Pular para o conteúdo principal

Querem te Controlar......Não Permita!!!




    


 






Comecei a correr a muito tempo. Naquele longíquo ano de 2003, corrida e tecnologia não se conversavam. Ainda me lembro que no início, corria no calçadão da praia da Barra usando a marcação da ciclovia como distância e olhando para a hora dos relógios de rua para saber o tempo que estava correndo. Os corredores mais “ avançados” tinham um relógio com cronômetro. Cerca de um ano depois, meu pai me deu um polar. Um relógio que não era apenas cronômetro mas tinha uma cinta que colocava no peito e mostrava no relógio o seu batimento cardíaco. Parecia coisa de ficção científica. Realmente um avanço para época. 

Isso sem contar que ninguém falava disso no Brasil. Em 2005, tinha um amigo meu piloto que também era corredor apareceu com um dos primeiros GPS. Além de ter um valor exorbitante no Brasil, o tal GPS precisava de um carregador que tinha que ser levado no treino com 4 pilhas AA para funcionar ( e devia consumir essas pilhas em 2 treininhos de 45 minutos). Ainda que achasse a tecnologia legal, nunca pensei em ter um principalmente por conta do seu valor astronômico. O GPS foi se popularizando e o seu valor foi caindo, ficando mais acessível para os corredores “ normais”. 

 Comprei meu primeiro GPS em 2011. Um Garmin 305. Era um GPS que ainda era grande ( melhor que o carregador com as 4 pilhas AA) mas que basicamente marcava tempo e distância. Usei o 305 até a bateria se entregar. Ainda comprei uma bateria e vi uns vídeos no YouTube de como trocar, mas não funcionou muito bem. Então comprei o Garmin 225. O Garmin 225 já parecia mais um relógio normal e tinha como grande diferencial marcar o batimento cardíaco no pulso. Não precisava mais daquele fita cardíaca como no Polar ou mesmo no Garmin 305.

 Até o Garmin 225 eu gostava muito da evolução do GPS. Tinha saído de correr sem relógio para ter um controle de onde corri, em que pace em cada km, ritmo médio, batimento cardíaco, etc etc… inegavelmente uma nova forma de correr. 

 Mas a partir daí o controle do relógio ficou, na minha opinião, exagerado. Atualmente se você dorme com o relógio ( eu não durmo. Uso o relógio para o treino e só), ele diz como foi a qualidade do seu sono. Alguns relógios, após o treino diz quanto descanso você precisa até o seu próximo treino. Eu entendo que os fabricantes de relógios querem sempre evoluir os seus produtos. Mas ainda que o relógio tenha métricas incríveis ( e tem!!) as pessoas devem determinar até quando esse controle é necessário. 

 Eu sei quando eu dormi mal, não preciso que o relógio me diga isso. Ou pior eu durmo muito bem, acordo completamente disposto e o relógio diz que meu sono foi ruim. Se eu faço um treino X Y ou Z eu sei quanto aquilo me desgastou e quando vou poder fazer outro treino. E ainda que eu não soubesse, cabe a mim a tentativa e erro de aprender e não delegar essa função para o relógio.

 Resumidamente, acho a tecnologia algo sensacional e que chegou para tornar a vida cotidiana mais fácil. Mas as pessoas devem ter um “ filling” de sentir quando é hora de acelerar e quando é hora de descansar. Delegar esse tipo de função é se tornar escravo da tecnologia, o que no meu entender pode trazer tantos malefícios quantos benefícios.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Que Preguiça

                                                                                                      Todo fim de ano é a mesma rotina: escolhe prova para correr, começa o treinamento, aumenta o volume de treino, depois aumenta a velocidade, passa pela fase de polimento até chegar na prova alvo do ano. Com uma semana de férias em março, o ciclo de treinamento começou no final de dezembro. Desta vez escolhi usar a mesma planilha que usei em Osaka no ano passado, que tinha comprado na Internet por 10 dólares. É bem simples mas para o tempo pretendido da para o gasto. Mas o problema não é a prova, ou a planilha: o problema é o treino. Essa planilha tem algo como 55 treinos em 12 semanas. No ano passado perdi apenas 2 desses trein...

Mexico Mexico

                                                                                                                                                     Este é outro daqueles textos que deveriam ter sido escrito anos atrás, afinal este é exatamente o tipo de texto pelo qual este blog existe. A primeira vez que fui à Cidade do Mexico foi em 2006, ainda na Varig. Foi apenas um voo e não pensei em correr por lá pois na época ainda não tinha essa ideia de toda vez que vou para um lugar novo querer carimbar uma nova conquista com um treino, nem que seja curta. Fast forward para o ano de 2016. Volto ao México mas não vou para ru...

A Tal Resiliência

                          Muito falada, muito badalada, mas o que é realmente essa resiliência? Na definição pura e simples, significa ter a capacidade de se recuperar depois de uma adversidade. Em outras palavras, sair da zona de conforto e se adaptar. A resiliência pode aparecer em diversas situações ao longo da vida. Mas por se tratar de um blog de corrida, vou usar 2 exemplos meus na corrida. Meia maratona de Campinas. Já tem um texto aqui falando dela. Mas foi justamente escrevendo aquele texto que tive a ideia de fazer este. Após a meia maratona, tive um voo para Bogotá. Após um pequeno cochilo lá fui eu para o parque metropolitano Simon Bolívar. Uma rodagem de 9 KM com o ritmo bem tranquilo de 5:47 min/ km. Uma distância que percorro normalmente com um pace até abaixo do normal. Mas então, o que teve essa corrida de tão especial? O fato de ter corrido uma meia maratona no dia anterior e descansado pouco após...