Aconteceu meio que por acaso. Vi uma propaganda no jornal: Qatar International Marathon, patrocinada pela Qtel, companhia telefônica local. Sem muitas outras informações. Entrei no site da Qtel e nada. Comecei uma pesquisa na internet e acabei encontrando um forúm de discussão de corredores do Doha falando sobre a maratona.
Na verdade não era uma maratona. Apesar do nome, a prova teria 2 distâncias disponíveis: 10 km e meia maratona. Vi a data da prova e fui checar minha escala: Só teria um voo naquela noite, mas estaria durante o dia em casa. Perfeito. Vou correr!!! A dúvida agora era que distância escolher? Essa dúvida martelou minha cabeça por uns dias.
2012 foi um ano em que não participei de nenhuma prova de corrida. Além disso no final de agosto tive uma lesão que praticamente me deixou sem correr em setembro e depois, mesmo tendo voltado a correr continuei sentindo um desconforto e fiz poucos treinos acima de 10 km. Dentro deste cenário, os 10 km seriam o mais lógico de se correr.
Mas nem sempre a corrida tem lógica. A meia maratona era mais desafiadora. O fato de ter treinado pouco só aumentava o desafio. Além disso era a primeira meia maratona no país. A emoção venceu a razão e me inscrevi para a meia maratona.
Cheguei no corniche ( calçadão que beira a peninsula) por volta das 6 da manhã. A prova estava marcada para as 7, mas ainda tinha que pegar o número, o chip e terminar de acordar. Um pequeno número de corredores ( comparado com provas no Brasil ou no exterior) se encontrava por ali. Muitas figuras "estranhas" a corrida também estavam ali: Uns usavam camisa e calça social, outros estavam de sandálias. Nenhum tinha perfil de corredor.
E nesse clima informal, nem parecendo que era uma corrida, foi dada a largada as 7 da manhã. O percurso eram 2 voltas de 10 km no corniche. Corria-se 5 km, fazia-se o retorno e mais 5 km,.Quem estava nos 10 km acabava e quem estava na meia maratona seguia para outra volta. Esse tipo de prova é um pouco tedioso no meu ponto de vista. Mas era o que se tinha.
A corrida me lembrou a época que comecei a correr, antes da corrida virar moda. Época em que as corridas eram muito menores, mais simples e mais divertidas. A primeira diferença é o espaço. Após correr 200 ou 300 metros você já pode colocar o seu ritmo. Como são poucos corredores, não fica aquela briga por espaço. Depois os pontos de água. 2 pontos apenas. E apenas com água. Nada de isotonicos, frutas blablabla. Água e pronto.
Nessa "volta ao passado", tinha traçado minha estratégia: Correr no ritmo constante até aonde eu conseguisse, e depois alternar caminhada com corrida o resto do tempo. Quando digo caminhada estou falando de uma caminhada de no máximo 30 segundos, apenas para recuperar o ritmo e a concentração. Isso porque depois lesão não consegui voltar para o mesmo ritmo de corrida que tinha antes. Assim quando começo a sentir esse desconforto na perna caminho um pouco e depois volto a correr.
Consegui correr constante até o km 7, mais ou menos o que eu tinha imaginado que daria para fazer.Depois disso caminhei basicamente 15 segundos a cada km. A passagem pelo km 10, como já era esperado, é um pouco decepcionante: Você vê a linha de chegada, os corredores de 10km estão terminando e você vai ter que correr tudo de novo. Esse é um dos piores problemas dessas corridas em "circuito".
Passado o km 10, continuei no meu ritmo. A temperatura estava em torno de 20 graus e isso ajudava. Não tinha muita gente assistindo até por não terem o hábito de ter nenhum evento desses na cidade. Vez ou outra aparecia alguem incentivando.
E nesse ritmo inconstante completei a prova em 1:43:20. Um dos maiores pecados da organização foi que, acordo com meu GPS, a prova teve 20,7 km, e não os 21,1 Km da meia, ou seja, faltaram 400 metros. Acrescentando esses 400 metros, o meu tempo ficaria em torno de 1:45, o que são 5min/km. Não é ruim considerando a irregularidade e as caminhadas.
Na média, para uma prova inicial, em um país sem cultura de corrida, foi bom. Claro que tem muito o que melhorar, mas isso com o tempo e com a experiência vai acontecer. Para mim o mais importante foi a iniciativa de se começar a pensar em corridas e pessoalmente a volta a correr uma prova, especialmente uma meia maratona.
Todo fim de ano é a mesma rotina: escolhe prova para correr, começa o treinamento, aumenta o volume de treino, depois aumenta a velocidade, passa pela fase de polimento até chegar na prova alvo do ano. Com uma semana de férias em março, o ciclo de treinamento começou no final de dezembro. Desta vez escolhi usar a mesma planilha que usei em Osaka no ano passado, que tinha comprado na Internet por 10 dólares. É bem simples mas para o tempo pretendido da para o gasto. Mas o problema não é a prova, ou a planilha: o problema é o treino. Essa planilha tem algo como 55 treinos em 12 semanas. No ano passado perdi apenas 2 desses trein...
Comentários