Isso sem contar que ninguém falava disso no Brasil.
Em 2005, tinha um amigo meu piloto que também era corredor apareceu com um dos primeiros GPS. Além de ter um valor exorbitante no Brasil, o tal GPS precisava de um carregador que tinha que ser levado no treino com 4 pilhas AA para funcionar ( e devia consumir essas pilhas em 2 treininhos de 45 minutos). Ainda que achasse a tecnologia legal, nunca pensei em ter um principalmente por conta do seu valor astronômico.
O GPS foi se popularizando e o seu valor foi caindo, ficando mais acessível para os corredores “ normais”.
Comprei meu primeiro GPS em 2011. Um Garmin 305. Era um GPS que ainda era grande ( melhor que o carregador com as 4 pilhas AA) mas que basicamente marcava tempo e distância. Usei o 305 até a bateria se entregar. Ainda comprei uma bateria e vi uns vídeos no YouTube de como trocar, mas não funcionou muito bem. Então comprei o Garmin 225.
O Garmin 225 já parecia mais um relógio normal e tinha como grande diferencial marcar o batimento cardíaco no pulso. Não precisava mais daquele fita cardíaca como no Polar ou mesmo no Garmin 305.
Até o Garmin 225 eu gostava muito da evolução do GPS. Tinha saído de correr sem relógio para ter um controle de onde corri, em que pace em cada km, ritmo médio, batimento cardíaco, etc etc… inegavelmente uma nova forma de correr.
Mas a partir daí o controle do relógio ficou, na minha opinião, exagerado. Atualmente se você dorme com o relógio ( eu não durmo. Uso o relógio para o treino e só), ele diz como foi a qualidade do seu sono. Alguns relógios, após o treino diz quanto descanso você precisa até o seu próximo treino.
Eu entendo que os fabricantes de relógios querem sempre evoluir os seus produtos. Mas ainda que o relógio tenha métricas incríveis ( e tem!!) as pessoas devem determinar até quando esse controle é necessário.
Eu sei quando eu dormi mal, não preciso que o relógio me diga isso. Ou pior eu durmo muito bem, acordo completamente disposto e o relógio diz que meu sono foi ruim. Se eu faço um treino X Y ou Z eu sei quanto aquilo me desgastou e quando vou poder fazer outro treino. E ainda que eu não soubesse, cabe a mim a tentativa e erro de aprender e não delegar essa função para o relógio.
Resumidamente, acho a tecnologia algo sensacional e que chegou para tornar a vida cotidiana mais fácil. Mas as pessoas devem ter um “ filling” de sentir quando é hora de acelerar e quando é hora de descansar. Delegar esse tipo de função é se tornar escravo da tecnologia, o que no meu entender pode trazer tantos malefícios quantos benefícios.
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