Cada treino é um treino. Treinamos tiros para estimular a velocidade. Fazemos longos para treinar a resistência. Corremos ritmo para acostumar com o dia da prova. Meu recorde pessoal na meia maratona foi feito com base em um treinamento simples de uma revista. Porém esse treino apresentava muita variação de ritmo, e acredito realmente esta ser a chave do sucesso, junto é claro do volume.
Ainda assim, treinos iguais em intensidade podem ser
completamente diferentes. Aqui vários fatores já comentados antes como sono,
alimentação, temperatura, umidade, fadiga entre outros entram para chegar no
resultado final desta conta. E por mais que seja normal essa diferença de
sensações, ainda me impressiona quão grande podem ser essas diferenças.
No treinamento do RLRF os ritmos de cada treino são
minuciosamente determinados. Quando treino na esteira, NORMALMENTE não
tenho muito problema, pois simplesmente coloco a velocidade lá e só tenho que
me manter em cima da esteira. O normalmente aqui fica por conta dos treinos
mais longos. Explico. Quando vou fazer 10 km de ritmo na rua e analiso as
passagens do Garmin depois do treino, vejo que existem km mais lentos que a
média e outros mais rápidos que a média. E isso faz com que o treino seja fácil.
Esse mesmo treino na esteira se torna extremamente desgastante, pois acabo
mantendo a velocidade em trechos que seria melhor reduzir, e ter essa
sensibilidade na esteira é bastante difícil.
Fiz 2 treinos " iguais". A planilha falava em ambos -
10 km em ritmo, o que significava 4:41 min/km. No primeiro estava em São Paulo,
no segundo em Miami.
Em São Paulo acordei na disposição. A temperatura de 9 graus
ajudava. Um pouco de aquecimento com alguns tiros para preparar o organismo
para a paulada e vamos lá. O primeiro km já sai em 4:26 min/km. Sempre
considero o primeiro km um bom indício de como se está no dia. O treino vai
fluindo pelo cenário feio do entorno de Guarulhos. Na falta de um belo visual
vou focando no ritmo. Este vai melhorando sem tornar a corrida mais difícil.
Existe uma progressão natural no treino. Fim da brincadeira 44:18 minutos. O
treino acaba com aquele gostinho de quero mais. Mas por hoje era isso.
2 semanas depois: Miami. Rigorosamente o mesmo treino. (
mentira!!! – Esse de Miami eram 12KM , mas no mesmo ritmo). No aquecimento já
fico bem suado, resultado de uma umidade de 84% e uma temperatura não
muito amigável de 26 graus as 6:45 da
manhã .O primeiro km sai quase rigorosamente igual à SP, porém o desgaste nos
km seguintes é bem maior. Consigo controlar a corrida e manter o ritmo
pretendido. Porém, o desgaste no final é infinitamente maior do que em SP e o
treino termina com um gosto de “ufa, ainda bem que acabou” – e isso não por
causa dos 2 km à mais.
Aonde quero chegar com esse texto? Bem sabemos que vários
fatores como tempo de descanso, alimentação e quantidade de treino acumulada na
semana/ mês podem influenciar um treino. Porém, os 2 fatores que mais afetam a
performance, na minha opinião, são a temperatura e a umidade.
Existem tabelas mostrando que depois de um aumento de x graus se
aumenta se tem uma perda de y de performance. Nunca usei essas tabelas, mas por
experiência própria sei que consigo compensar melhor a falta de sono e a
alimentação do que a temperatura e umidade.
E qual a vantagem de um treino ou outro? No treino com condições
melhores ( como foi o caso de SP), o desgaste é bem menor. Até teria condições
de correr mais rápido, porém o objetivo do treino não era velocidade e sim
ritmo.Sem dúvidas é um treino mais prazeroso de se fazer e apesar da
intensidade relativamente alta, a recuperação é muito fácil.
Já o treino mais duro ( Neste caso aqui MIA) o esforço é bem
maior. A vantagem é poder treinar a fadiga e stress e aprender a controlar ou
pelo menos postergar essa fadiga. É
duro, mas tem um papel fundamental no treinamento, inclusive no ponto de
vista psicológico, pois a concentração e o foco são fundamentais para terminar
tal treino.
Em suma, cada um com sua característica, prós e contras, treinos
ditos “iguais”podem ter sensação de esforço completamente ambiguas. O
importante do treinamento é saber apreciar as diferenças e tentar tirar o
melhor de cada treino. Dessa forma acredito me tornar um corredor mais
resistente, versátil e completo.
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