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Voltando a Correr

                                           
                                             
  




Como assim voltando? Não sabia nem que tinha parado. Eu explico. Faz muitos anos que eu corro regularmente. Na média são 3 treinos por semana, mas claro que com a condição climática em Doha e a escala faz essa média variar bastante. Ainda assim, não me lembrava quando tinha sido a última vez que fiquei mais de uma semana sem um treininho sequer. Mesmo com as adversidades a vontade de correr é maior e eu acabava arrumando um jeito.

Mas no início de setembro foi diferente. A escala com voos bate e volta ou para lugares que ainda tem restrições de sair do hotel não ajudava. A alta temperatura do Qatar tão pouco. Mas seriam 2 semanas que na pior das hipóteses haveria um treino em cada semana. Mas não houve nenhum.

Dia 1 de setembro fiz um treino em Doha. Horrível. Extremamente quente e úmido, foi um daqueles pouco treinos que você se arrepende de correr mesmo após o treino. Mas faz parte do jogo. Nos dias seguintes tive uma gripe e como já não queria correr em Doha estando bem, imagina gripado. Acontece que após alguns dias tive a suspeita de estar com covid. Digo suspeita porque fiz um teste em casa, que é vendido na farmácia. Não sei exatamente a validade deste teste mas fiz o teste e deu positivo. O protocolo do país prevê que após um teste positivo você deve ficar em casa por 7 dias e depois fazer outro teste. Como já tinham passado 5 dias, optei por não fazer o teste oficial, pois caso confirmasse o positivo, seriam 7 dias em casa a partir da data do teste. 3 dias depois fiz o teste em casa de novo e o resultado foi negativo.

Ótimo, então agora já posso sair para correr certo? Certo, mas quem tem disposição de sair com essa condição de calor? Essa foi uma das poucas vezes que o estímulo de ficar em casa fora do calor ganhou a vontade de correr. Como tinha um voo para São Paulo em 3 dias decidi que o retorno seria neste voo. Seriam 13 dias após a última corrida. O percurso em Guarulhos é muito simples: do hotel ao lado do aeroporto até a entrada da base aérea e volta são 3 km completamente asfaltado. Umas 3 voltas neste percurso faz um treino simples, monótono e plano. Perfeito para a voltar.

Tudo era muito bonito no planejamento. Mas não foi assim que aconteceu. No dia seguinte a minha chegada eu iria para Campinas, para começar um voo cargueiro. A condução estava marcada para as 8:30 da manhã, o que me dava tempo de correr antes do horário do transporte. Acontece que na noite em que cheguei em Guarulhos, a companhia por algum motivo mudou o horário da condução para 5:30 da manhã. Com a mudança o meu plano de retorno da corrida parecia que seria adiado por mais um dia.

Cheguei em Campinas por volta das 7 da manhã. A temperatura era de 20 graus e uma chuva que ia e voltava insistia em não abandonar a cidade naquela manhã. Assim que cheguei no hotel, pensei: Porque não vou treinar agora?

Em Campinas normalmente corro pela rua até o bosque do Taquaral. O percurso não é exatamente plano e as calçadas estão longe de serem regulares. Bem diferente de Guarulhos. Mas a sede de voltar a correr era maior que as adversidades.

Então, em um horário que não era o melhor, por causa do trânsito, com uma condição climática que não era a melhor, devido a chuva e principalmente a umidade, em um percurso que não era o melhor devido a sua irregularidade, fui fazer o treino que era o meu melhor. Pelo menos o melhor que tinha para hoje.

Após 3 passos tudo volta ao normal. Tantos anos de corrida criam uma memória muscular e psicológica que parece que você treinou ontem. Mas a realidade não é bem assim. Sempre corro sem olhar para o ritmo no relógio. A sensação de esforço é a causa, o ritmo médio é a consequência. Meu ritmo confortável fica por volta de 5:30 min/ km. Um pouco mais ou a menos de acordo com o percurso e a temperatura. O ritmo deste treino ficou em 5:47 min/ km. Ainda que o percurso não seja plano, não justifica tamanha redução de ritmo. A sensação das pernas também é de mais desgaste do que um simples treino de 9 km. Mas o que realmente importa é ter voltado a correr.

Algumas ( poucas)vezes saio para correr mesmo sem vontade. E o principal motivo destes treinos desmotivados é manter a regularidade. Os mais xiitas falam que após 3 dias sem treino o corpo já começa a perder condicionamento. Não acredito que seja tão rápido assim. Entretanto concordo que após uma semana sem nenhum treino de corrida ( e também sem nenhuma outra atividade esportiva) algum destreinamento começa a ser sentido. O lado bom é que provavelmente após uma semana de treino você já estará de volta a mesma forma física. Mas o corpo mostra como é importante manter a regularidade.

Vários textos eu termino com a frase keep running. Nunca fez tanto sentido tal frase. Interromper a regularidade, ainda que por 12 dias como foi este meu caso, mostra o quão importante é a dedicação e a regularidade de se manter ativo e…….. keep running.


PS - Um resumo da volta: foram 2 treinos em Campinas. Após o segundo treino, o desgaste muscular da perna era bem maior do que o normal para esses treinos. Um dia de descanso ( o qual eu estava voando) e mais uns treinos em Quito. Nesses treinos tudo ja correu normalmente. Ou seja: um pouco de condicionamento se perde rápido. Mas também se recupera rápido.

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