Breda. Uma cidade não tão pequena ( 180.000 habitantes) apenas 1 hora ao sul de Amsterdam. Conhecem? Eu também não conhecia mas acabei descobrindo este belo destino por causa da corrida.
A wings for life é aquela corrida patrocinada pela Red Bull e que não tem linha de chegada. Você começa a correr e 30 minutos depois da largada, um carro começa a andar a 14 km/h e a cada meia hora aumenta 1 km/h. Quando o carro te ultrapassa a corrida acaba para você. Também acontece simultaneamente no mundo todo. E todo dinheiro arrecadado na prova vai para o estudo da cura da lesão na medula espinhal.
Esta é a sétima vez que vou correr esta prova. Corri 2 vezes em Munique, 1 vez em Poznan ( Polônia) e 1 vez em Zadar ( Croácia). As outras 2 vezes foram de forma virtual, durante a pandemia. Neste caso, você tem que correr com o telefone e um fone de ouvido. O aplicativo da Wings for Life avisa quando o “ carro” começa a andar e também quando o carro está se aproximando. Assim como na corrida real, o aplicativo fala quando o carro te ultrapassou e a corrida acaba para você.
Costumo brincar que a Wings for Life é a minha São Silvestre. Isso porque a São Silvestre acontece em São Paulo no dia 31 de dezembro e marca para vários corredores o fim daquele ciclo de corridas. A wings for life, apesar de a conter em maio, marca o “ fim do ano” para mim, porque a partir de agora as temperaturas em Doha só vão subir e para treinar fico dependendo de algum pernoite ou da esteira.
A largada acontece as 2 da tarde - lembra que eu falei que era simultânea no mundo todo - O clima é…… bem estamos na Holanda em maio. Isso quer dizer que a melhor previsão é dizer que vai ser imprevisível. As 10 da manhã estava 14 graus e nublado. Depois choveu forte e a temperatura caiu para uns 10 graus. Agora, as 2 da tarde está 18 graus com muito sol.
Apesar de não ter linha de chegada, não podemos esquecer quem está correndo. Eu, que adoro uma competição. Mesmo em uma prova não competitiva. Essa prova tinha um circuito de 25 km, ou seja, depois desta distância passaríamos pela largada. Pronto. Já criei meu desafio: completar pelo ao menos os 25 km. Voltemos a corrida.
O começo da prova é no centro de Breda. As ruas não são muito largas, passando por um bairro residencial. Por volta do km 3, passamos por uma praça com uns restaurantes e as pessoas bebendo e curtindo o sol. Me ofereço para trocar de lugar com as pessoas mas ninguém aceita. Então continuo correndo. Por volta do km 5 entramos em uma bela estrada arborizada, que pois de 4 ou 5 km termina em uma floresta. E desta forma divertida já passaram 10 km.
A prova continua na tranquilidade da floresta. Com o meu objetivo traçado, decido correr os primeiros 21 km no ritmo de meia maratona, depois reduzir para uma velocidade que garantisse completar pelo menos os 25 km. Depois dos 25 está muito longe para pensar nisso.
A “ meia maratona” passa tão fácil que nem percebo. Ainda que corra sem fazer força, ao passar os 21 km reduzo um pouco o ritmo. Faltam apenas 4 km para completar o objetivo que é completar o circuito.
Completo os 25 km mas…… cadê o carro? Percebo que estou muito à frente do carro e então só resta uma coisa a fazer: continuar correndo. Abro uma segunda volta. As mesmas ruas estreitas estão lá. No entanto, pouquíssimos corredores continuam na prova. No km 28, passo novamente pela praça com os restaurantes. Começo a ouvir o carro vindo ao fundo.
Chego a pensar em tentar colocar um bom ritmo para completar 30 km. Mas já estou cansado e esse desgaste não vale a pena. E lembrando sempre que é uma corrida não competitiva. Então sigo correndo com o ritmo que venho mantendo nos últimos km e acabo sendo alcançado pelo carro um pouco depois do km 29.
E assim está terminada mais uma Wings for Life. É uma corridinha inclusiva, pois permite cada um correr a distância que quiser e inovadora pelo seu formato. Além disso, a corrida acontece em lugares pouco populares, como Breda por exemplo. O legal é que conheço cidades que talvez nunca viesse a conhecer e ainda faço uma corridinha despretenciosa….. Ainda que tenha 29 km. Ano que vem tem mais.



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