquiles doía, tanto em exercício quanto parado. Na verdade parado ele só doía se fosse pressionado, mas não encomodava para andar.
Decidi parar de correr por uns dias e fui para a internet. Descobri ser uma região pouco irrigada, o que leva um tempo maior de recuperação e que o tratamento basicamente é gelo, repouso, alongamento e massagem. Comecei a fazer o tratamento. Depois de 3 dias parados, fui para Washington e resolvi fazer um tes-drive. Corri por 2 km, mas as dores voltaram a aparecer, agora bem focalizada no tendão e não na coxa. Parei de correr e continuo aplicando o tratamento.
Como já falei antes, acredito que do limão se deve fazer a limonada. Desta forma passei a ir todos os dias na academia, reiniciando pela milésima vez um treinamento de musculação. É chato. Eu não gosto. Mas em não se podendo correr, coloco meu Ipod no ouvido e trabalho músculos não trabalhados pela corrida. Também faço um pouco de parte aeróbica no transport, remo e um dia fui até para a piscina nadar, enfim cross training total.
Além disso, esses dias sem corrida são bons para reflexão; Da mesma forma que eu não gosto da academia ( mas reconheço seus benefícios e até aceito ela em nome da corrida), Eu gosto de correr. Tenho objetivos, quero melhorar, quero correr mais rápido. Mas mesmo quando isso não acontece, mesmo quando tenho dificuldade de participar de provas e manter o estímulo em alta, eu gosto da sensação que a corrida me proporciona. Não sei explicar. Deve ser um vício em endorfina ou alguma coisa do estilo. O fato é que durante essas reflexões cheguei a conclusão que está na hora de pensar em outra.....MARATONA! O comprometimento, a garra, a vontade de vencer limites, o trabalho psicológico. Todos esses são fatores que me fizeram chegar a conclusão que este é o momento certo para eu começar a pensar de novo nos 42 km.
Meu pé já está bem melhor. Mas por precaução estou dando mais alguns dias para evitar qualquer susto. Nessa semana só corri aqueles 2 km de teste na segunda. Acho que domingo vou tentar rodar um pouco para ver o que acontece. Mas já pensando e procurando uns 42 km por ai....
Todo fim de ano é a mesma rotina: escolhe prova para correr, começa o treinamento, aumenta o volume de treino, depois aumenta a velocidade, passa pela fase de polimento até chegar na prova alvo do ano. Com uma semana de férias em março, o ciclo de treinamento começou no final de dezembro. Desta vez escolhi usar a mesma planilha que usei em Osaka no ano passado, que tinha comprado na Internet por 10 dólares. É bem simples mas para o tempo pretendido da para o gasto. Mas o problema não é a prova, ou a planilha: o problema é o treino. Essa planilha tem algo como 55 treinos em 12 semanas. No ano passado perdi apenas 2 desses trein...
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