Pular para o conteúdo principal

O Prazer do fim da Corrida




Image result for run monotony    Image result for run    Image result for run alone



Correr é um esporte solitário, repetitivo e monótono. Assim sendo, difícil não pensar eventualmente o motivo pelo qual se continua correndo. A primeira resposta para essa pergunta é simples: Fazer uma atividade física.

Dentre todas as atividades físicas, a corrida é a mais democrática. Um short e um par de tênis e está resolvido o problema. Além disso, existe a possibilidade de correr em ( quase) qualquer lugar, o que me ajuda muito devido aos voos. Porém, apesar da resposta ser simples, não é totalmente verdadeira pois existem determinados dias que devido ao cansaço ou a temperatura, por exemplo, o corpo diz para não ir mas a cabeça acaba convencendo do contrário. Nesse caso o argumento para se continuar correndo pode ser a evolução na corrida.

O treinamento leva a evolução. A evolução leva a melhora de performance. A melhora de performance leva a melhores resultados. Um dos atrativos inegáveis da corrida para mim é a meritocracia. Treinou, recebeu. Simples assim. Por exemplo: No fim do ano passado iniciei um ciclo de treinamento para a Maratona de Barcelona, em março deste ano. Corri a prova e consegui o meu recorde pessoal com o brilhante tempo de 3:24. De março para cá meus treinos reduziram muito especialmente por causa da temperatura em Doha. Se eu tivesse uma maratona para correr hoje, provavelmente conseguiria concluir devido a bagagem de corrida acumulada ao longo dos anos. Porém, certamente o tempo não chegaria nem perto das 3:24. Além do desgaste muito maior sentido pelo corpo. Mas se eu não quero uma evolução neste momento ( que é o caso) pois não tenho nenhuma prova em vista, volto a pergunta inicial: Porque correr?

Essa pergunta surgiu justamente no meu treino de hoje: Estou no meio de um voo para Hangzou, China. Nunca tinha vindo aqui antes e como todo o novo destino que chego gosto de “carimbar meu passaporte de corredor” fazendo um treininho. Cheguei na quarta a noite e na quinta de manhã já tinha encontrado um lugar para correr: Ao lado do hotel tem um parque com um lago no meio. Decidi correr ali porém devido a uma obra neste parque praticamente não se tinha acesso ao lago. Ainda que a beleza do cenário fique prejucada, era possível correr na rua em uma pista reservada para motos pequenas e pedestres. O que realmente complicava era a umidade. A temperatura de manhã cedo ( antes das 6) era de uns 24/25 graus. O problema é que a umidade é de 90%. E ai a sensação térmica dispara. E o treino fica extremamente desconfortável.

Até aqui tudo bem. Afinal de contas, apesar do desconforto, estava explorando um lugar novo e “carimbando o passaporte”. A verdadeira questão veio na sexta feira. Pense bem : Já corri aqui ontem, portanto já não é mais um lugar a ser explorado. O clima é o mesmo de ontem ou seja: úmido e desagradável. Para completar eu não estou em nenhum ciclo de treinamento e nem tenho nenhuma prova em vista. E se fosse para fazer alguma atividade física poderia ir fazer um pouco de musculação na academia. Apesar de toda essa descrição o que eu acabei fazendo? Fui correr !!!

E aqui vem a grande questão deste post. Com todas esses pontos negativos relatos a pergunta é: PORQUE? Devo confessar que não é uma resposta fácil pois foi realmente difícil sair da cama de manhã e ir correr. Ainda assim, passei boa parte do treino pensando no que me fez sair para correr. Mas a resposta só apareceu depois que cheguei de volta ao hotel e tomei um banho. A melhor parte da corrida está quando ela acaba.

Como assim? Ficou maluco? Não gosta mais de correr? Não nada disso. Continuo gostando da corrida. Entretanto, quando o lugar não colabora, nem a temperatura ou nào se tem nenhuma prova no horizonte o estímulo a sair para correr é simplesmente a satisfação de dever cumprido ao final da corrida. Pode parecer contraditório mas nào é. Ao terminar as endorfinas tomam conta do corpo e apesar de todas as adversidades a sensaçào é de que tudo valeu a pena. E desta forma eu continuo correndo.

Procure seus estímulos, trace suas metas, busque seus objetivos. Se nada disso funcionar, corra simplesmente pelo prazer de terminar. Pode parecer propaganda de marca esportiva mas é assim que me mantenho motivado e sigo correndo.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Que Preguiça

                                                                                                      Todo fim de ano é a mesma rotina: escolhe prova para correr, começa o treinamento, aumenta o volume de treino, depois aumenta a velocidade, passa pela fase de polimento até chegar na prova alvo do ano. Com uma semana de férias em março, o ciclo de treinamento começou no final de dezembro. Desta vez escolhi usar a mesma planilha que usei em Osaka no ano passado, que tinha comprado na Internet por 10 dólares. É bem simples mas para o tempo pretendido da para o gasto. Mas o problema não é a prova, ou a planilha: o problema é o treino. Essa planilha tem algo como 55 treinos em 12 semanas. No ano passado perdi apenas 2 desses trein...

Mexico Mexico

                                                                                                                                                     Este é outro daqueles textos que deveriam ter sido escrito anos atrás, afinal este é exatamente o tipo de texto pelo qual este blog existe. A primeira vez que fui à Cidade do Mexico foi em 2006, ainda na Varig. Foi apenas um voo e não pensei em correr por lá pois na época ainda não tinha essa ideia de toda vez que vou para um lugar novo querer carimbar uma nova conquista com um treino, nem que seja curta. Fast forward para o ano de 2016. Volto ao México mas não vou para ru...

A Tal Resiliência

                          Muito falada, muito badalada, mas o que é realmente essa resiliência? Na definição pura e simples, significa ter a capacidade de se recuperar depois de uma adversidade. Em outras palavras, sair da zona de conforto e se adaptar. A resiliência pode aparecer em diversas situações ao longo da vida. Mas por se tratar de um blog de corrida, vou usar 2 exemplos meus na corrida. Meia maratona de Campinas. Já tem um texto aqui falando dela. Mas foi justamente escrevendo aquele texto que tive a ideia de fazer este. Após a meia maratona, tive um voo para Bogotá. Após um pequeno cochilo lá fui eu para o parque metropolitano Simon Bolívar. Uma rodagem de 9 KM com o ritmo bem tranquilo de 5:47 min/ km. Uma distância que percorro normalmente com um pace até abaixo do normal. Mas então, o que teve essa corrida de tão especial? O fato de ter corrido uma meia maratona no dia anterior e descansado pouco após...