
O planejamento anual de corrida é bem simples; de
dezembro à fevereiro são os melhores meses em Doha: Friozinho agradável de 15 a
25 graus. Assim sendo, tenho programado as provas principais entre março e
abril. Em maio, com o clima ainda bem aceitável, é a vez da Wings for Life, que
como já falei outras vezes, equivale a São Silvestre, ou seja, é o meu “ fim de
ano”. De junho à novembro tenho uma meta bem simples: 100 km por mês. Essa km é
ajudada em grande parte pelos pernoites, pois com as temperaturas ridiculamente
altas em Doha (fora a umidade) a corridas se tornavam a exceção da exceção.
Porém veio 2020 e o tal corona. Apesar do cancelamento
de Berlin, até corri bem em abril e maio. Como o Qatar não adotou nenhum
lockdown, era possível sair e completar meu treininho padrão. A temperatura em
maio foi incrivelmente boa para a época e aproveitei para correr bastante em
Doha. De quebra ainda teve um longo cargueiro que possibilitou a corrida em GRU,
MIA e LGG.
Mas agora chegou junho. A temperatura já não está
agradável. Para complicar mais ainda o Qatar inventou um aplicativo para saber
se você esteve próximo a alguém contaminado. Além disso, para sair na rua é
obrigatório o uso de máscara. O aplicativo não seria problema de usar, até porque
corro com música nesta fase e desta forma, poderia usar o celular sem problemas.
Agora correr de máscara, realmente não dá. Além do que, segundo alguns artigos,
poderia fazer até mal, podendo causar inclusive queimaduras no pulmão (não sei
se é verdade).
O ponto é que se já não era prazeroso correr devido às
condições climáticas, a obrigatoriedade da máscara foi a desculpa perfeita para
não correr. Mas calma que não termina aí: Com as restrições dos voo, 80%
atualmente são bate e volta. Isso quer dizer que a chance de correr em algum
pernoite na Europa (aonde fosse permitido sair) é bem escassa. A situação é tão
complicada que ainda que eu decidisse correr na esteira (que eu não gosto nem
no verão) não seria possível pois a academia do prédio está fechada graças ao
corona.
Vendo todo esse cenário fantasmagórico à que conclusão
que eu cheguei: Vai ser muito difícil correr neste verão. Completar os simples
100 km tornou-se quase impossível. As corridinhas, se acontecerem, vão ser em
um pernoite perdido na escala ou no caso do Qatar tirar a restrição da máscara
e mesmo assim ainda seria muito limitado pela temperatura, especialmente em
julho e agosto.
Mas o que fazer então? Ficar em casa comendo e
bebendo? Até seria uma boa opção. E até tenho feito isso bastante. Mas decidi
voltar ao bom e velho P90X.
Já fiz post sobre ele, a muito tempo atrás, mas caso
não se lembre, o P90X é um programa de exercício todos os dias (domingo é
opcional) onde se trabalha diferentes partes do corpo a cada dia. Tem em média
uma hora de duração e posso afirmar é intenso.
Tentei começar o programa a umas semanas atrás. Fui
muito forte na intensidade e acabei uns dias bem dolorido. Em consequência não
consegui completar todos os treinos da semana. Ajustei a intensidade agora
estou ficando com a “dor normal”. E conseguindo fazer todos os treinos. Mas
ainda que falte um dia ou outro, tudo bem pois o objetivo principal é ficar me
movendo, fazendo uma musculação (não deixa de ser) e ficando preparado para
quando a situação melhorar seja nas regras do corona ou na temperatura mais
amena.
Outro dia estava pensando: onde será que tenho maior
benefício para corridas futuras; correr sem planejamento e nem intensidade,
apenas rodagem de 100 km por mês ou fazer um exercício aeróbico e de musculação
com alto desgaste?
Bom, costumam dizer que para melhorar na corrida você
tem que treinar corrida. Apesar de concordar com a afirmação, não sei se rodar
apenas possa ser considerado “ treinar” corrida. E do outro lado, no P90X a
parte aeróbica está sendo treinada assim como a musculação, que como já disse
várias vezes acredito ser de suma importância.
Resumindo, por incrível que pareça acho que o
treinamento do P90X pode ser mais benéfico do que a própria corrida. Claro que
em condições normais eu prefiro correr. Uma hora de corrida, mesmo em condições
extremas é mais “ divertida” do que uma sessão de P90X. Mas levando em
consideração o ganho muscular, a variedade de músculos treinados e a
intensidade, acho que o P90X leva a melhor.
A resposta para esse dilema deve ser respondida no fim
do ano. Caso encontrem uma solução, seja vacina ou outra alternativa, para o
corona, as corridas de rua devem voltar. Acontecendo isso, vou fazer tenho
feito ultimamente: encontrar uma boa corrida entre março e abril como prova
alvo e começar a treinar. A capacidade de aguentar o treinamento e
consequentemente aumentar a velocidade vão responder se o P90 X valeu a pena ou
não. Se é o melhor a se fazer não sei, mas no P90X tem uma “frase de impacto” :
“ Do your best, forget the rest”. Eu considero que estou fazendo o meu best.
Keep training.
PS- As mudanças de regras são extremamente dinâmicas.
Lembra aquela regra de usar máscara o tempo todo? Já caiu. Agora para praticar
esportes o uso não é mais requerido.
Fiquei feliz com a decisão e sai para
correr. A felicidade não durou nem 3 km: A temperatura de 36 graus com umidade desértica
de 20% fez a corridinha ser desgastante. Ainda assim completei o trajeto
proposto. Com essa temperatura, se eu conseguir correr 2 vezes por semana ( que
considerando o meu percurso de 8.5 KM seriam 68 km por mês) não seria nada mal.
Ainda assim o P90X continua sendo a prioridade deste verão.
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