Treinar é duro. Só de olhar uma planilha completa de 12 ou 16 semanas já cansa . A vontade é de desistir. Minha sugestão é: não olhe para a planilha. Encare cada treino como único. No máximo olhe uma semana por vez para poder decidir que treino vai fazer a cada dia. Porém existe a recompensa. Treinar sério por 12 semanas, seus tempos vão melhorar, independente da forma física que você se encontre no momento.
Aconteceu comigo. Todo final de ano eu busco alguma prova por volta de fevereiro ou março. Esse ano não foi diferente. Optei por Málaga e depois, por conta das férias acabei trocando pelo Lago Maggiore.
Para correr no meio de março a planilha começou no dia 24 de dezembro. Não foi planejado, mas por algum motivo, consultei o Race Predictor da Garmin neste dia. O race predictor é uma função em que, baseado nos seus últimos treinos, o relógio faz uma projeção de qual seria seus tempos em distâncias entre 5 km e a maratona. Neste dia, o meu tempo de meia maratona previsto era 1:43:10.
Os treinos começaram com aquela preguiça descrita no último texto. Apesar de consistente, sempre tinha um treino na semana que ficava para trás. É bem verdade que tentei esses treinos eram na maioria treinos de rodagem, ou seja, tentei manter os treinos longos e intervalados na maioria das semanas. No dia 6 de fevereiro ( 6 semanas de treino) consultei o race predictor novamente e o tempo estimado era de 1:38:44. Praticamente 5 minutos foram cortados.
Os treinos continuaram e no dia 2 de março ( 4 semanas ) , mais uma consulta e o resultado previsto desta vez era 1:37:24, melhorando 1 minuto em relação à última previsão.
A cereja do bolo seria correr a prova e ver a diferença entre o real e o previsto. Mas como vocês sabem, a guerra acabou com os voos justamente na época da prova e essa comparação vai ter de ficar para outra oportunidade.
Existem alguns pontos interessantes nessa análise. O primeiro é algo que sempre me estimulou na corrida; que é a meritocracia. Seu resultado depende do seu treino. Treinar mais significa melhores resultados. Simples assim.
Outro ponto interessante é o tempo para ganhar performance. Note que nas primeiras 6 semanas, o tempo reduziu em 5 minutos enquanto nas 4 semanas seguintes, reduziu “ apenas” 1 minuto. Isso mostra que a melhora no primeiro momento, quando se começa a colocar treinos de velocidade, é grande. Entretanto com o tempo, apesar da melhora existir, o processo passa a ser bem mais lento.
A conclusão é simples. Treinar não é fácil. Tem dias da planilha que você se pergunta porque está fazendo aquele treino. Porém para os mais dedicados, o resultado vai aparecer. É tudo uma questão de consistência. Para minha sorte, eu sou extremamente consiste.
É bem verdade que “ easy come easy goes”. A velocidade vem fácil. Lembre como se cortou 5 minutos em 6 semanas. Mas o oposto também é verdadeiro. Basta um tempo sem treino específico de velocidade e você volta a ser mais lento. A tal da meritocracia.
Por isso que a minha sugestão é, faça o que você gosta. Quer treinar e se dedicar a correr mais rápido? Excelente. Quer continuar rodando e não ter muita evolução? Sensacional. Mas o importante é keep running, enquanto isso fizer sentido para você.



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