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Meia Maratona do Douro

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Na minha busca por provas acabei encontrando uma na região do Douro, em Portugal. Sabe aonde fica? Logo ali em Peso da Régua. Continua sem saber? Tudo bem eu também não saberia não fosse o Google Maps. A região do Douro é a região vinícola de Portugal, sendo Peso da Régua uma das principais cidades. Fica a 120 km do Porto. Então pensei: Porto = vinho do Porto e bacalhau. Tá aí. Gostei. E assim me meti nessa encrenca.

A corrida, que " humildemente" se auto-intitula a corrida mais bonita do mundo, acontece na região vinhateira do do alto do Douro, região esta classificada como patrimônio da humanidade desde 2001. Por isso, a logística da prova é um pouco diferente das outras. Pegamos um autocarro ( ônibus em português) e vamos até a barragem do Bagaúste. A partir de lá, corremos até a cidade Folgosa do Douro, aonde voltamos até a barragem e posteriormente continuamos até Peso da Régua.

O dia estava bom, com sol e temperatura de manhã cedo de 9 graus. Peguei o ônibus as 9:00 horas apesar da largada ser apenas às 10:30. A largada acontece na ponte da barragem. Meu objetivo era correr em ritmo constante, desta forma, era importante não largar muito rápido. Foi relativamente fácil não sair muito veloz pois haviam muitos corredores na minha frente e a estrada não era tão larga assim.

A região é bonita e a corrida solitária. Diferente de quando se corre na cidade aonde sempre tem um público incentivando, nesta corrida eram só os corredores e as vinícolas. O percurso, apesar da paisagem natural, é duro. Isso porque praticamente não tem parte plana: ou você está subindo ou está descendo, as vezes de forma sutil, outras de forma mais acentuada. Sobre subidas e descidas sempre digo que o mais fácil de correr é aonde você está treinado, pois os músculos exigidos são diferentes. No meu caso, estou acostumado a correr no plano, então tanto a subida quanto a descida me castigam bastante. Mas vamos lá!!

Passo os 10 km com um tempo bom, mantendo o ritmo pretendido,  porém mais cansado do que o previsto. A temperatura aqui já deixou os agradáveis 9 graus matinais a muito tempo e está na casa  dos 20 graus. Pode até parecer que não é muito quente, porém como a região é um vale, a sensação térmica é bem maior. Essa amplitude térmica pode ser bom para a uva mas não é bom para a corrida.

Com o cansaço e o calor, resolvo usar a estratégia de dividir o restante da prova em segmentos menores. Seria como ter objetivos de curto prazo. O primeiro objetivo então é chegar no km 14 mantendo o ritmo. Escolho essa distância porque representa 2/3 da prova e como tudo é um jogo psicológico, saber que falta apenas 1/3 ajuda.

A estratégia funciona e passo o km 14 no mesmo ritmo. A " mais bela corrida do mundo" já não parece tão bela assim e para vencer o calor vou jogando uns copinhos de água na cabeça. O problema é que meus tênis começam a ficar encharcados o que além de ser desconfortável traz ainda o risco de aparecerem bolhas.

Continuo meu trajeto. Próxima parada, ou melhor próximo objetivo 16 km. A escolha desta vez é por conversão. Explico: 16 km são 10 milhas. Em milhas a meia maratona termina em 13.1. Logo,  ao passar os 16 km faltam apenas 3.1 milhas. E sempre é melhor pensar que faltam 3 ( milhas) do que 5 ( km) apesar de ser a mesma coisa. Bom, conversões ( ou loucuras mesmo) à parte, consigo manter o ritmo até o km 16.

Agora o foco é no km 18. Porque o 18? Porque sei que quando chegar lá, vão faltar apenas 3 km. E sei também que no km 19 vai se cruzar a ponte que dá acesso a cidade e finalmente vai aparecer aquele público incentivando. Basicamente sei que se conseguir manter o ritmo até o km 18, consigo manter o ritmo até o final da prova.

O pensamento está correto, as sombras e algumas descidas ajudam,mais ainda assim, perco um pouco de tempo neste trecho, porém na média, ainda estou mais rápido que o pretendido.

Consigo encontrar motivação e voltar a correr forte. As pernas finalmente começam a dar sinal de cansaço por todo o sobe e desce até aqui. Mas como falei anteriormente, chega a ser fácil manter o ritmo neste final. E por um simples motivo: você sabe que depois de 3 km vai acabar. Então continuo focado, cansado, rápido e quando percebo, já acabou. Tempo da brincadeira desta vez : 1:33:32. Esse é o meu terceiro melhor tempo em meia maratonas.

Foi uma corrida dura por vários motivos: o percurso, a temperatura e o fato de se correr sem apoio até o km 19. A corrida é realmente bonita, mas chamar de " a mais bela corrida do mundo" é um grande exagero. Existem outras corridas, inclusive algumas que eu já corri, que são mais belas que está. Mas não deixa de ser interessante o fato de se correr numa região cercada de parreiras por todos os lados. E por falar nisso, vou lá comemorar meu tempo com um vinho local e um polvo a lagareiro. Então até a próxima, em alguma estância por aí.


Aqui, o gráfico do Garmin da prova:



E aqui o meu pace, km a km:

1 4:33.0
2 4:28.9
3 4:27.0
4 4:28.3
5 4:19.1
6 4:21.3
7 4:29.2
8 4:29.1
9 4:22.6
10 4:18.0
11 4:26.0
12 4:26.5
13 4:24.7
14 4:22.8
15 4:25.3
16 4:31.8
17 4:33.3
18 4:31.5
19 4:31.5
20 4:29.7
21 4:08.4
22 0:25.3

Summary 1:33:33






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