Minha primeira meia maratona foi com um tempo um pouco abaixo de 2 horas (1:58:51). Logo depois disso, baixei para a casa de 1:40 - 1:45 e me mantive lá até 2006. Mais um tempo se passou (2008) e avancei para a casa de 1:35.
Tinha como melhor tempo na meia 1:33:33 feito na fria meia maratona de Atlantic City em 2008, quando resolvi buscar o sub 1:30. Mudei o treinamento, fiquei mais lento nos treinos de rodagem e mais rápido nos treinos de velocidade, que também se tornaram mais frequentes. Isso foi em 2013 -2014.
Durante o treinamento, em fevereiro, corri a meia de Ras Al Khaima em 1:31:35 e sabia que estava muito próximo do sub 1:30. Em abril, corri Budapeste e finalmente sub 1:30 -- 1:29:28 ( não fiquei muito feliz porque meu GPS marcou 21.1 km, o que é o mínimo, ou seja, havia uma chance da prova ter uma distância menor que a meia. Normalmente não me incomodo com isto, porém como tinha apenas poucos segundos de " sub 1:30" desconfiava que não teria feito 1:30.) Meu novo tempo passou a ser entre 1:30 e 1:35 e em fevereiro de 2015, em Barcelona, finalmente consegui um " feliz" sub 1:30 ( 1:29:04 -- meu recorde até hoje).
Porque toda essa introdução? Porque vou correr em Santa Pola ( 30 km sul de Alicante) na semana que vem. Tenho treinado bem, com tempos consistentes como quando treinei para Barcelona. Porém quando penso em um tempo para a prova ( sempre faço isso -- baseado na minha condição atual, o treinamento feito e o percurso, projeto um tempo para a prova -- normalmente não erro por mais de 1 minuto), penso em 1:31 - 1:32.
Mas se eu estou tão bem quanto em Barcelona, porque não pensar em um sub 1:30? Ou eventualmente até um recorde pessoal? Bem, porque existe um fator fundamental nesta equação. Esse é o fator psicológico. Algumas marcas são " sonho de consumo " de todo corredor. Eu colocaria como meu sonho de consumo as marcas de sub 40 nos 10 KM, na meia maratona sub 1:30 e sub 3:30 na maratona. Dessas 3, atingi a marca apenas na meia. ( ainda assim, vale mencionar o meu melhor tempo nos 10 km - 41:04).
Esse fator psicológico também existe para mim, no pace de 4:30'. Quando consigo fazer um treino de 10 km com esse pace ou abaixo ( ou seja 10 km em 45 minutos), fico extremamente satisfeito, mesmo sendo um tempo que consigo atingir com relativa facilidade. Talvez o fato de ter buscado tanto essa marca, e ter ficado tão satisfeito ao atingir tenha criado uma mágica à essa marca.
A verdade é que estou indo para essa prova relaxado. Acho possível fazer um sub 1:30 e um pouco mais improvável, mas ainda possível um recorde pessoal. Com certeza o fato de já ter feito o sub 1:30 colabora para essa tranquilidade.
Então resolvi adotar a seguinte estratégia: vou tentar correr o mais constante possível. Talvez um pouco mais lento ( em torno de 5 segundos) nos primeiros km, pois já percebi que tenho uma tendência de melhorar depois de aquecer. Depois vou ficar naquele ritmo que eu adoro e que carinhosamente chamo de confortavelmente desconfortável. Vou tentar olhar pouco para o relógio e deixar a corrida fluir naturalmente.
A vantagem dessa estratégia é o fato de não ser influenciado pelo pace. Quando se tem uma meta de tempo, sabe-se exatamente o pace mínimo para atingir essa meta. Olhar para o GPS e estar com " atrás " do objetivo, gera uma ansiedade, pois psicologicamente sabe-se que terá que correr mais rápido do que a meta, que por sua vez já não é baixa. Sem meta, essa pressão não existe e não precisa se preocupar tanto com o pace.
Mas também existe uma desvantagem: Vamos considerar, hipoteticamente,que no final da prova faltaram 12 segundos para fazer um sub 1:30. Nesse caso, se tivesse olhado para o relógio e apertado um pouco o pace, talvez fosse possível ter batido uma marca ou um recorde. Isso já aconteceu com o corredor profissional Eluid Kigchoge. Por correr sem relógio, ele não sabia qual era seu pace. No final completou a maratona em 2:03:05, ficando apenas a 8 segundos do recorde mundial atual (2:02:57)Em entrevista após a prova, reconheceu que poderia ter acelerado um pouco mais se soubesse estar tão próximo ao recorde.
Vantagens e desvantagens a parte, minha estratégia está traçada: forte, confortável e sem pressão. Se vai funcionar ou não? Resposta no domingo, dia 23 de janeiro.
PS - Esse texto acabou de ser escrito no dia 19, no avião indo para Barcelona. Por isso, a publicação só vai acontecer depois da corrida. Mas todas as ideias e objetivos foram determinados bem antes da prova.
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