Miami sempre foi um dos meus destinos preferidos. Talvez por ser um lugar que eu vou desde pequeno, talvez pelo fato de ter sido lá que corri minha segunda meia maratona, no longínquo ano de 2004, o fato é que apesar com todos os seus problemas imigração e conservação, Miami sempre foi uma cidade simpática, pelo menos para mim.
Pois neste mês de agosto, inusitadadamente , fiz 3 voos para Miami. 2 destes eram voos de escala e o outro fui chamado no sobreaviso. E como é verão em Doha, é nos pernoites que faço meus treinos outdoor. Ou seja, teria 3 treinos em Miami. Inicialmente, fiquei empolgado, pois Miami tem um excelente astral para corrida. Além de várias rotas de corrida, incluindo a corrida na praia ( Miami Beach) é um lugar onde sempre se encontra pessoas praticando exercícios na rua, seja correndo, andando de bicicleta ou de patins, e isso é muito legal.
Porém, o bom ambiente outdoor não é garantia de treino fácil. Agosto também é verão no hemisfério norte e com isso as temperaturas em Miami podem ficar bastante altas, na casa dos 30 graus e com um forte agravante: extremamente úmido, ou seja a pior combinação para a corrida. Para mim era particularmente ruim, pois como estou neste treinamento o RLRF, todos os treinos tem alta intensidade, se tornam mais difíceis neste cenário.
Como na maioria dos lugares que pernoito,tenho um " percurso padrão ". Em Miami, normalmente, saio pela Venetian Way, que é uma simpática ponte que passa por algumas ilhas, até chegar em Miami Beach. Para os treinos mais longos pode se correr na praia e depois retornar. No primeiro voo, o treino era um 12 km de ritmo ( 4:41 min/km). Normalmente vou reto na Venetian Way para chegar logo na praia. Desta vez, decidi que entraria nessas " ilhas" e depois voltaria. Chequei o percurso no " foot path" e conclui que apenas com essa modificação de entrar nas ilhas completaria os 12 km. O objetivo desta modificação era evitar ter que cruzar sinais e consequentemente perder o ritmo. O plano estava traçado.
Sai no nascer do sol, o que já se mostrou um erro. O calor aumenta muito rapidamente depois do nascer do sol, ou seja, deveria ter saído um pouco mais cedo.Comecei o treino em um ritmo até um pouco mais rápido do que o pretendido. Nunca tinha entrado nessas ilhas e foi bem interessante pois as casas são bonitas, o que faz que o treino passe mais facilmente. Até o km 5, segurei um pouco o ritmo, pois quando olhava para o Garmin e via o ritmo uns 10 segundos mais rápido que o pretendido, reduzia um pouco para manter me no ritmo pretendido. Essa " técnica " mostrou-se acertada, pois quando a temperatura e a umidade aumentaram, somada ao cansaço comecei a perder um pouco do ritmo. Corria em torno de 5 segundos mais lento do que ritmo pretendido. Pode parecer um bom ritmo mas o problema era que a força que eu estava fazendo para manter esse ritmo era muito maior do que deveria ser para um treino de ritmo. Terminei o treino com o ritmo médio exatamente como planejado, isso graças aos segundos mais rápidos na primeira metade do treino. Apesar de bom, foi um treino bastante desgastante. Para se ter uma melhor ideia, segue gráfico do Garmin.
Na semana seguinte voltei a Miami. O treino seriam 10 km de ritmo. Optei por fazer os treinos de ritmo nos pernoites por serem os mais longos da planilha. Mas antes de chegar em Miami, já havia mudado de ideia. Como o treinamento atual é para 5 km, os treinos tem no máximo 10 ou 12 km. Isso é bom para treinar na esteira mas pouco para a rua. Como queria correr um pouco mais, decidi fazer um treino de pelo menos 16 km, porém em ritmo confortável.
Iniciei esse treino um pouco mais cedo. O plano era ir até Miami Beach, correr pela praia e voltar. Apesar de estar correndo em um ritmo de aproximadamente 5:30 min/km, praticamente 1 min/km mais lento que os treinos de ritmo, não estava fácil manter aquele ritmo. Isso é algo curioso: minha " corrida confortável " normalmente é no pace de 5:30min/km. Mas depois de algumas semanas treinando forte, esse ritmo deixa de ser confortável. Claro que eu poderia acelerar mas o " default" do corpo avisa que esse ritmo é o ideal ( apesar de não ser!!!). Incrível essa " memória muscular".
Cheguei em Miami Beach em uma manhã nublada e abafada. Na praia estava um pouco melhor ( ou seria menos pior?) devido a uma brisa marítima que soprava. Com isso corri um pouco mais que o previsto na praia, apesar do ritmo ter diminuído um pouco. Na volta percebi que se fizesse o mesmo percurso praticamente completaria 20 km. Decidi então manter o percurso e dar uma esticadinha para completar 21 km. É absolutamente psicológico, mas sempre que um treino se aproxima dos 19 - 20 KM, tenho a tendência de continuar até completar os 21 KM. Aproveitei também e acelerei o ritmo para 5 min/km nos últimos 5 km. Fiz essa aceleração por ser uma técnica ,que ouvi falar outro dia, que diz que durante um treino longo visando velocidade, você pode correr os primeiros km confortável, pois o corpo está descansado, e acelerar no fim, para simular a reação do corpo ao stress depois de já estar desgastado. Foi um treino bom( mas não menos duro), e os 5 km finais foram incrivelmente mais fáceis ou pelo menos no mesmo nível de dificuldade dos outros km. O treino do Garmin e as parciais estão aqui:
Na semana seguinte, adivinha onde eu estava? Sim!! Miami de novo!!! Esse treino vou contar no próximo post, mas para deixar um resumo ( ou spoiler!!) aqui, era um treino de ritmo de 14 km, praticamente igual ao primeiro treino de 12 km. Fiz o mesmo percurso do primeiro treino, porém próximo da metade do treino " quebrei" de forma que nunca tinha visto antes. Foi tão atípico e diferente que acho que o fato merece um post à parte.
Enfim, essa foi Miami, com suas belas paisagens, clima desafiador, especialmente no verão, e bom astral para corrida. Não foram treinos fáceis mas entraram para a história dos treinos de corrida de agosto. Se fosse resumir Miami para corrida em poucas palavras estas seriam: Belo, Encantador......Quente, Desafiador.





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