Como contei a alguns posts atrás, o objetivo deste ano
era correr a Meia de Berlin. O método de treinamento utilizado era o 80/20.
Apareceu o tal corona vírus e acabou com a corrida e continua a assombrar o
mundo. Mas isso é história para outro post. Neste aqui vou contar o como foi a
experiência de treinar com tal metodologia. E vou fazer algumas comparações
entre as 3 metodologias de corrida: o Hanson ( adaptado) da maratona de
Washington, uma planilha simples ( com musculação) para a Maratona de Barcelona
e o 80/20, para a Meia de Berlin.
A primeira diferença foi o fato de ler o livro do
80/20, diferente das outras. O Hanson também explica a sua lógica em um livro. Mas
não li o livro, apenas usei suas planilhas. Entendi o conceito, que seria
aumentar os treinos intermediários ( 14 a 20 km) e reduzir os longos ( não
lembro agora mas acho nenhum longo passava dos 26 km). Como considerei que está
redução nos longos não me daria confiança para a maratona, segui o treino
normal porém aumentando a distância dos longos. O resultado, atingido com uma
alta km de treinamento, foi excelente. Só foi atrapalhado pelo fato de passar
mal dias antes da prova e ainda assim completando sub 3:30.
No ano seguinte queria uma planilha que fosse
combinada com musculação. Encontrei uma bem simples, numa revista antiga.
Apesar da simplicidade, funcionou e consegui meu recorde na maratona. O curioso
deste treino foi que dentre os 3, foi o único em que me machuquei ( apesar da
musculação). Entretanto devo admitir ( apesar de não gostar) o papel
fundamental do trabalho com pesos, especialmente no resto do ano quando corri a
Meia de Eifel e apesar das subidas e desafios terminei me sentindo inteiro
graças a musculação.
Com o 80/20 foi diferente. Li o livro. Entendi a
metodologia, o que na minha opinião faz uma enorme diferença. E cumpri (quase)
toda a planilha. O método é simples: aumento de volume gradual porém mantendo o
pace de rodagem lento na maioria (80%) dos treinos. No início precisei de
algumas semanas para me adaptar pois o pace “ confortável “ era LENTO DEMAIS!!
A ideia era não desgastar no dia das rodagens e ir mais rápido nos treinos
intervalados. E para mim fazia completo sentido.
A intensidade é incluída aos poucos. Nas primeiras
semanas os intervalados são de 1 minuto e os tempo run não passam de 15
minutos. Apesar da pouca intensidade, a frequência de treinamento é alta desde
o começo; poucas são as semanas que não se corre os 7 dias da semana. Como para
mim seria inviável ( além de muito desgastante) correr todos os dias,
basicamente cortei 2 dias de treino de rodagem/ regenerativo e fiquei na média
com 5 treinos por semana. Matematicamente quebrei a regra do 80/20. Por correr
menos km por semana e manter os treinos intervalados ou de tempo Run intocáveis
acredito ter ficado com a relação de treinos em torno de 70/30.
Ainda que a km tenha baixado, ainda assim o volume era
bastante grande para uma meia maratona. Para termos de comparação, as 2
maratonas de 2018/19 foram no mesmo dia: 10 de março. Essa meia seria no dia 5
de abril. Considerando que esses treinos levam em média 16 semanas, fiz a
comparação da distância nos meses de preparação para as provas.( ajudado por
esta ótima ferramenta do Garmin, é claro).
NOV. DEZ. JAN. FEV
. MAR
ROCK N ROLL MARATHON 163 234 329 325 110
BARCELONA MARATHON 174 209 250 206 110
BERLIN HALF MARATHON 179 199 241 222 110
Note que alguns meses, especialmente comparando
Barcelona com Berlin, os volumes são extremamente parecidos. Porém Barcelona
era uma maratona e Berlin não. Isto mostra o quão intenso era este treinamento
80/20. Mas aqui vem a parte mais interessante: Apesar do volume, o treinamento
80/20 não foi nada desgastante. Não sei se foi por usar tempo ao invés de
distância ( o único treino baseado em distância é o longo), não sei se por usar
muita rodagem, mas o fato é que correndo km muito similares, o desgaste do
80/20 foi infinitamente menor.
Outro fato interessante foi ver a evolução ao longo do
treinamento. Comecei o treinamento 80/20 enferrujado (como todos os anos), já
que os últimos treinos com intensidade tinham sido quase 8 meses antes, durante
a preparação para Barcelona. Os curtos tempo Runs tinham a média de 4:30 - 4:40
min/ km. Vi os tempo Runs ficarem maiores e bem mais rápido, com média de 4:10-
4:20 min/ km. Não digo que não houve evolução nos outros treinamentos, mas
neste pareceu mais fácil ver a melhora dos tempos.
Para coroar o método 80/20 faltou a prova. Pelos
tempos que vinha fazendo nos tempo Run, com a temperatura não ideal de Doha (
em março treinei bastante com 23/ 26C), acreditava ser possível bater meu
recorde pessoal de 1:29:48 na meia. Ainda que não quebrasse o recorde acredito
que fosse possível um tempo muito próximo a 1:30. Entretanto, digo sem medo de
errar que este foi o melhor treinamento dentre esses 3 e talvez o melhor método
que eu já tenha treinado. Porém deve-se lembrar que foi uma planilha para meia
maratona e não uma maratona completa.
Gosto de novas abordagens. Principalmente através de
livros, onde posso entender a lógica por trás do treino. Já treinei com vários
e pretendo treinar com outros tantos. Mas atualmente o 80/20 faz parte de uma
prateleira especial. Ainda quero correr uma meia maratona ou quem sabe uma
maratona usando esta metodologia. E se você pretende começar um treinamento e
está perdido no meio de tantos livros, planilhas e informações, o 80/20 pode
ser uma excelente referência.
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