Tem dias que são feitos para se esquecer. Neste meu caso específico, pode se esquecer o mês inteiro.
Tudo começou com a tendenite no tendão de Aquiles. Escrevi no blog sobre o problema e até consegui achar o lado positivo do problema.
Durante a primeira quinzena, fiz bastante cross training, tentei manter a parte aeróbica em dia e até arrisquei umas corridas. Nessas corridas ( feitas na esteira) sempre chegava um ponto aonde começava a aparecer aquela dor na coxa esquerda. A sensação era nítida de que estava "fora do ritmo". Bastava abaixar a velocidade por um minuto, as vezes até menos e depois voltar a correr normalmente. Era chato, mas já estava me acostumando. Melhor do que não correr.
Me poupei, fiz gelo, alonguei. Tudo com um só objetivo: Perth. Tinha um voo para Perth por meados de setembro e me preparei para voltar a correr lá. Pelo que já tinham me falado e pelo que eu tinha pesquisado na internet, Perth, assim como a maioria dos lugares na Austrália, era um belo point de corrida e triathlon.
Fiz o voo para Perth e não decepcionou; um belo lago com ciclovia compartilhada entre corredores e ciclistas, um dia espetacular sem uma nuvem no céu e uma temperatura convidativa de uns 15 graus. Cenário perfeito para o retorno. Comecei correndo bem, planejando um "longão" de 12 km. Queria correr mais, porém também queria ser prudente. Fui margeando o rio, mantendo um bom pace de 5:10 min/km. Cheguei no meio do caminho (6 Km) e iniciei a volta. Tudo ia bem, até o km 8.
Voltei a sentir a coxa. Diminui o ritmo, me recuperei um pouco. Voltei a correr. Mais 1 km, mais dor na coxa. Reduzi de novo, caminhei por 2 minutos, voltei a correr, e a dor voltou. Lutei e sofri até completar os tais 12 km. Literalmente forcei a barra. E tive que pagar o preço. Quando sai para passear na cidade, o tendão voltou a doer com uma simples caminhada. Senti que teria que ficar de molho por mais algum tempo.
Porém como diz a lei de Murpy, se alguma coisa está ruim, pode piorar. E piorou. Neste mesmo dia em Perth comecei a me sentir cansado. Achei que pudesse ser da corrida, por ter forçado a barra, ou da caminhada durante o dia. Na verdade era uma virose que me colocou de cama com febre alta e muita tosse. Por 10 dias tive essa gripe que não me dava vontade de levantar muito menos praticar algum esporte. Ou seja até o cross training e a bicicleta que eu vinha fazendo ficaram de lado.
Para ter uma ideia logo após a gripe, tive um voo para Houston, um dos meus lugares preferidos para correr em pernoite. O clima estava simplesmente perfeito, com temperatura na casa dos 20 graus e umidade de 60%. ( Normalmente em Houston o que dificulta é a umidade). Não tive a menor vontade de sair para correr. Fiquei no hotel descansando e só sai para comer.
Hoje, dia 30 de setembro, estava em Amsterdam e resolvi fazer um novo teste. Já faziam 15 dias da minha última corrida (em Perth, dia 14). A temperatura estava em ótimos 14 graus e planejei uma corridinha de 10 km no ritmo que desse. Após essa corrida tive uma boa e uma má notícia.
Primeiro a boa: Apesar de 15 dias sem correr ( na verdade sem praticar nenhum exercício seja aeróbico ou não) não perdi muito condicionamento. Claro que a boa condição climática me ajudou. Consegui manter um pace inicial de 5:20 min/km e acelerar na segunda metade para 5:10 min/km, fechando com uma média de 5:14 min/km. Levando em conta que numa corrida "normal" sem forçar o ritmo o pace ficava em 5:10 min/km, está ótimo.
Agora a má notícia: Ainda sinto o tendão. No começo pensei que fosse medo, pois estava sentindo um leve desconforto. Porém próximo ao km 9 comecei a sentir um pouco mais. Caminhei por 20 segundos na tentativa de "resetar o sistema" e voltei a correr. Ou seja não senti muita dor. Porém depois que a adrenalina baixou voltei a sentir como se tivesse levado uma pancada ali. Doi um pouco para caminhar. Se colocar a mão em cima do tendão, doi mais.
O terrível mês de setembro acabou ( nem sei quantos km corri nesse mês) pórem a novela do tendão continua. Só espero que esteja perto do fim.
Todo fim de ano é a mesma rotina: escolhe prova para correr, começa o treinamento, aumenta o volume de treino, depois aumenta a velocidade, passa pela fase de polimento até chegar na prova alvo do ano. Com uma semana de férias em março, o ciclo de treinamento começou no final de dezembro. Desta vez escolhi usar a mesma planilha que usei em Osaka no ano passado, que tinha comprado na Internet por 10 dólares. É bem simples mas para o tempo pretendido da para o gasto. Mas o problema não é a prova, ou a planilha: o problema é o treino. Essa planilha tem algo como 55 treinos em 12 semanas. No ano passado perdi apenas 2 desses trein...
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