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Meia Maratona RAK

Ras Al Khaimah.Ou RAK para os íntimos. Um dos sete emirados arabés  ( os outros 6 são: Abu Dhabi, Ajman, Sharjah, Fujairah, Umm al- Qaimain e claro, Dubai). Fica a 90 km de Dubai e faz fronteira com o Omã. Chega de geografia, vamos para a corrida.

RAK tem uma das melhores meia maratonas do mundo. Isso porque com um percurso extremamente plano, aproveitando a excelente temperatura do ínicio de ano, a organização aproveita os petro dolares para pagar altas premiações  e atrair a elite de corredores. E junto com a elite atrai outra gama enorme de corredores.

E lá estava eu, mais uma vez posicionado para largar. Meu objetivo desta vez é bem simples, porém não fácil: Fazer o meu PB (Personal Best).Correr mais rápido do que eu já corri nestes últimos 10 anos. Só isso.O tempo a ser batido: 1:33:33, obtido em Atlantic City. Pode parecer um plano ambicioso. E é. Mas eu venho treinando forte, e tenho um plano para isto. Na corrida tem fases em que apenas corremos pelo simples prazer de correr, entretanto existem outras fases em que melhorar a performance é o foco. É nessa fase que estou agora.,/p>

,p>7 da manhã, temperature de 15 C. Os especialistas diriam que a temperature está apenas um pouco acima da ideal, que seria de 10 C. Mas na minha opinião, 15 C é a temperatura ideal, então está tudo perfeito.  Ocorre um atraso de 15 minutos na largada devido ao fechamento das ruas, que ainda não estava completo. Esse atraso é ruim por 2 motivos: Primeiro porque você já está psicologicamente preparado para começar a correr e com o atraso não se sabe quanto tempo vai ter que esperar. Depois porque o aquecimento que foi feito é perdido, pois o corpo já está frio depois de 15 minutos. Mas faz parte do jogo, então esquece isso e vamos jogar.(ou melhor correr)

Por volta das 7:15, acontece a largada. Meu plano inicial é dividir aprova em 3 partes. Correr os primeiros 2/3 da prova em um pace (ritmo) de 4:30 min/km. O que significa passer o km 14 em 1 hora e 3 minutos. É possível, já fiz isso antes durante os treinos. No último terço da prova a ideia é acelerar para um pace de 4:20 min/km ( 7km em 30:20) e completar a prova com um tempo perto de 1:33:20 ( o que seria 13 segundos mais rápido do que o meu recorde, lembra: 1:33:33) Não é fácil. Mas é um plano.

Começo correndo forte. Todo início de prova é assim; uma largada forte tentando colocar logo o ritmo certo. Passo o primeiro km e o GPS avisa: ritmo de 4:17 min/km. É mais rápido do que o previsto, mas é apenas o primeiro km. Continuo correndo tentando acertar o ritmo, mas passo o segundo km com um ritmo de 4:23 min/km, novamente mais rápido do que o previsto. Acende a luz de alerta. Correr mais rápido é bom, mas o problema é não saber quanto fôlego e pernas vai sobrar ( ou faltar!) para o final.

Resolvo então mudar a estratégia: Já que estou rápido (e bem), vou tentar manter esse ritmo nos primeiros 7km (1/3) depois reduzo um pouco no segundo terço e volto a acelerar no final. Beleza ,plano refeito vamos lá. Mas não é tão simples assim; no km 3 começo a sentir um desconforto na pantirrilha esquerda. Para mim isso é normal quando se começa a correr muito forte e o corpo não tem tempo suficiente para se adaptar. Por outro lado, sei que depois de um ou dois km isso passa. É exatamente o que acontece,por volta do km 5 a panturrilha esquerda está nova. Porém o desconforto aparece agora na panturrilha direita. Dou uma risada da situação. Pelo menos  essa dor não apareceu nas duas pernas ao mesmo tempo.  Passo o km 7 mantendo  o ritmo de 4:20min/km e sei que agora posso reduzir um pouco o ritmo.

Mas reduzir porque? O desconforto nas pernas já passou, estou correndo num ritmo mais forte do que o previsto e me sentindo absolutamente confortável. Resolvo aproveitar o momento. Vou correndo  rápido e mal sinto os km passarem. No km 13 percebo que o fôlego esta ótimo, mas sinto um pouco a coxa direita, faço uma anotação mental: treinar mais musculação.

Depois do km 16 a corrida entra numa fase mais psicológica. Isso porque é difícil manter a concentração depois  de 1:10 correndo forte. Pelos cálculos que faço de cabeça, posso reduzir um pouco que ainda assim consigo bater meu recorde. Mas faço uma análise da parte aeróbica: o folego ainda tá bom. Analiso então a parte muscular: As pernas não estao fadigadas. Então faço força para vencer o psicológico e continuar correndo forte. É bem verdade que cada km aqui parece ter uma milha (1,6 km) e  estou fazendo mais força do que antes para manter a mesma velocidade. Mas ainda assim estou me divertindo com essa brincadeira de buscar o limite.

Quando passo o km 20, vejo que se fizer o último km ( na verdade 1,1 km) em  5:40 consigo bater meu recorde. Venho mantendo a média durante toda a corrida de 4:21 min/km, e estou bem. Esta fácil de bater o recorde. Mas tem que correr um km ainda. Me concentro e acelero tudo o que dá. Faltando 500m, vejo a linha de chegada e acelero ainda mais. Completo o último km em impressionantes (pelo menos para mim) 3:44 min/km. E a prova  em  1:31:35. Meu novo recorde pessoal.


Foi uma prova boa e bem organizada, onde o percurso e a temperature ajudaram bastante. Fiz um plano inicial e tive que adaptar o plano ao longo da corrida ( Parecia aqueles GPS do carro que quando a gente não segue a rua que ele manda fica falando: recalculando, recalculando). Mas no final acabei conseguindo baixar meu tempo em quase 2 minutos. A RAK se auto entitula como a  “the fastest half marathon in the world”. ( A mais rápida meia maratona do mundo). Eu concordo com eles, porém faço uma pequena adaptação no slogan: the fastest half marathon in MY world. ( a mais rápida meia maratona no MEU mundo). Abraço a todos e até a próxima.

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