Pular para o conteúdo principal

A Beleza da Corrida

               
                   

                                                                                   




Não são nem 3 da manhã e já estou desperto. Não que tenha algo para fazer essa hora e nem por estar preocupado. É apenas o fuso horário de 9 horas a menos em Chicago. Apenas mais um pernoite.

A vantagem do verão é que o dia começa cedo. 5:30 já tem alguma luz, mas decido sair por volta das 6. A temperatura de 19 graus engana com uma umidade de 90%. E assim, começo mais um treino.

O começo é lento, preguiçoso, como é para ser a esta hora da manhã. Começo aquecendo e vou pegando ritmo ao longo do primeiro quilômetro, afinal de contas é para isso que serve essa fase inicial: aquecer.

Já devidamente aquecido, começo a entrar no ritmo. E isso não quer dizer correr rápido. Pelo menos não nesta época do ano. O verão é a estação que tenho menos vontade de correr. O objetivo aqui é me manter ativo. Tenho uma meta pouco pretensiosa de correr 100 km por mês.

São apenas 3 km e as panturrilhas já querem me abandonar. O último treino foi a 5 dias atrás em Milão. E foi o único treino da semana passada. Pode parecer besteira, mas para quem tem uma regularidade de 4 treinos por semana, essa redução drástica de volume cobra o seu preço. E rápido.

Resolvo não dar atenção para a panturrilha e então o calor ( na verdade a umidade) começa a me perturbar. Nem cheguei nos 5 km e parece que já corri 10. Está mais difícil do que deveria estar. Mas vamos em frente.

A vantagem de correr em uma área residencial é que fica muito fácil modificar o tamanho do treino, basta cortar uma rua aqui, colocar um direct to lá e o treino fica do tamanho que você quer. Sai hoje para correr algo entre 10 e 11 km. Acabei de completar 7, e agora meu pé esquerdo está dormente. Acho que é hora de colocar aquela proa direta e acabar logo com essa agonia.

Mas sou teimoso. E também sei que este vai ser o único treino da semana na rua. Isso porque volto para Doha hoje e passo o resto desta semana lá ( só tem um cursinho e 2 bate e volta). E se aqui o calor atrapalha, em Doha impossibilita. Só na esteira, a qual consegui evitar este ano por enquanto. Mas acho que dessa semana não passa. Decido continuar mais um pouquinho.

O km 8 é bom. Já o 9 é fantástico. Como aqueles momentos inexplicáveis que acontecem na corrida, de repente o treino fica bom. Lembra da panturrilha? Nem lembro que tenho. O calor passou de suportável para agradável, ainda que a temperatura tenha subido. A dormência no pé sumiu como num passe de mágica.

Resolvo acrescentar algumas quadras ao meu treino, e acabo completando 12,5 km.

É difícil explicar o que aconteceu em 2 km ( entre o km 7 e o 9). Talvez não tenha explicação mesmo.

Mas o importante é a lição da perseverança. Estava ruim, mas não me entreguei. Continuei com o objetivo de fazer o melhor que tinha para hoje. Se o treino não tivesse melhorado, teria completado 10 km e voltado para o hotel com a sensação de dever comprido. Mas esse final de treino serviu para mostrar como é tênue a linha entre um treino bom e um treino ruim, e o mais importante é o que sempre falo por aqui : Keep Running

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Que Preguiça

                                                                                                      Todo fim de ano é a mesma rotina: escolhe prova para correr, começa o treinamento, aumenta o volume de treino, depois aumenta a velocidade, passa pela fase de polimento até chegar na prova alvo do ano. Com uma semana de férias em março, o ciclo de treinamento começou no final de dezembro. Desta vez escolhi usar a mesma planilha que usei em Osaka no ano passado, que tinha comprado na Internet por 10 dólares. É bem simples mas para o tempo pretendido da para o gasto. Mas o problema não é a prova, ou a planilha: o problema é o treino. Essa planilha tem algo como 55 treinos em 12 semanas. No ano passado perdi apenas 2 desses trein...

Mexico Mexico

                                                                                                                                                     Este é outro daqueles textos que deveriam ter sido escrito anos atrás, afinal este é exatamente o tipo de texto pelo qual este blog existe. A primeira vez que fui à Cidade do Mexico foi em 2006, ainda na Varig. Foi apenas um voo e não pensei em correr por lá pois na época ainda não tinha essa ideia de toda vez que vou para um lugar novo querer carimbar uma nova conquista com um treino, nem que seja curta. Fast forward para o ano de 2016. Volto ao México mas não vou para ru...

A Tal Resiliência

                          Muito falada, muito badalada, mas o que é realmente essa resiliência? Na definição pura e simples, significa ter a capacidade de se recuperar depois de uma adversidade. Em outras palavras, sair da zona de conforto e se adaptar. A resiliência pode aparecer em diversas situações ao longo da vida. Mas por se tratar de um blog de corrida, vou usar 2 exemplos meus na corrida. Meia maratona de Campinas. Já tem um texto aqui falando dela. Mas foi justamente escrevendo aquele texto que tive a ideia de fazer este. Após a meia maratona, tive um voo para Bogotá. Após um pequeno cochilo lá fui eu para o parque metropolitano Simon Bolívar. Uma rodagem de 9 KM com o ritmo bem tranquilo de 5:47 min/ km. Uma distância que percorro normalmente com um pace até abaixo do normal. Mas então, o que teve essa corrida de tão especial? O fato de ter corrido uma meia maratona no dia anterior e descansado pouco após...