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Meia Maratona de Frankfurt

  




Um objetivo simples. Tão simples que chega a assustar: Bater o meu recorde pessoal, RP para os íntimos. So isso.

E porque assusta? Porque já são 20 anos de corrida com quase 50 meia maratonas. E por mais que a experiência ganha nestes mais de 30.000 kilometros seja grande, 20 verões se passaram. Não é tão fácil se manter rápido

Vamos recapitular o objetivo então: Em março de 2015 ( 9 anos atrás) concluía a meia maratona de Barcelona com o tempo 1:29:15. Era o meu melhor tempo até então e continua sendo até hoje. Fiz outras boas meia maratonas neste tempo, mas nunca com o objetivo de bater esse recorde, que diga-se de passagem é um tempo bem difícil de ser batido.

Mas motivação é tudo. Comecei o ciclo de treinamento em dezembro. E foi duro. Corri em quase 4 meses, mais de 800 km. Como corro muito nos pernoites, fiz muitos treinos com temperaturas negativas, devido ao inverno no hemisfério norte. Mas cheguei afiado no dia 17 de março na linha de largada.

A largada era no estádio de futebol do Frankfurt. Uma manhã ensolarada com temperatura de 14 graus. Poderia estar um pouquinho mais frio, mas ainda assim, perfeito para a corrida. E apesar de ser a meia maratona oficial da cidade, o número de inscritos de 4000 não pode ser considerada uma grande, mas é um tamanho de evento que tenho preferido ultimamente.

Vou para a linha de largada junto daqueles alemães sem banho a muito tempo, e busco me posicionar próximo ao pacer (corredores que se propõe a correr em um determinado ritmo para ajudar outros corredores que estejam buscando atingir aquela marca) de 1:30. Isso porque como o objetivo era bater aquele tempo de 1:29:15, penso que, se conseguir ficar junto dos pacers até o km 18 ou 19, eu só preciso acelerar mais que eles um pouquinho nos 2 últimos km e o recorde estará lá. Mole.

Como as ruas no entorno do estádio não são muito largas, a largada é feita em ondas. Traduzindo: Larga um bloco de corredores e então a organização da prova segura os outros corredores por uns 2 ou 3 minutos e então larga um outro bloco de corredores. O objetivo é evitar a aglomeração nas ruas estreitas.

Apesar da largada em ondas ser uma boa ideia, tem um problema. Os pacers de 1:30 largam e eu fico para a próxima onda. Bom, correr com os marcadores de ritmo ( pacers) deixa de ser uma opção. Mas verdade seja dita nem sabia que teria esses marcadores, então já estava pronto para correr por mim mesmo. Vamos lá.

A largada é dada e começo a correr em um ritmo alucinado, parece que abriram a cocheira. Analisando agora, acho que isso aconteceu porque com essa largada em ondas você demora para largar e então parece que está querendo recuperar o tempo perdido. É lógico que é uma besteira porque o tempo só começa a contar depois de passar o tapete de cronometragem, mas o fato é completo 2 km com quase 1 minuto mais rápido do que o esperado.

A voz da experiência vem e me diz assim - “ Calma Fernando. Tem muita prova pela frente. Se concentra e faz o que você treinou”. E é exatamente o que eu faço. Acerto o ritmo, a respiração. Agora já consigo até ver a paisagem em volta. Esse início de prova é em uma estrada e então não tem muita graça. Mas já no km 5 entramos pelo centro de Frankfurt e a corrida começa a ficar mais legal.

O centro de Frankfurt é imponente e impessoal. As ruas são largas e boas para correr. O ritmo está certo e essa camisa de manga comprida é absolutamente desnecessária e quente demais. O público começa a aparecer timidamente e vai aumentando conforme nos aproximamos do centro. So far so good

Km 10. Esse é o ponto alto da prova. Chegamos na beira do rio Main,o belo rio, que cruza Frankfurt e vai até a Bavária. Aqui temos um visual agradável, um espaço plano para correr e muita,muita gente torcendo. Na empolgação chego até a apertar um pouco o ritmo. Mas, passando pelo km 12, começo a sentir algum cansaço. Mas ainda mantenho o ritmo e ainda tenho alguns segundos de vantagem para o recorde.

A corrida pela beira do rio se extende por 5 km. Então, com 15 km completados, a corrida vai em direção a um viaduto que já é o início da volta para o estádio do Frankfurt. Até o km 16, o ritmo parece de um relógio suíço. Mas a força feita para manter esse ritmo está muito grande. Sentindo esse cansaço, caminho pela primeira vez na corrida no posto de água do km 16.

A ideia é desacelerar um pouco o batimento, descansar e me hidratar. Tudo isso em 40 segundos. Volto a correr mas logo percebo que o ritmo diminuiu um pouco. Olho para o relógio e faço algumas contas: Se mantiver essa velocidade ainda consigo quebrar o recorde. Faltam menos de 5 km. Vamos lá

Chega o km 18 e junto com ele um belo bosque. A Alemanha é conhecida por seus inúmeros bosques com trilhas de corrida. Neste bosque arborizado, me desconcentro um pouco com a paisagem, um pouco com um cansaço e perco um pouco mais ritmo. Mas está bem difícil correr. Só quero acabar.

Último km. Entrada do estádio. Aqui tem muita gente torcendo o que ajuda para um gás final. A chegada é na pista de atletismo que fica ao lado do campo de futebol. Uso a força que não tenho mais para uma última acelerada e cruzo cansado pela linha de chegada.

Mais uma meia maratona para conta. E o tempo? Foi recorde pessoal? Não. o tempo foi 2 minutos acima do esperado - 1:31:28. Corri muito bem até o km 16, mas a partir dali fui lentamente perdendo ritmo. Até o km 18 ainda estava no páreo, mas nos 3 últimos km perdi.

Faz parte do jogo. Tem dias que ganhamos, tem dia que perdemos. Mas não considero uma derrota. Fui competitivo até ( quase) a linha de chegada. Fiz o terceiro melhor tempo da vida e isso com um motor 4.9. Porém o mais importante: Serviu de motivação para continuar tentando. Espere que vai ter mais.


Agora a parte boa de correr na Alemanha. Eu não sabia qual seria meu tempo. Nem se iria conseguir bater o recorde ou não. Mas uma coisa já estava certa: independente do resultado, essa noite vai ter Wurst, Schnitzel e muita
Weissbier. Então Prost para vocês e até a próxima.

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