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RLRF vs. Maffetone

Senta que lá vem história.Setembro de 2013. Na busca de um novo estímulo para correr durante o verão, acabei me (re)encontrando com RLRF. Já tinha lido mas nunca tinha praticado.O conceito era 3 corridas fortes na semana e mais 2 dias de cross training. Completei o “ciclo” ( 16 semanas) em novembro de 2013, e como não tinha nenhuma corrida programada, fiz um treino em Houston simulando uma meia maratona e acabou sendo o meu melhor tempo de meia do ano 1:37:22. ( tinha corrido 3 meias).

Motivado com o resultado, iniciei um novo ciclo em janeiro de 2014, visando a meia de Budapeste em abril. Em fevereiro corri  a RAK e bati meu recorde pessoal 1:31:38. Em abril fui para Budapeste, bati meu recorde de novo ( 1:29:28) e ainda me tornei sub 1:30.


Apesar do excelente resultado, havia um desgaste mental grande por se treinar tão forte e sempre em cima de ritmos determinados.Resolvi buscar uma nova alternative “mais light” e acabei me deparando com o Maffetone.

Maffetone era um método que pregava manter uma frequência cardíaca constante ( no meu caso 145 BPM)  em todos os treinos. Segundo ele, conforme você  tornava aquela frequência mais eficaz e com isso conseguiria atingir uma velocidade maior com a mesma  frequência. Não existia um programa, mas treinei baseado em frequência cardíaca por 15 semanas até a meia maratona de Munich, em outubro à qual terminei com o tempo de 1:34:39

Contada a longa história de treinamento no último ano e meio, vem a pergunta: Qual é melhor?  Bom, antes de responder vou comentar algo que considero  pertinente. 2 excelentes programas , com ótimos resultados e, apesar disso, ninguém falou de musculação. Não sou grande fã, mas reconheço a importância do trabalho muscular, inclusive para previnir lesões. Ainda assim, nenhum dos 2 programas recomendou sendo que o Maffetone ainda era contra!!! ( Por ser trabalhar anaérobico).

Quanto aos programas, poderia dizer que são quase opostos. RLRF aborda todo foco no ritmo. E o ritmo é forte o tempo todo. Maffetone vai para lado do frequêncimetro e o pace é bem mais fraco.
Quanto ao aquecimento, o RLRF ganha fácil; começa com um trote, depois passa por “exercicos técnicos” ( joelho alto, “chute na bunda “ etc.. e depois vai para pequenos tiros para deixar o corpo preparado para começar a correr forte. Levava no máximo 10 minutos, normalmente menos. Maffetone começava caminhando e subindo a frequência lentamente até atingir o target. O problema era que o previsto era 15 minutos , mas para mim, até estabilizar levava bem mais, as vezes 30 minutos. Além disso, durante esse aquecimento, não raro meu batimento ia para a casa dos 170-180 sem motivo aparente, pois estava apenas caminhando.

Quanto aos treinos, gostava de treinar no RLRF o tempo run. Uma velocidade que chamo de confortavelmente desconfortável. Os treinos intervalados ( os famosos tiros) não gostava tanto. Para falar a verdade não gostava nada. Os longos eram legais apesar de as vezes exigirem um ritmo muito forte, o que levava a um cansaço muito grande após o treino. Já o Maffetone era sempre igual, variando apenas a duração, que variava de 50 minutos ( considerando 15 minutos de aquecimento e 10 de desaquecimento, ou seja neste caso apenas 25 minutos “reais” de corrida) e 2 horas. Na minha opinião, o treino quanto maior, melhor, pois uma vez que a frequência se estabilizava, era fácil continuar correndo, apesar da velocidade ir caindo conforme o tempo passava ( para manter o batimento). O fato real é que poderia correr por 2 horas e depois estava inteiro, sem dores, sem cansaço, pronto para correr no dia seguinte, algo que não acontecia ( nem era recomendado) no RLRF.

No desaquecimento, nova vantage clara do RLRF. Este recomendava um pequeno trote, e depois uns exercícios de alongamento ( por sinal excelentes!!) Maffetone era absoltamente contra os alongamentos, e recomendava uma redução gradual de velocidade até atingir a caminhada após 10 minutos. Consequentemente o batimento caia diretamente proporcional à redução de velocidade.

Após essa profunda “análise” chego a minha conclusão final. RLRF é melhor. Um treinamento forte, cansativo, principalmente do ponto de vista psicológico, mas que te entrega um resultado melhor no fim. Maffetone parece não ter muita lógica, mas tem. O problema é que tem que dar tempo para a lógica aparecer. E por não seguir um “programa”, você não sabe se a sua evolução está no caminho certo ou não. Apesar disso, não descarto usar, eventualmente, o monitor em treinos longos que se mostrou confiável e principalmente para evitar “fadigar”o sistema.


Então é hora de voltar ao RLRF ? Não. Pelo menos ainda não. Continuo na minha fase de testes. Jack vem por aí…

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