Pular para o conteúdo principal

Dezembro: Primeiro mês de treinamento para Maratona : Entre treinar e dormir


           

Fiquei um tempo sem postar porque meu computador quebrou. Mas agora estou de volta.


Eis que chega dezembro e com ele o início dos treinos para maratona. A prova escolhida ( Rock n’Roll Washington) está marcada para 10 de março. Assim, começando em dezembro, tenho 3 meses e meio ( 14 semanas) de treinamento . O meu planejamento falava em 16 semanas. Mas percebi que as 3 primeiras semanas faziam parte da base.  Então fiz uma semana de “ base” ( o meu treinamento anual é sempre uma rodagem, ou seja a base está sempre lá ) e então começou  a parte dura do treino.

No começo, foi duro mesmo. A semana é dividida em 1 intervalado (tiros), 1 tempo run, 1 longo e 3 rodagens. Como já disse no outro post, por causa dos voos é muito difícil treinar 6 dias. Em uma semana consegui, mas na maioria das vezes são 5 treinos: abandono um dos treinos de rodagem  e aumento o longão de acordo com a outra planilha.

Os treinos de tiro começaram com 400M. Isso foi bom pois eventualmente quando treino tiro, são 800 M. Assim tive algumas semanas para me adaptar. O treino de tempo run comecei a fazer em um ritmo mais rápido que o previsto para a prova. Por falar nisso estou acreditando em um ritmo entre 4:45 e 5:00 min/km, o que seria um tempo entre 3:20 e 3:30. Os longões ainda não assustaram e o maior foi de 22 km.

Uma grande mudança foi no volume. Realmente não me lembro o maior volume mensal que já fiz. Em dezembro, fiz 234 km. Se não for o maior volume que já fiz, vai ficar muito próximo. Lembrando que minha media mensal é de 160 km, isso em um mês muito bom. E esse é só o começo.

Mas a maior diferença até então está no horário dos treinamentos. Sempre gostei de correr de manhã. De preferência cedo. A temperatura é mais amena, o corpo está mais leve pois só tem o café da manhã ( ou às vezes nada!!) e principalmente, se aparece um compromisso à tarde o treino já está feito. Já gosto de treinar assim no dia a dia. Quando começo um treino específico para uma prova, normalmente sou aquele corredor que coloca o despertador e ainda acorda antes dele tocar. Porém, neste treinamento não está sendo assim.

Tenho estado preguiçoso. Muito preguiçoso. Tenho acordado às 8 ( às vezes mais tarde) e sem disposição de sair imediatamente para o treino. Então tomo meu café, me atualizo das notícias e quando estou pronto para sair já são umas 9 da manhã. Apesar de não parecer tão tarde, em Doha este inverno esqueceu de aparecer. Neste horário já está uns 25 graus. Pode também parecer uma temperatura tão alta, mas para treinar tiros, tempo run ou longo ( rodagem ainda vai lá ) é muito difícil.

Então descobri novos horários de treinamento. 5 da tarde é um pouco antes do por do sol. Começo a treinar com alguma claridade e termino no escuro. A temperatura já aliviou nesta hora. Quando o treino é um pouco mais longo, início por volta das 4:30. Como os treinos tem normalmente um pouco mais de uma hora, acabo um pouco depois das 6, o que é ótimo pois não chega a ser tarde suficiente para me deixar agitado para dormir. Também não tenho sentido o “peso da comida” na hora de correr.

Sempre acreditei no tripé da corrida ( já escrevi sobre isso também ) : Alimentação , treino e descanso. A alimentação já estou acostumado e sigo na teoria de que “ time que está ganhando não se mexe”. O treino vai muito bem, com uma adaptação melhor do que a esperada para o aumento repentino de volume. No descanso, o corpo está pedindo mais. Talvez pelo aumento do volume de treinos. Talvez só por preguiça mesmo. A mensagem aqui é a seguinte: OUÇA O SEU CORPO.

Ainda que pese a minha preferência pela manhã ( alguns dias quando acordo mais cedo ou quando não está tão quente ainda treino de manhã…… e continuo preferindo este horário ) tenho que admitir que aprendi a gostar deste novo horário de treinamento. Mais uma adaptação que a corrida mostrou possível de se fazer.  E assim, aceitando mudanças e ouvindo meu corpo sigo correndo em direção a maratona ……. Que agora está mais perto.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Que Preguiça

                                                                                                      Todo fim de ano é a mesma rotina: escolhe prova para correr, começa o treinamento, aumenta o volume de treino, depois aumenta a velocidade, passa pela fase de polimento até chegar na prova alvo do ano. Com uma semana de férias em março, o ciclo de treinamento começou no final de dezembro. Desta vez escolhi usar a mesma planilha que usei em Osaka no ano passado, que tinha comprado na Internet por 10 dólares. É bem simples mas para o tempo pretendido da para o gasto. Mas o problema não é a prova, ou a planilha: o problema é o treino. Essa planilha tem algo como 55 treinos em 12 semanas. No ano passado perdi apenas 2 desses trein...

Mexico Mexico

                                                                                                                                                     Este é outro daqueles textos que deveriam ter sido escrito anos atrás, afinal este é exatamente o tipo de texto pelo qual este blog existe. A primeira vez que fui à Cidade do Mexico foi em 2006, ainda na Varig. Foi apenas um voo e não pensei em correr por lá pois na época ainda não tinha essa ideia de toda vez que vou para um lugar novo querer carimbar uma nova conquista com um treino, nem que seja curta. Fast forward para o ano de 2016. Volto ao México mas não vou para ru...

A Tal Resiliência

                          Muito falada, muito badalada, mas o que é realmente essa resiliência? Na definição pura e simples, significa ter a capacidade de se recuperar depois de uma adversidade. Em outras palavras, sair da zona de conforto e se adaptar. A resiliência pode aparecer em diversas situações ao longo da vida. Mas por se tratar de um blog de corrida, vou usar 2 exemplos meus na corrida. Meia maratona de Campinas. Já tem um texto aqui falando dela. Mas foi justamente escrevendo aquele texto que tive a ideia de fazer este. Após a meia maratona, tive um voo para Bogotá. Após um pequeno cochilo lá fui eu para o parque metropolitano Simon Bolívar. Uma rodagem de 9 KM com o ritmo bem tranquilo de 5:47 min/ km. Uma distância que percorro normalmente com um pace até abaixo do normal. Mas então, o que teve essa corrida de tão especial? O fato de ter corrido uma meia maratona no dia anterior e descansado pouco após...