O que? Vai parar de correr? Esse dia chegou? Será que o mundo está acabando,os dinossauros descongelando? Não é nada disso. O título é só um “ clickbait” e se você começou a ler o texto por causa do título, significa que funcionou.
A corrida de rua é um esporte legal.( Ufa, voltamos ao normal). Legal e simples. Por mais que se venda hoje a necessidade de relógios GPS, tênis com placa de carbono, géis de carboidrato e uma outra infinidade de quinquilharias, a verdade é que um tênis simples e um short você já pode correr. Aderir ou não aos apelos hoje em dia ditados pelas redes sociais é única e exclusivamente uma opção pessoal. Mas tem algo que tem me incomodado nesta salada digital: as provas.
As provas se tornaram objeto de desejo, assim como um tênis ou um relógio. Até aí nada demais. Mas a procura por provas causa alguns problemas: Começa pelo valor da inscrição. O mundo capitalista pode ser definido em uma frase: oferta e procura. Logicamente com a procura crescente por provas e a oferta limitada pela questão técnica de espaço, os organizadores aproveitam ( e com razão) para aumentar o preço das provas. Um exemplo é a maratona de Nova York. Se você for “ sortudo” o seu cartão de crédito pré cadastrado vai ser descontado em 450 dólares!! E apenas para correr uma maratona. Mas para não acharem que é apenas no exterior que isso acontece, a meia da Ponte ( Rio- Niterói) está sendo vendida à 500 reais.
Depois vem os corredores. Antes de saírem atirando um tênis pisada pronada em mim, por estar falando mal dos corredores, ouçam o meu argumento. A comunidade de corredores cresceu na mesma proporção que a sua velocidade diminuiu. Dessa forma, temos corredores mais lentos,muitas vezes sem grande experiência em provas. Essa falta de experiência faz com que larguem na frente, e quase são atropelados por corredores mais rápidos. Por vezes, correm junto com amigos fazendo um “ paredão” de corredores.Mas o pior mesmo é que não estão lá pela corrida em si. O mais importante é o número de likes que vai ter por completar uma maratona ou como vai sair naquela foto.
Uma prova era só um dia para provar que o treino está funcionando e que houve uma evolução na sua corrida. As corridas mais “ badaladas” sempre tiveram uma procura maior e consequentemente esgotavam as vagas rápido. Tanto é verdade que tem uns bons anos que maratonas como Nova York e Berlin adotaram o sorteio para definir quem vai correr. E o sorteio é mais concorrido que vestibular de medicina. E por essa razão eu já não me interessava muito por essas provas da modinha.
O problema é que agora são quase todas as corridas. Provas que eram meras desconhecidas, apesar de bem organizadas esgotam suas inscrições como se fossem a última Coca-Cola do verão. E então alem da dificuldade de se inscrever, também passam pelos problemas antes já relatados. E assim eu vou desanimando de correr PROVAS. Esse seria o título correto deste texto.
Mas Fernando, qual a solução? Para ser sincero, não sei exatamente. A prova é uma forma legal de avaliar como você está. Se você tem uma prova em uma data x, você sabe que vai começar a treinar de 12 a 16 semanas antes do dia da prova, e vai fazer um planejamento para chegar o mais preparado possível naquele dia. Tudo isso para dizer que participar de provas, na sua essência, é bem legal. Mas a dificuldade da inscrição, os valores por vezes altos e a falta de etiqueta de corrida são pontos que desanimam. Talvez contar com as poucas provas que ainda consegue se inscrever sem uma antecedência demasiada, ainda que seja como encontrar uma agulha em um palheiro uma prova que tenha uma boa qualidade ( o que significa distância aferida, hidratação correta e só — aumentando a exigência seria altimetria baixa assim como a temperatura), pode ser uma solução.
Mas enquanto não sei quando vou correr uma prova, sigo correndo, apenas pelo prazer de correr. E participando — ou ao menos procurando— as provas menos badaladas e mais divertidas.
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