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Correndo na Argentina


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Umas férias diferentes. Assim pode ser classificadas as últimas férias, em outubro, quando fui para Argentina. Mas não aquela Argentina conhecida de Buenos Aires, Córdoba e Rosário. Desta vez a viagem foi até o Ushuaia, no fim do mundo. Na verdade era um programa de moto e que acabei me incluído de carro. Entre os longos km  percorridos e percalços pelo caminho, sempre ia encontrando um tempinho para correr. Aqui um pequeno resumo de como foram os treinos.

O grupo iniciou a viagem a partir de Porto Alegre. Como eu não estava de férias ainda, fui de Doha à  Buenos Aires. Dormi em um hotel perto do aeroporto ( aeroparque) e no dia seguinte segui direto para Trelew, uma cidade mais ou menos uma hora e meia de voo de Buenos Aires. Assim que pousei em Trelew já fomos para a estrada, em direção a Caleta Olivia. Chegamos em Caleta Olivia no fim da tarde para sair no dia seguinte cedo. O tempo para encaixar uma corrida era curto. Porém não era o único problema: Peguei uma gripe dias antes de entrar de férias. O dia da viagem até Buenos Aires foi o pior, mas ainda não me encontrava com disposição de acordar mais cedo para treinar. Apesar da vontade de correr em lugares diferentes, resolvi ser prudente e ouvir o meu corpo. Uns dias sem treino nào fazem mal a ninguém.

Depois de Caleta Olivia e Rio Gallegos, chegamos ao Ushuaia. Nesta cidade, conhecida como o fim do mundo, ficaríamos por 2 dias. Já estava bem melhor da gripe e louco para correr no “fim do mundo”. No primeiro dia acordei um pouco mais tarde e preferi passear pela cidade ao invés de correr. Afinal de contas ainda tinha o dia seguinte. E este foi um grande erro. O dia seguinte acordei cedo e pronto para correr; entretanto uma nevasca invadiu o Ushuaia. E com tanta neve....... adeus corridinha. É verdade que a neve era até prevista: Inclusive as motos foram deixadas em Rio Gallegos e um carro foi alugado em função da previsão de neve. Mas a previsão era de que a neve chegasse na parte da tarde, mas acabou chegando mais cedo. E acabou com a minha corridinha no fim do mundo.

No dia seguinte voltamos para Rio Gallegos abaixo de neve e  no outro dia fomos para Calafate. Aqui sim consegui começar a correr. Como já fazia um tempo que não corria, fui logo para um treino de 15 km. As ruas vazia, a temperatura na casa dos 0 C e o visual bucólico da Reserva Laguna Nimez proporcionaram uma bela volta as corridas. No outro dia fomos nos glaciais e no dia seguinte pela manhã de volta à estrada. O pernoite desta vez foi em Perito Moreno.
Por se tratar de uma pequena cidade no interior da Argentina, Perito Moreno não tinha grandes espaços para correr. Ainda assim, como estávamos em um hotel na beira da estrada, fui correndo até a cidade, cruzei a cidade inteira pela rua principal ( não que fosse grandes distâncias), voltei pela rua principal e na chegada ao hotel ainda corri um pouco pela rodovia, a famosa rota 40. Total do treino: 7,6 KM.

De Perito Moreno fomos à Esquel. Nesta pequena mas simpática cidade, fiz um belo treino. Fui até o centro da cidade e voltei. Pode parecer simples. Porém, essa cidade é cercada por montanhas o que faz o visual ser absolutamente incrível. Desta forma nem senti os 10 km de treino.
Próxima parada Bariloche. Cidade famosa por suas estações de esqui, Bariloche tem uma costa com um visual incrível do lago Nahuel Huapi. O downside é que a estrada que margeia este lago em alguns trechos não tem acostamento ou se tem é muito ruim. Corridinha relativamente difícil mas recompensada pelo visual. A temperatura, ainda na casa dos 0 C também ajuda as corridinhas. E assim mais um lugar é explorado na rota.

De Bariloche fomos para o Chile. Foram 2 dias no Chile ( Los Angeles e Los Andes) porém foi um trecho tenso da viagem: Como estavam havendo protestos as cidades estavam muito tumultuadas tendo inclusive toque de recolher. Eu até teria tempo para um treino eventual. Mas as condições políticas do país não permitiram nenhum treino por aqui. Após cruzarmos a belíssima cordilheira dos Andes, chegamos de volta à Argentina. E uma volta em grande estilo. Chegamos em Mendonza.

Mendonza foi uma grata surpresa: Uma cidade muito próxima a cordilheira e com pouca chuva. A solução encontrada foi usar a água de desgelo para irrigar a cidade. Com isso passou a ser uma cidade extremamente arborizada e de quebra ainda aumentou a umidade relativa. Em Mendonza descobri o Parque San Martin: um gigante parque com diversos caminhos para correr. A temperatura de 15 graus fazia a corrida ficar ainda melhor. Foram 11 km de treino que poderiam facilmente ter se tornado 20km tamanha a facilidade e beleza desta corrida.

De Mendonza fomos à Marco Juarez e no outro dia a Tacuarembo. Eram dias longos e que começavam cedo. Desta forma não consegui correr nesses dias. Sobrou então um treininho em Porto Alegre, de pouco mais de 12 km no sábado de manhã. À tarde já estava indo para SP para iniciar a minha volta. Era o fim das férias.

Ainda que não tenha sido as férias ideais para a corrida, os treinos foram bastante  interessantes. Uma Argentina natural, pouco explorada e com um potencial imenso. Isso foi o que encontrei nas minhas corridas por lá. A decepção ficou por conta de não ter treinado em Ushuaia. Era um belo “carimbo no passaporte”, mas não me organizei propriamente.  A corrida que mais gostei foi a de Mendonza, devido ao espetacular parque que encontrei por lá. E não posso deixar de mencionar o clima: Era bem frio para a época do ano ( outubro) ficando em torno dos 0 C. A grande vantagem era que a umidade era baixa, e desta forma apesar de frio, era bem agradável. E assim, com poucos treinos, mas completamente únicos, chegou ao fim esta jornada pela Argentina.



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