Não importa quando
você esteja lendo este post. Sempre que é se falar do ano de 2020, a primeira
palavra associada vai ser coronavirus. O vírus apareceu lá no final de 2019
na China. A divulgação do novo vírus foi demorada e atingiu o nível de
pandemia. Os países passaram a buscar o achatamento da curva, que acabamos
aprendendo quase que por osmose que seria evitar a movimentação de pessoas
visando o atraso no contágio e consequentemente evitar o colapso da rede
hospitalar. E o mundo parou.
Voos foram
cancelados, comércios foram fechados, restaurantes não puderam abrir. Imagine
esta situação acontecendo simultaneamente no mundo tudo. É exatamente o que
está se passando. Se alguém conseguisse ver a situação de fora, pensaria
estar em um filme de ficção científica. Inimaginável seria a palavra que eu
usaria.
Com o deslocamento
limitado, a corrida logicamente acabou sendo afetada. Inicialmente todas as
provas de corrida do mundo foram canceladas. Como o objetivo principal é o
distanciamento social, as provas de corrida de rua foram uma das primeiras
atividades a sofrer as consequências. Pior do que isso: acredito que quando a
situação melhorar, as provas de corrida vão ser uma das últimas atividades a
voltar, assim como grandes shows, arquibancada de jogo de futebol e até
cinemas.
Mas é o treinamento,
como fica? Bem, alguns ( poucos)países como a Espanha fizeram o lockdown
total, ou seja só é permitido sair para ir ao mercado ou a farmácia, que por
sua vez são os únicos comércios abertos. Neste caso a solução é ficar em casa
e pensar no máximo em alguns exercícios funcionais ( sim, tem uns malucos
fazendo corrida de 5 km na sala ou 10km entre a cozinha e o banheiro, mas
além de fisiologicamente não servir para nada ainda existe a chance de lesão
por sobrecarregar alguns músculos laterais).
Entretanto outros
países como o Qatar,e grande parte do mundo, é permitido sair para caminhar
ou correr. Só não pode se juntar nem correr em grupo ( que nunca foi meu
caso). E neste caso, como ficam os treinamentos? O assunto é polêmico. Alguns
defendem que não é uma atividade essencial e portanto deveria se ficar em
casa. Outros acreditam que não tem problema nenhum por estar em um espaço
aberto e que até seria bom uma corridinha para manter a saúde física e
mental.
Minha opinião é a
seguinte: Pessoas devem ser responsáveis. Não sendo proibido por determinação
das autoridades, ir praticar esporte individual, como a corrida, deve ser
consciência particular de cada indivíduo. Eu tenho feito corridas esporádicas
e não vejo mal nenhum nisto.
Inicialmente, quando
Berlin foi cancelada, bateu um desânimo. Estava treinando bem e pronto até
para buscar o meu RP. Foi um belo balde de água fria. Continuei correndo mas
apenas as rodagens leves e na maior parte do tempo no meu percurso de quase 9
km ( em torno de 8,7 a 8,9 Km). Com a diminuição dos voos, também tenho voado
pouco e quase sem pernoite. Fiz um voo longo onde corri nos EUA ( Miami e
Dallas) e na Europa ( Bruxelas e Liège). Mas ainda assim sem muito ânimo.
E porque desanimei?
Basicamente por não terem mais corridas. No mundo pré coronavirus, ainda que
participasse de poucas corridas no ano ( na média umas 3 ou 4) sempre existia
a possibilidade de estar num pernoite ou ter uns duas de folga que pudesse
encaixar uma provinha. Ainda que isto não acontecesse com frequência, era
suficiente para me deixar motivado a continuar treinando. A muitos anos tenho
o seguinte objetivo: Estar sempre preparado para correr uma meia maratona.
Claro que não estaria sempre preparado para ir buscar meu recorde, mas com
certeza não faria feio. Sem essa possibilidade o objetivo, que já era
distante, fica quase que utópico.
Para complicar ainda
mais a situação, o verão começa a aparecer em Doha. Com o calor, que torna a
corrida menos prazerosa e os poucos pernoites que eram a minha fuga no verão
tornam os treinos cada vez mais escassos. Ainda assim vou continuar tentando
manter a meta dos anos anteriores: nos meses de verão ( isso em Doha é até
pelo menos outubro) tentar completar ao menos 100 km no mês. Desde que
comecei esta meta fico com uma média de 1 mês por ano que não consigo bater a
meta ( e mesmo assim chego perto, correndo algo entre 85 e 95 nestes meses).
Este ano além da escassez dos pernoites, as férias a princípio também serão
em Doha, uma vez que a fronteira está fechada para os não Qataris o que nos
leva a ficar presos no país ( pelo menos por enquanto).
Enfim, não está
sendo um ano fácil. Mas para vencer isto devemos ter resiliência e paciência.
A resiliência faz a gente aprender alguma lição com o processo e sair desta
melhor do que entrou. A paciência faz que não se apresse o processo e ajuda a
aceitar que algumas atividades vão demorar mais, como as provas de corrida.
Curiosamente eu desenvolvi muito dessas duas habilidades justamente correndo.
Agora é hora de colocá-las em prática no cotidiano.
(Try )to keep running
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Todo fim de ano é a mesma rotina: escolhe prova para correr, começa o treinamento, aumenta o volume de treino, depois aumenta a velocidade, passa pela fase de polimento até chegar na prova alvo do ano. Com uma semana de férias em março, o ciclo de treinamento começou no final de dezembro. Desta vez escolhi usar a mesma planilha que usei em Osaka no ano passado, que tinha comprado na Internet por 10 dólares. É bem simples mas para o tempo pretendido da para o gasto. Mas o problema não é a prova, ou a planilha: o problema é o treino. Essa planilha tem algo como 55 treinos em 12 semanas. No ano passado perdi apenas 2 desses trein...
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