Foi assim.
Barcelona, março de 2019. Temperatura matinal de 16 graus, um percurso plano e
um corredor bem treinado e motivado. Assim começou a maratona de Barcelona. Os
5 primeiros km servem para aquecer e entrar no ritmo. Pace da primeira parcial
4:53 min/km. Caso eu mantivesse essa média ao longo dos 42 km, cruzaria a linha
de chegada com 3:25 aproximadamente. O objetivo era 3:20, o que levava a um
pace de 4:45, ou seja uns 8 segundos mais rápido que essa primeira parcial.
Os 20 km
seguintes são espetaculares. O pace entre o km 5 e 25 varia de 4:39 e 4:43 min/km.
Traduzindo para o bom português: A velocidade é rápida e constante. A temperatura
avança junto com os quilômetros percorridos e já está na casa dos 22 graus.
Tudo vai bem e Clarissa, que acompanha a corrida pelo aplicativo do celular, tira
uma foto na tela no momento em que estou passando o km 28. Naquele momento, a situação
era esta:
Interessante
notar que o aplicativo faz um preview de como seria o resto da prova caso eu
mantivesse a mesma velocidade. E essa previsão não poderia ser melhor. De
acordo com ela, mantendo este pace a prova seria concluída com 3:16. É claro
que eu sabia da praticamente impossibilidade de manter este ritmo até o fim.
Ainda assim, teria 4 minutos de “gordura” para queimar.
E o que
aconteceu a partir deste momento? Bem, no
km 30 perdi um pouco de ritmo e passei 33 segundos mais lento do que a previsão.
Não chegava a ser um problema, principalmente considerando que no km 33 eu
caminhei pela primeira vez na prova. Entre o km 30 e 35 meu ritmo caiu para
4:55 min/km. Isso significa que estava 15 segundos por km mais lento do que até
o km 30. E também significa que já tinha queimado 2 minutos e 40 daquela minha “gordura”
de 4 minutos. E isso em apenas 5 km.
A partir do
km 35 até o fim da prova acontece a clássica “quebra”. Quebra para os que não
sabem é uma perda de ritmo considerável. A parcial do km 35 ao 40 é de 5:17
min/km. Isso quer dizer uns 37 segundos mais lentos do que aquela média inicial
de 4:40. Na parcial de 5 km, sào quase 3 minutos mais lento, o que é muito. E
se foi ruim chegar ao km 40 esses últimos 2195 metros são completamente
arrastados. As câimbras estão fortes assim como a vontade de terminar. Percorro
esses pouco mais de 2 km em 12 minutos. O print da conclusão da corrida é este:
Outro fato interessante;
Lembra que quando passei o km5 caso mantivesse aquele pace completaria com
3:25? Pois foi praticamente isso que aconteceu. O resultado final de 3:24 não
me deixa mentir.
A conclusão
desta análise é a seguinte: Corri extremamente bem até o km 30. A parcial entre
o 30 e o 35 ainda era aceitável, de modo que posso considerar uma bela corrida
até o km 35. E depois disso tudo desandou. Andei mais que corri, tive câimbras,
sofri. A grande pergunta e razão principal deste texto; como fazer para
melhorar na próxima? ( olha eu aqui já admitindo que pode ter uma próxima).
A melhor forma de responder é analisar o
treinamento. Foi uma planilha simples de revista com o acréscimo de 2 dias de
musculação. O mês com maior km foi janeiro, com 250 KM. Acho que é pouco, PARA
QUEM QUER FAZER UMA BOA MARATONA. Diminui a quantidade de treinos comparado com
a maratona de Washington no ano anterior e achei que a musculação compensaria
essa redução de volume. Não compensou.
É verdade que em Washington eu passei mal dias antes da prova a ponto de até pensar em não correr, sofri com câimbras desde do km 10 e fiz uma corrida conservativa para evitar as câimbras. Se eu tivesse corrido forte e bem a prova, como eu corri em Barcelona, eu sentiria alguma dificuldade depois do km 30? E depois do 35? Essa pergunta nunca vai poder ser respondida, mas continuo acreditando que nada substitui o treinamento. Então a conclusão é que no mundo ideal, o alto volume aliado a 2 treinos de musculação por semana seriam a receita do sucesso. Pela ao menos no meu imaginário.


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