Jack Daniels é um dos treinadores mais conhecidos do mundo. Já treinou a seleção americana em olimpíadas e tem seus livros como best seller entre os livros de corrida. Realmente não se pode tirar seu crédito quando se fala de treinamento de corrida.
A alguns anos atrás, comprei o Daniel’s Running Fórmula, seu livro mais famoso. Li o livro e existem vários conceitos de treinamento muito interessantes. O VDOT que é uma tabela que determina o seu ritmo em cada tipo de treino, baseado em seu pace em uma prova recente parece ser muito acurada no que se propõe. Entretanto, assim como no ano passado, na hora de escolher o treinamento da maratona Daniel’s aparece como um forte candidato mas no fim acaba derrotado por outro programa ( ano passado foi o Hansen com uma adaptação, esse ano apenas uma planilha de revista). A pergunta é: Porque sempre desistir do Jack Daniels ?
A resposta direta é: Jack Daniels é chato. Primeiro por não apresentar apenas 1 programa, mas vários o que já dificulta a escolha inicial. Ainda assim, consegui fazer a minha escolha : tenho simpatia por um programa chamado 2Q. Nesse programa, existem 2 corridas de qualidade na semana. Essas corridas são longas ou “ meio longas” e acontece de tudo nelas : rodagem, tiro, tempo run e volume. Elas representam algo como 50 a 60% dos treinos da semana. O resto é rodagem para completar a distância semanal.
Sempre que olho para esse treino, gosto dele. O ponto positivo é a flexibilidade. Só preciso de 2 dias por semana para treinar bem. O resto pode ser feito em 2, 3 ou 4 dias. Com uma escala que varia muito tendo semanas mais folgadas e outras mais apertadas é um excelente programa.
O problema são exatamente os 2 dias de qualidade : Essa variação de ritmo dentro do mesmo treino é difícil para mim. Fiz alguns testes de correr conforme a planilha e achei bem difícil variar os ritmos. Na minha cabeça, se saio para fazer tempo Run, o treino vai ser um aquecimento mais tempo Run. Não tem essa de correr um pouco de tempo Run depois fazer alguns intervalados e voltar para o tempo Run. É possível de ser feito, mas é difícil. Outro problema é a rodagem: como fico rodando o ano todo ( e isso não é uma reclamação, apenas uma constatação do que acontece por causa do calor no verão ) na hora de treinar quero uma variação de ritmos. Até pode ter um ou dois treinos de rodagem, mas quero mais treinos com ritmos diferentes. E aí o Jack Daniels perde de novo.
Toda essa historinha para contar que comecei a treinar para a maratona. Apesar de ter achado o treino do Hansen no ano passado bom, achei muito desgastante nas últimas semanas. Dessa vez estou com uma planilha simples de revista que tem um básico de longo, intervalado, tempo run e rodagem e ( o mais importante) 2 treinos de musculação na semana. Minha aposta em relação ao ano passado é um pouco menos de volume que foi substituído por treinos de fortalecimento muscular. Acredito que a musculação ajuda bastante na recuperação e diversifica o desgaste de “ só correr” como foi no ano passado.
Não foi desta vez ainda que o programa do Daniel me convenceu. Flerto com ele mas no final acabo me decidindo por um programa mais clássico. Ainda acredito que algum dia, eu vá treinar baseado neste programo que já se mostrou competente para inúmeras pessoas. Enquanto esse dia não chega, sigo correndo com a minha planilha simples porem ainda altamente eficaz.
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