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Meu Percurso



    


Todo corredor tem o seu percurso. Normalmente é aquele próximo de casa e que é percorrido várias e várias vezes ao longo do ano. Esse circuito é a “casa” do corredor e na medida em que ele vai correndo, vai conhecendo cada vez mais as peculiaridades do percurso.

Eu já tive vários percursos. Quando comecei a correr, meu percurso era a ciclovia na Barra da Tijuca. Uma reta com o asfalto marcado a cada 400 metros (era bom na era pré GPS) e uma belíssima vista da praia e do mar de um lado contrastada com os carros e gás carbônico do outro. Era um percurso simples e o treino normal eram 10 km, 5 em cada direção.

Na Ilha tive 2 percursos. Ambos eram desafiadores devido às subidas e descidas muito frequentes no trajeto. Os 2 tinham o trecho plano na praia da Bica, indo e voltando até o paiol do exército. A diferença era na parte inicial / final. Um dos percursos largava da Galo Branco e subia a Espumas antes de entrar na conhecida Cambaúba. Este era mais longo (10 km) e menos desafiador. O outro começava na Agostinho dos Santos indo em direção a Baía de Guanabara. Este percurso tinha subidas e descidas extremas e era em torno de 2 km mais curto.

No Qatar corria inicialmente no compound. Era um circuito extremamente monótono e sem charme nenhum. Excelente para treinar a parte psicológica. A volta no Ain Khalid tinha 3 km e normalmente completava 3 voltas com uma paisagem que não mudava nunca.

Quando me mudei para a Pearl, as opções de percurso eram muitas. Depois de alguns testes, decidi por um percurso que começava no boardwalk nos 2 primeiros km. Esse trecho é complicado, especialmente na parte da tarde, por terem muitas pessoas caminhando pela Marina. Depois uma bela rua com casas de um lado e uns pequenos edifícios em construção do outro, nos leva até o km 3,5. A partir dali dobramos em direção ao Viva Bahriya e seguimos até a torre 11 onde dobramos a esquerda na rua principal, deixamos o posto de gasolina a direita e completamos 5 km. Cruzando a rua principal, passamos um sinal de trânsito e um pequeno parque, antes de subir o viaduto que deixa o charmoso hotel Kempinski a esquerda. Na descida do viaduto, vamos até o fim da rua sem saída ( só para aumentar um pouquinho a km) e na volta passamos na entrada do hotel. Uma pequena ponte é cruzada e chegamos à praia do Quanat Quartier (QQ). Depois dos 300 metros do calçadão, completamos 7 km e então uma sequência de 3 pontes até descer a escada e seguir beirando o canal do QQ. Passando por baixo do viaduto é a última grande reta. Depois será contornar a Marina e chegar no mesmo lugar da largada. Total da brincadeira 8,7 km. O percurso é mais ou menos assim:






Esses percursos, ainda que simples, desafiadores, monótonos ou equilibrados, são aqueles que percorremos( ainda que um trecho deles) na maior parte dos treinos. Eu sempre falo do meu privilégio de correr em lugares diferentes com desafios diferentes. Entretanto correr em lugares diferentes é como visitar um amigo. Algo que é divertido, porém você não vai ter a liberdade de ir abrindo a geladeira. Já correr no seu percurso, é como estar em casa: você sabe exatamente onde está tudo. Você tem bastante conforto para criar um prato novo.

Em tempos de pandemia e com os voos limitados, muitos dos treinos acabam sendo feitos em Doha, neste percurso.É claro que agora com a proximidade do verão a quantidade de treinos deve diminuir por causa do calor. Ainda assim, correr no “ meu” percurso é sempre uma oportunidade prazerosa. E quanto mais eu corro, mais afinidade eu passo a ter no meu percurso.


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