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Meia Maratona de Doha 2020



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A prova continua pequena. A organização não evolui muito e continua sendo uma prova pouco atrativa. Entretanto é em casa. E a única. É nessas condições que chego para a Meia Maratona de Doha 2020.

Pela descrição já é possível perceber a falta de entusiasmo pela prova. Mas como tudo tem um lado bom na vida, resolvi encarar a prova como um preparatório ou treinão de luxo, como aconteceu nos 2 últimos anos. A prova alvo deste ano é a Meia Maratona de Berlin, em abril. O treinamento começou no final de dezembro e portanto não tem nem 20 dias de treino. O longo desta semana seriam 16 km o que torna a adaptação para uma meia maratona fácil.

O objetivo é o mesmo do ano passado: Prova em 1:45 ( pace 5:00 min/km) sem fazer força. Se ficar difícil diminui o ritmo. O mais importante é terminar inteiro pois é apenas um treino. Tudo pronto para ser mais uma prova simples pelo Corniche. Só esqueceram de combinar com São Pedro.

Na quinta feira, dia anterior à prova, chove um pouco pela manhã. Mas Doha no inverno é assim mesmo. Enquanto vejo a chuva cair, penso que seria até legal correr com um pouco de chuva. Mas a previsão para sexta é apenas de um dia nublado. Nublado é melhor do que ensolarado penso.

Sexta feira amanhece nublada, conforme combinado. A temperatura de 17 graus é perfeita para uma boa prova. As 6:30 da manhã em frente ao Islamic Museum é dada a largada. Os primeiros kms são preguiçosos como a manhã. Apesar de correr lentamente vou ultrapassando outros corredores e entrando no clima. Antes de completar o primeiro km os primeiros pingos começam a cair.

Não estava previsto, mas me divirto com aquela chuva. É a inesperada “ chuva no deserto”. Já havia feitos treinos em Doha com chuva, porém chuva em uma prova ( Em Doha) é a primeira vez. Algumas poças de água começam a se formar. Vou desviando das poças e continuo correndo e aproveitando a chuva, que vai apertando. No km 3 a chuva já é forte.

O problema da chuva em Doha é o escoamento. Resumidamente não existe. As chuvas são tão raras que a cidade não é preparada para isto. Simples assim. Como a chuva é forte, em menos de 10 minutos começam a aparecer pontos de alagamento. É impossível tentar desviar de poças d’água. A corrida passa a ser com o pé completamente molhado. Molhado não, encharcado.

No km 5 a chuva já virou dilúvio. Chove tão forte que a visibilidade se restringe a não mais de 200 metros. A corrida já entrou em modo aquathon. Apesar de estar completamente molhado e estar sendo atrapalhado pela chuva, consigo manter um ritmo constante. O curioso é que apesar da dificuldade, estou me divertindo. Acho que o fato de não ter nenhum objetivo na prova e aquela condição ser tão inusitada acabam me pegando desprevenido.

A chuva continua forte até o km 8. Eu sigo ali: meio correndo meio nadando. Mas ainda mantendo o meu pace de 5 para 1 pretendido. Passado o oitavo km. A chuva, da mesma forma súbita e imprevisível que começou, simplesmente para. Apesar da rua ainda estar alagada, o fato de não ter tanta água facilita a corrida.

O percurso são 2 voltas de 10 km cada. O problema é que 45 minutos após a largada da maratona e da meia acontece a largada dos 10 km. Isso significa que se você não passar os 10 km em 45 minutos ( Eu estava no meu ritmo pretendido e passei 10 km em 50 minutos) vai pegar todo o “ tráfego “ da largada dos 10 km.

Foi exatamente o que aconteceu: Vários corredores de 10 km, correndo mais lentos o que acaba levando a uma corrida em zigue zague para desviar dos retardatários. As poças de água ainda estão presentes mas já estou tão molhado que nem me dou ao trabalho de desviar delas. Encarando a água e os corredores mais lentos chego no último retorno, no km 15.

Acredite ou não os últimos 6 km foram os mais fáceis: Sem chuva mas com o tempo nublado e boa temperatura. A rua já sem poças d água. Você pode se perguntar: com tanta chuva e sem escoamento, para onde foi toda aquela água? A resposta é simples: organização e mão de obra abundante. Tão rápido quanto a chuva é a chegada de trabalhadores com seus rodos e vassouras. São dezenas distribuídos ao longo da rua espalhando a água. O sistema é longe, bem longe de ser o ideal, mas como emergência funciona.

Com a rua apenas molhada e poucos corredores a frente fica até fácil acelerar um pouco. Mas é só um pouco mesmo. Não posso esquecer que isso aqui é um treino de luxo. Amanhã tem mais.

Depois de 1:45 minutos, exatamente no tempo previsto, completamente molhado e mais importante, sem ter feito muita força, cruzo a linha de chegada. Era para ser uma prova monótona e sem graça. Entretanto a chuva conseguiu colocar um desafio extra: manter a concentração e o ritmo mesmo com as condições adversas. No fim do dia foi uma prova bem molhada ( com certeza a prova aonde peguei mais chuva) e divertida.

Agora é só continuar o treinamento. Rumo a Berlin.
Keep running

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