Pós maratona é sempre assim: redução do volume de treinos, falta de estímulo para treinar, preguiça mental. Afinal de contas, o grande objetivo do ano já foi alcançado. Entretanto, desta vez foi um pouco menos desgastante. Não sei se por ter treinado menos ( foram uns 250 km a menos do que no ano passado) ou simplesmente por estar me acostumando com distâncias maiores. O fato foi que em 2018, depois da maratona em Washington, abril foi o pior mês do ano, sendo o único mês no ano em que corri menos de 100 km. Já esse ano foi bem diferente e abril foi um mês que pode ser classificado até como acima da média ( não sei exatamente quanto, mas algo em torno de 150 km).
Em Frankfurt fico hospedado no aeroporto e já tenho um percurso padrão a percorrer: É um bosque que fica a uns 2 km do aeroporto. Durante o treinamento da maratona, sempre que tinha voo para Frankfurt, programava de correr os intervalados ou tempo run neste pernoite. Isso porque além de ser perfeito usar esse 2 km para chegar no bosque como aquecimento / desaquecimento, a volta do bosque é um belo percurso de terra batida ( algumas pedras no caminho devido aos caminhões que retiram Madeira é verdade) com bons 4 km. Assim fica fácil controlar um treino de 4/8/12 mais o aquecimento/ desaquecimento. E para melhorar a temperatura sempre fria ajuda a correr mais rápido ....... nem que seja para esquentar. O percurso normalmente é este aqui:
No meio desta busca por novos estímulos, tinha um voo para Frankfurt. Apesar de gostar muito do “ meu” bosque (já corri diversas vezes ali), estava em busca de algo diferente. Depois de algumas consultas no map my Run descobri que se ao invés de entrar no bosque continuasse pela pequena estrada à esquerda chegaria em um pequeno vilarejo. Depois de cruzar este haveria uma ponte que terminava no Rio Reno ( ou um dos afluentes) . Se dobrasse a esquerda iria na direção de Mainz. Cheguei a ficar tentado a correr até Mainz. Mas seria uma corrida muito longa ( não lembro quantos km seriam mas era bastante). Como tinha que voar a noite decidi deixar esta para uma próxima vez com mais tempo. Mas dobrando a direita, eu continuava na margem do Reno. Depois de alguns km quando uma highway estivesse passando por ali era só dobrar a direita deixando a estrada na minha esquerda. Depois de passar por uma pequena área urbana, voltaria para o bosque e depois mais 2 km até o hotel. Estava traçado o meu mais novo percurso de Frankfurt.
No dia seguinte, acordei cedo e por volta das 7:30 já estava correndo. A temperatura na casa dos 15 graus era perfeita e o dia ensolarado com poucas nuvens completavam a perfeição do cenário. O percurso não parecia ter muitos lugares para errar: A pequena estrada, já vazia no dia a dia tornava-se mais deserta por se tratar de um sábado de manhã. Corri pela estrada mas quando estava quase terminando-a percebi que poderia ter corrido por uma trilha de terra paralela à estrada. Correndo e aprendendo.
O pequeno vilarejo foi uma bela descoberta. Era como se fosse uma “ mini - Mainz”: Alguns restaurantes, poucos cafés em uma vila calma e pacata que parecia saída de algum filme dos anos 60. A chegada no Rio Reno é o ponto alto do treino: aquela bela paisagem com uma ciclovia compartilhada que parecia não ter fim. Para qualquer lado que se corresse seria bom. O bom deste tipo de treino é não se preocupar com o tempo, quantos km foram percorridos e muito menos o pace. O importante aqui é apreciar a paisagem e a descoberta de novos destinos.
O cruzamento da highway apesar de pouco charmoso é extremamente fácil. Essa é uma das grandes vantagens da Alemanha ( na verdade da Europa ou Estados Unidos): Tudo é muito bem sinalizado e preparado para o trânsito seja de pedestres ou de bicicleta. Fica até fácil correr assim. A pequena área urbana são só algumas ruas que se cruza na direção do bosque. O bosque apesar de aparentemente familiar é bem diferente. É porque tem uma linha de trem que cruza o bosque. Sempre fico de um lado do trilho. Hoje estou do outro lado. É bem parecido e até menos explorado pois não tem estrada para caminhões como do outro lado. Cruzo para a parte “ conhecida” do bosque por um underpass. Agora é só completar a volta do parque e percorrer os 2 km entre o bosque e o hotel. Está concluído mais um treino em Frankfurt.
Treinar para uma maratona ou qualquer outra prova é muito legal. Porém não menos divertido é correr por correr. Com a possibilidade que tenho de estar em lugares diferentes, com percursos inusitados essa “ corrida sem compromisso” fica ainda mais interessante. E assim sigo procurando novos percursos e desafios. Abaixo o percurso deste novo treino.


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