Agora o blog ficou filosófico. Esse é o resultado de ficar correndo muitas horas: muito tempo para pensar e até filosofar. A questão é : qual o valor de 5 minutos? Na verdade, é um tópico que gosto muito e já foi texto aqui no blog, que é a questão correr ou treinar? Mas neste texto aqui vem um pouco repaginado e com a visão que venho tendo no momento.
Correr. Para muitos uma atividade chata. Para outros, um objetivo: seja completar uma prova, vencer alguma distância, superar algum tempo. Esses normalmente treinam. Mas poucos correm apenas pelo prazer da corrida. Faço parte desta minoria. Quando não estou treinando, o máximo de planejamento que tenho é pegar a escala da semana e saber em que lugares vou estar e se o lugar é bom ou ruim para correr. A distância, a intensidade e a condição climática podem variar o tipo de treino que vai ser feito ou inclusive cancelado ( que é bem normal em caso de chuva). Se vou fazer um longão ou um treino intervalado, decido na hora. É ainda posso sair para correr 7 km e acabar por correr 12. Ou vice e versa.
Quando estou treinando, a rotina é diferente. Continuo olhando na escala os possíveis lugares de corrida. A diferença é que cada treino é muito bem definido na semana, afinal de contas, posso estar em um bom lugar para um longo na terça mas não no restante da semana. Nessa de seguir a planilha, já corri com -7 C em Luxemburgo e 28C em São Paulo. Já fiz treino intervalado na altitude de Bogotá. Mas dia de treino é dia de treino e tento cumprir o máximo possível.
Essa historinha de corrida vs treino eu já contei em outros posts. Entretanto, a reflexão veio a partir da meia maratona de Milão, que corri em novembro do ano passado. Por se tratar de uma corrida em novembro, “ não treinei” já que Doha é muito quente nesta época e difícil de manter uma constância de treinos ( a não ser que a escala conte com uns bons cargueiros). Fui treinando nos pernoites quando possível ( como sempre) e nas últimas 8 semanas ( 2 meses) tentei fazer 4 treinos por semana: 2 rodagens, 1 intervalado ( ou tempo run) e um treino mais longo. Nem sempre consegui, mas de uma forma geral pode se considerar a regularidade satisfatória.
Pois bem, corri a Meia de Milão e, apesar do desgaste um pouco maior do que o esperado ( estava fazendo muita força desde o km 12), consegui um resultado de 1:35:17. Agora pense bem: Esse resultado é pouco mais de 5 minutos mais lento que o meu recorde pessoal - 1:29:04 em Barcelona 2015. - É não estou nem levando em consideração o fato de estar 8 anos mais velho.
Tudo isso para questionar: vale a pena treinar? É um planejamento que leva normalmente 12 semanas (3 meses) e tem uma metodologia que, assim como uma boa história, tem início, meio, e fim. Sendo que o fim é a prova alvo para a qual se treinou. É desgastante, por vezes difícil de cumprir a planilha seja por qualquer dos motivos já citados e tudo isso para que? Para correr 5 minutos mais rápido. Já “ apenas” correr envolve toda a liberdade de treinos e alguns minutos a mais no tempo final.
Apesar de vagorosamente ir gostando cada vez mais da ideia de correr por correr, ainda tem um fator que ainda me emociona no treinamento: O conceito de ser melhor a cada dia. Se eu faço uma corrida como a de Milão, apesar do bom resultado, internamente eu fico com aquela sensação de que se tivesse treinado, poderia ser melhor. Não estou nem falando de bater meu recorde pessoal, que é difícil mas considero (ainda) possível. Estou falando de se preparar o melhor para cada prova.
É com essas reflexões, sigo correndo por um tempo, treinando outro e ainda escrevendo nas horas vagas. Mas para os que chegaram até aqui fica o questionamento: - Quanto valem 5 minutos?
Keep Running
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