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Wings for Life - Munich


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A wings for life é uma prova de corrida diferente das tradicionais e que chegou a sua quarta edição. Eu, que já buscava participar desta prova nos últimos anos , consegui correr a prova pela primeira vez. Na prova, todo dinheiro arrecadado vai para a pesquisa  da lesão na medula espinhal, o que já seria motivo suficiente para participar de tal prova.

A corrida  acontece em 30 cidades ao redor do mundo. Além da dificuldade logística de se montar tantas provas em todos os continentes, a largada ocorre simultaneamente. Assim, enquanto no Brasil  ( a etapa no Brasil foi em Brasília pelo terceiro ano consecutivo) a largada é as 8 da manhã, em Munich, onde eu escolhi correr a prova , a largada foi à 1 da tarde. Já quem correu em Melbourne teve que largar às  9 da noite.

Porém o motivo real pelo qual eu buscava correr essa prova é o seu  inovador modelo.  A prova não tem linha de chegada. E como funciona então? Você larga e 30 minutos depois  o “catcher car” ( carro perseguidor)sai na velocidade de 15 km/h e tem sua velocidade aumentada em 1 km/h a cada hora. Quando o catcher car passa por você a corrida acaba. Ganha quem conseguir correr a maior quilometragem.  Na minha opinião simplesmente fantastica a ideia.

A largada em Munich aconteceu no Olimpik Park. A temperatura de 10 graus seria perfeita não fosse a chuva que caia continuamente desde a madrugada. Os primeiros 3 kms foram lentos. Uma prova com tantos apelos acaba atraindo muitos não corredores a participar pelo simples fato de ajudar a causa. Aliado a isso, o Olimpik Park apesar de belo era bem estreito para a quantidade de gente que estava correndo.  Mas o legal desta prova é isso:  Correr 1 km a mais ou a menos não faz tanta diferença. O importante é se diverter correndo. Até que o catch car chegue em você.

Existia um aplicativo que você colocava o seu ritmo de corrida e ele dizia quantos kms você iria correr antes de ser alcançado pelo catch car. Fiz o cálculo e esperava algo entre 25 a 30 km. Com a perda de ritmo inicial, pensei que poderia “perder”alguns km, porém como o objetivo era a diversão, não dei muita importância para isso e segui correndo. Depois do km 3 entramos em uma avenida bem larga onde ficou mais fácil de correr. Não chegava a ser uma área bonita mas estava bom para correr. A chuva aumentou mas como já estava aquecido achei até bom.

Por volta do km 8 entramos em um parque. O parque era bonito, como quase todos na Alemanha. O problema era que aquele piso de terra batida tinha virado lama. Muita lama. Nas partes planas estava até fácil de correr. A dificuldade vinha nas subidas e descidas. O piso estava bem escorregadio principalmente nas descidas. Consegui me equilibrar o suficiente para não cair e continuar correndo ou tentando correr.

No km 14 acabou o parque e pegamos uma estrada saindo da cidade em direção noroeste. Nesta parte da prova, comecei a sentir as pernas  cansadas. Tinha corrido a meia maratona de Enschede duas semanas antes e por ter feito uma rápida meia maratona ainda não tinha me recuperado completamente. Mas continuei correndo, afinal de contas essa é uma vantagem de não se ter a linha de chegada, quando cansar é só parar.

Mas não parei e no km 20 entramos na parte da prova com o visual mais legal. Era uma dessas estradas usadas para fazer viagem de bicicleta pela Europa ( sim, existem estradas para isso). Essas estradas passam por sítios e fazendas e é possível ver o interior da Europa. Passei a marca da meia maratona com o tempo de 1:39:54. Como normalmente não corro mais do que a meia maratona  não tinha muita idéia de que ritmo aguentaria manter daqui para frente. Resolvi tentar manter o ritmo que vinha mantendo até aqui, apesar das pernas já estarem me pedindo Weissbier.

A chuva parou, o visual continuava encantador e fui me aproximando do grupo de marcação de ritmo de 30 km. Cheguei junto do grupo no km 27. Já estava bem cansado e decidi correr junto com o grupo nos últimos km. Por volta do km 29 consegui avistar o catcher car vindo lá atrás. Pensava que quando soubesse que iria ser “capturado” iria dar um sprint final mas não tinha mais perna para isso; tudo que eu queria era passar os 30 km e que o carro me ultrapassasse e eu pudesse ir para o bar comer um belo joelho de porco com cerveja. Me mantive correndo depois do km 30 e finalmente fui pego com 30,88 km.

A Wings for life foi tudo que eu esperava . Um conceito novo, uma prova diferente onde o principal atrativo é não pensar em no tempo em momento nenhum e correr apenas pelo prazer de correr. Uma prova que realmente recomendo a todos e espero correr  novamente.
Até a próxima


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