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Gostando de Correr

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     Nos últimos anos já virou tradição: em algum momento entre dezembro de um ano e janeiro do outro começo uma nova fase de treinamento. A data não é escolhida ao acaso; com as temperaturas mais amenas em Doha é possível treinar mais. Também não por acaso escolho uma prova entre março e abril. Está é normalmente a prova alvo do ano. Depois em Maio vem a Wings for Life que considero o meu “ fim de ano”.

Entretanto o mundo anda diferente. Deste o início da pandemia e do chato do novo normal as provas praticamente acabaram. As poucas que ainda existentes são cheia de protocolos e limitação de participantes. Soma-se a isso a dificuldade de locomoção entre países e o resultado é uma impossibilidade de se planejar para qualquer prova. Se em 2020 eu tinha programado correr a meia de Berlin que acabou cancelada, em 2021 nem me dei ao trabalho de pesquisar o magro calendário de provas.

Mas, ainda que alguns descordem, o mundo ainda é redondo, continua girando e as estações do ano seguem seu curso natural. E desta forma, ainda que sem provas, chegamos a um começo de ano com inverno no hemisfério norte. Ainda que inverno em Doha possa significar temperaturas passando os 26 graus, é época de mais treinos. Mas então vem a pergunta: Como treinar sem objetivo?

A resposta veio de uma forma natural. Inicialmente passei a correr mais dias na semana. Com a agradável temperatura de 16 a 20 graus pela manhã, comecei a acordar mais cedo e por volta das 6:30 já estava nas ruas. Escolhi um dia na semana para correr maiores distâncias: Comecei com 14 km ao invés dos tradicionais 9 km. Também criei um percurso com 1 km a mais do que o tradicional e uma ou duas vezes na semana passei a completar os 10 km. Depois de umas 3 ou 4 semanas neste aumento de volume finalmente inclui os treinos intervaladas. Comecei com 400 metros e progredi ( até agora) aos 1600 metros.

Essa brincadeira começou no fim de dezembro e se mantém até agora, meio de março. Basicamente estou correndo 5 vezes na semana, a menos que a escala aperte um pouco, pois vários países ainda tem restrições de sair do hotel. Os treinos semanais são: um longo, com 15 km ou mais ( já fiz 2 treinos de 21 km) um intervalado ou tempo run e os outros 2 ou 3 treinos de rodagem de 9 ou 10 km.

O volume de treinos é um pouco menor que em um treinamento para uma prova. Mas isso porque como dito anteriormente, alguns pernoites não se pode sair do hotel e então a semana fica comprometida. Para efeito de comparação, de dezembro de 2020 até fevereiro de 2021 corri 529 km. No mesmo período do ano passado, quando treinava para Berlin, percorri 662 km. Outra mudança foi que no ano passado os treinos da semana contavam com 2 treinos de ritmo: um intervalado E um tempo run. Atualmente, os treinos da semana tem um intervalado OU um tempo run. A proporção é de 3 semanas de intervalado para 1 semana de tempo run.

Mas aonde quero chegar com esse texto? No prazer da corrida. Quando se treina para uma prova, existe uma meta a ser atingida: uma melhor performance na prova. Todos aqueles tiros de 1000 metros, todos aqueles longos de 18 km, todas aquelas rodagens intermináveis, ainda que por vezes não seja completamente prazeroso, tinham um objetivo claro. As rodagens ao longo do ano são apenas uma forma de ficar minimamente treinado e pronto para quando a fase de preparação para a prova chegar. Ainda assim são treinos que não levam a uma evolução na corrida até mesmo porque o objetivo não é este.

Mas o treinamento deste ano é diferente: não tem um objetivo definido. Mas também não é só rodagem. Não tem planilha de treinamento nem dia específico para cada tipo de treino. Mas engloba todos os treinos de uma prova com um pouco menos de volume e intensidade. É uma corrida com evolução ainda que sem a “ obrigação “ de uma planilha. Melhora-se a performance sem desgaste. Encontra-se prazer de fazer apenas aquilo que se quer fazer.

Toda essa história para chegar à conclusão de ter encontrado uma excelente fórmula de corrida. Sem pressão, sem quantidade definida de kms, sem comprometimento. Entretanto extremamente prazerosa, dedicada e com uma efetiva melhora na performance. Sempre temos que rever nossos objetivos. Esta foi a fórmula que encontrei para não apenas continuar gostando de correr mas também curtir mais cada treino e ainda melhorar a performance.

 

 

 

 


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