Esse texto era para ter sido publicado ano passado, mas ficou perdido em algum lugar do meu computador. Encontrei o texto e decidi publica-lo agora. Mesmo com o atraso, ainda vale a pena.
"A culpa é do Beylouni." É isso que tenho a dizer para quem me
pergunta porque corro assim. Começou com aquele papinho de sempre: "Para
te ajudar na perda de peso, faz uma ativadade aeróbica qualquer. Mas já que
você voa, vai correr, já que é uma atividade que se pode fazer em qualquer
lugar e assim manter uma regularidade."
E eu fui. Quer dizer, não foi bem assim. Tentava correr 3 km. Alternava
corrida e caminhada e devia conseguir correr no máximo 1 km dos 3 pretendidos.
Mas o condicionamento inicial veio até que rápido. Em 1 mês já conseguia correr
os 3 km. Inteiros. Me achava “o” atleta. Tinha chegado no pico da minha
performance.Nos dias mais inspirados saia para um treino longo - 5 Km. E para
mim estava de bom tamanho.,/p>
Mas apareceu no caminho a meia maratona do Rio de 2003. Muita propaganda,
matéria nos telejornais, já que é patrocinada pela Globo, e isso em uma época (
até parece que é muito tempo.) com poucas provas e menos divulgação ainda, era
quase obrigatório para qualquer corredor correr essa prova. Essa e qualquer outra que aparecesse, porque eram
muito poucas. Decidi. Já corro 5 km, posso fazer essa prova. Como diria meu pai
-"Mole".
Comecei a treinar. Baseado em que? Nada! Sabia que ia ter que correr 21 km
( pelo menos sabia quantos km ia ter a prova....Já tá bom né?). Pensei, vou
correndo todo o dia que der cada vez um pouquinho mais de quilometragem. Quando
já estava correndo 12 km, resolvi começar a anotar todos os treinos. Marcava a
distância e o tempo. E comecei a tentar baixar o tempo naquela distância.
O problema é que a prova chegava mais perto, mais rápido do que eu
conseguia correr. Me lembro que faltando um pouco mais de 2 semanas antes da
prova o meu maior treino tinha sido de 15 Km. Fui fazer um voo com um
comandante que era corredor das antigas e começamos a conversar sobre a meia
maratona, que ele também ia correr. Então ele me passou uma
"planilha" dos treinos que eu deveria fazer nessas semanas. Tinha um
treino longo de 17 Km. Fiquei impressionando: "17 km, nunca fiz isso, é
muito km junto. Não sei se eu consigo." Mas ele contra-argumentou
"Bem, a meia tem 21Km, você vai ter que passar pelo km 17 alguma
hora." Era verdade.
Treinei o que foi possível, até chegar o dia da meia 31.de agosto. Não
lembro a temperatura, se estava sol ou não. Sei que às 9 da manhã parti de São
Conrado em direção ao Aterro. Minha grande preocupação era conseguir chegar. E
eu cheguei. Com 1:58:51 de prova completei a minha primeira prova. Uma meia
maratona. Me lembro que cheguei acabado. Fui para casa, almocei e dormi o resto
do dia. Acordei por volta das 7 da noite,todo dolorido, sai para jantar, voltei
e dormi de novo.
Mas depois desse dia virei um corredor. A corrida evoluiu, e eu evolui
junto com ela. Mais gente passou a correr. Hoje em dia é até moda. Com isso
revistas especializadas começaram a aparecer.
As provas também cresceram. Em quantidade e qualidade. a internet ajudou
muito. A informação da corrida se espalhou e atraiu cada vez mais adeptos.
Fartlek, rodagem e longão passaram a fazer parte do meu vocabulário. Usei
planilhas de revistas, adaptei, troquei o que achava estava errado. Depois de
um tempo comecei a fazer minhas próprias planilhas.Passei a fazer um relatório
das corridas, dizendo desde a localidade até o tipo de treino realizado. Hoje
em dia o GPS faz isso para mim. Testei tudo que foi tipo de tênis; desde os com
mais amortecimento até os que simulam que se está descalço.
Como o Beylouni falou, aproveitei a minha profissão para explorar lugares
correndo. Fiz treino em quase todos os estados do Brasil. Já treinei em todos
os continentes. Nessas corridas pelo mundo, passei por todo o tipo de sensação
térmica. Treinei em Frankfurt embaixo de neve e com - 5C. Treinei em Doha, de
brincadeira só para ver como é ,com 50 C.
Uma boa forma de se manter estímulado são as provas. Corri desde prova de
revezamento de 4 km até a maratona ( Uma - por enquanto. Berlin 2005). Me
encontrei na meia maratona. Não sei quantas corri, mas são mais de 15. E nos
mais variados lugares; Praga, Florianópolis, Lisboa e Friburgo são alguns
exemplos.
Nesses 10 anos ( Estou contando a partir da primeira prova porque antes
dela tenho algumas corridas "registradas"mas é muito difícil saber
exatamente quando comecei a treinar) já corri mais de 12.000 km. Gastei
inúmeros pares de tênis.
Mas esse texto não é só para deixar vocês cansados de ler ( eu já estou) ou
contar minhas peripécias como corredor. É também uma forma de compatilhar
minhas corridas e minhas conquistas. O que começou com o objetivo de perder uns
quilinhos ( aliáis, o Beylouni também estava certo nesta; aqueles quilos foram
embora e não voltaram mais) virou um hobby, que para mim além de ser divertido
é também saudável. E se alguém me perguntar o objetivo para os próximos 10
anos, a reposta é muito fácil: Mais km, mais provas – inclusive a maratona,
mais pares de tênis gastos. Ou simplesmente Keep running.
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