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Filosofia de GPS

No último texto falei das diferenças entre correr e treinar. Não sei por acaso ou por estar prestando mais atenção nesse assunto mas o fato é que durante essa semana vi 3 pensamentos alinhados com o que escrevi.

Estava ouvindo o podcast do corrida no ar, e apareceu a seguinte frase: " os atletas profissionais treinam 80% do tempo rodagem e 20% intensidade". Isso vai de acordo com o livro que comprei e comecei a ler do Jack Daniels aonde ele cria um treinamento para maratona com 2 treinos de qualidade por semana e o resto rodagem. Isso acaba levando aos 80/20 que é abordado por outros autores de maneira diferente.

Depois lendo o blog do Xampa corredor, ele dizia que vem treinando cada vez menos, participando de menos provas e vem se sentindo bem com isso. Melhor ainda nunca esteve tão bem fisicamente.

Por fim, o blog da mens health ( ex- runners world brasil), Iberê falava do cansaço causado pelo desgaste dos treinos e a possibilidade de largar as maratonas por um tempo.



Tudo isso, me fez refletir: aonde quero chegar? Gosto de correr. Muito mais do que treinar. Já tenho sub 1:30 na meia. Se não atingi o pico da minha performance, estou muito próximo disso. Penso bastante na maratona mas treinar para uma me desanima. Ouço e leio relatos de corredores que tem treinador, fazem um monte de intervalados, longos e etc... mas tem tempos iguais ou piores que os meus. Vendo tudo isso, volto a pergunta: onde quero chegar?

São 2 situações que classifico como primordiais aqui: o GPS e a regularidade.

A relação com o GPS é a seguinte: comecei a usar em março de 2011 E foi amor a primeira corrida. Pace, percurso, horário, posteriormente até temperatura, tudo registrado ali tendo apenas que fazer o download dos treinos quando colocava o GPS para carregar. Fantástico. Passei a gostar mais ainda de correr em lugares diferentes, só para ter um novo destino no GPS. Nunca aconteceu, mas chegou um ponto que sinceramente acho que se encontrasse o GPS descarregado antes de um treino, não sairia para treinar.

Antes deste advento, corria com um polar dos mais simples, sem usar o monitor cardíaco, apenas o cronômetro. Anotava o tempo e a " distância estimada" em um caderninho ( foi um bloco de notas depois uma agenda e no fim usei uns diary trainers distribuídos na maratona de Berlin ( tenho uns 6 eu acho)). Logicamente ficou mais fácil e preciso monitorar os treinos. Nessa brincadeira já são mais de 6000 km com o Garmin.

O problema é o seguinte: Eu acabo sempre me considerando " monitorado" pelo GPS. Vai fazer um treino de rodagem? Ele vai estar lá para dizer que a seu treino hoje foi 6 segundos mais lento que a rodagem da semana passada. Ou te dizer que esse mês você correu 9 km a mais do que a 2 meses atrás. E aí eu pergunto: que diferença faz isso? Eu mesmo respondo: NENHUMA!!

Opa! Se não faz diferença nenhuma e ainda por cima me faz me sentir pressionado, então vem a verdadeira questão: por que usar o GPS? É exatamente isso que eu ( e outros como exemplifiquei acima) vem se questionando.

A única explicação " lógica" que encontrei foi a regularidade. Explico: Com essa " pressão" tento fazer todos os treinos que planejei, nem que seja para olhar aquele calendário do Garmin Connect todo preenchido. É uma questão mais psicológica do que qualquer outra coisa. Agora, isso me faz bem? Tenho pensado nisso e cada vez mais acredito que a resposta é não.

Então estou começando a elaborar um novo plano. Não vou partir para a radicalidade como alguns e vender meu GPS. Acho uma ferramenta útil e necessária em alguns treinos. Vou colocar bateria nova no meu polar surrado e voltar a fazer rodagem com ele. E vou voltar a registrar meus treinos no caderninho. Pra que? Pra nada, só porque psicologicamente eu gosto de ter os treinos ali, apesar de não usar para nada, nem mesmo para ver se a performance vem melhorando. A questão da regularidade, vou tentar colocar um padrão de tempo por semana e fazer os treinos baseado por tempo.

Não sei se vai funcionar. Nem como vai ser correr sem Garmin depois de tanto tempo. Mas o que estou realmente buscando, é uma diminuição da pressão, o famoso, correr por correr. Acredito que são adaptações que todos devem buscar para continuar a ter prazer nas coisas que se faz.


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